Patrícia Ecave
Coluna Vinhos e Viagens
por Patrícia Ecave
Jornalista, Digital Influencer e Sommelière Paranaense. Trabalhou como radialista por 7 anos e assessora política durante 15 anos. Realizou viagens enogastronômicas e cursos no país e no exterior, como Vale dos Vinhedos, Cone Sul e Europa. Organiza workshops, cursos, jantares harmonizados, treinamento de equipes e consultoria geral. Escreve sobre viagens, vinhos e gastronomia. @blendecave

Em tempos de coronavírus, lives são alternativas para compartilhar informações

  • 27/03/2020
Em tempos de coronavírus, lives são alternativas para compartilhar informações

Entrevista com a Confraria do Bob

Nesta semana a sommelièrie Patrícia Ecave realizou uma live em parceria com a Confraria do Bob, comandada por Roberto Araujo Jr, mais conhecido por Bob Jr (foto), que é natural de Recife e atualmente reside em Brasília, no Distrito Federal. A Confraria do Bob é uma das contas com maior número de seguidores do instagram no Brasil, Bob Jr também é sommelier Wset-3 e possui formação pelo ISG – International Sommelier Guild –, além de vasta experiência no setor de vinhos.

Para Patrícia, nesse momento de quarentena pelo qual o mundo passa, em que a maioria da população precisa estar em casa cumprindo o isolamento social determinado pelas autoridades para conter o aumento do Covid 19, criar conteúdos informativos para redes sociais através de lives, por exemplo, é uma forma de contribuir e descontrair o público com assuntos de seu interesse: “é uma forma de estarmos todos juntos, mas, cada um em sua casa, respeitando o momento pelo qual passamos e compartilhando assuntos de interesse comum”, destaca Patrícia.

Na live que teve início às 21h, participaram pessoas de todo Brasil e também de outros países, como Portugal, Espanha, Argentina e Chile. Além das questões formuladas por Patrícia (elaboradas com base em coleta de dados dos participantes do seu perfil no instagram), os participantes também puderam fazer perguntas ao Bob.

Segue a entrevista realizada:

Patrícia: Vinho bom tem que ser caro?

Bob: vinho bom não necessariamente tem que ser caro, já o vinho caro tem a obrigação de ser bom, tem obrigação de entregar qualidade.

Às vezes as pessoas também confundem estilo com qualidade e o vinho escolhido, mais complexo, acaba não agradando os seus paladares, isso não quer dizer que o vinho não seja bom. São muitas as possibilidades de encontrarmos vinhos com taninos macios, fruta fresca, leve açúcar residual e agradável, resumindo, com drinkability. O vinho, então, não precisa ser complexo, mas fácil de beber e agradável ao paladar.

Patrícia: Qual a sua opinião sobre a comercialização de vinho em taça?

Bob Jr – Confraria do Bob

Em Brasília estão surgindo os rodízios de vinhos (semelhante ao open wine realizado no Paraná), em que as pessoas pagam em média R$ 80,00 e provam rótulos diversos (no entanto, os rótulos mais caros são mais complicados de se vender em taça). No geral, a experiência de se vender em taça é interessante e, às vezes, pelo preço de uma garrafa, você pode provar várias opções de vinhos, é uma vantagem para o cliente.

Patrícia: Comente sobre um lugar que você conheceu quando esteve fora do Brasil que marcou a sua memória, seja por algum momento engraçado, atípico ou uma experiência legal.

Quando estive na vinícola Cortes de Cima, no Alentejo, em Portugal, havia agendado uma visita para as 10 horas da manhã com os proprietários, mas acabei me atrasando. Fiquei nervoso demais com o contratempo por achar que ia perder a oportunidade de conhecê-los. Quando finalmente cheguei na vinícola, já cheguei falando que estava atrasado, me desculpando e, quando me receberam, a primeira pergunta foi: 

            Você é o Bob? Estamos te esperando! 

No fim, fui presenteado com um rótulo autografado safra 2012, uma edição especial em homenagem a Hans Christian Andersen, esse presente e a receptividade deles me emocionaram. Outro momento marcante foi na Patagônia, com frio de menos 2 graus negativos. Nessa ocasião, estive na casa do Marcelo Miras, enólogo considerado mestre da pinot noir, também responsável pelos grandes rótulos da Adega Del Fin Del Mundo. Fui recebido na sala da casa dele junto com a família, degustamos vinhos orgânicos, parrilha e pão francês e churrasco, foi um dos dias mais felizes para mim, pois pude provar vinhos direto da barrica, além de ter sido recebido como um membro da família.

Patrícia- Fale sobre uma comida ou aperitivo que você gosta bastante. Com vinho é claro! 

Não tenho curso de gastronomia mas me considero autodidata, leio bastante e adquiri bagagem com o tempo, costumo escolher primeiro o vinho e depois o prato. Aquele que mais gosto é o risoto, sou aficcionado por fazer risotos de variados sabores, gosto de harmonizar risoto de camarão com chardonnay, funghi com calabresa harmonizado com um vinho mais estruturado, alho poró com filé selado na manteiga, enfim são várias as  possibilidades de compor um risoto por meio de uma receita base. 

Jogo rápido:

Patrícia – tinto ou branco?

Bob: Tinto.

Patrícia – 3 castas preferidas.

Bob: Syraz, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc.

Patrícia – Um destino no Brasil ou no mundo que tenha produção de vinhos e que você ainda quer conhecer?

Bob: Borgonha, ainda não pude conhecer por ter muitos compromissos de agenda e também pelo dólar alto (risos).

Como de praxe em bate-papos do mundo vitivinícola, os participantes trazem seus vinhos, e Patrícia escolheu um Allegrini Valpolicella, vinho tinto do Vêneto, região nordeste da Itália da sub região de Valpolicella, seu corte é composto pelas castas: Corvina (65%), Rondinella (30%) e Molinara (5%), no olfato é bastante perfumado com notas de cerejas e morangos frescos, com toques de pimenta, e, em boca, é delicado, equilibrado com taninos leves, apropriado para harmonizar com antepastos, massas e sopas.

Bob trouxe entre seus rótulos um espumante nacional elaborado pelo método charmat Ponto Nero Celebration Brut, que acompanhou uma pipoca para assistir um filme na sequência. Outra opção considerada por Bob como um Great Value é um Aliança Bairrada Reserva, composto por baga, tinta roriz e touriga nacional, com taninos bravos, o qual recomendou manter em decanter por meia hora.

Um dos participantes da live questionou a dupla sobre estar correta a questão de intercalar vinho com água, Bob explicou que particularmente não gosta de intercalar vinho com água e faz o consumo de água geralmente no início ou no final da degustação de uma garrafa, porém falou que é uma questão de gosto pessoal, e destacou a importância da água. Patrícia, por sua vez, mencionou que em eventos que realiza com vários rótulos degustados, gosta de ter água para limpar o paladar sempre que passa para o próximo rótulo a ser degustado.

Outra questão levantada pelos internautas foi: existe diferença de paladares em relação a grupos sanguíneos A, B, AB e Os?  Bob alertou que não existem estudos científicos que comprovem isso, o que é comprovado é que as pessoas possuem percepções diferentes, do doce, salgado, ácido, amargo, cada um tem suas próprias percepções.

Na mesma linha, outro internauta perguntou como deveria proceder para que o álcool não tenha efeitos rápidos no organismo e não gere dores de cabeça. Bob destacou a importância de sempre se alimentar bem antes das degustações e também informou ser fundamental uma boa hidratação.

Respondendo a pergunta de outro internauta, Bob sugeriu alguns filmes e séries disponíveis na Netflix com relação ao mundo dos vinhos:

-O documentário Somm;

-Sideways;

-Um ano em Borgonha;

-O Julgamento de Paris.

Vários participantes pediram dicas de vinhos de guarda da Espanha, Argentina, Chile e Brasil, as sugestões de Bob foram:

Internacionais:

Espanhóis de Rioja;

Os Barolos pela sua rusticidade;

A linha Pulenta State;

Alguns tintos da Salentein;

Alguns tintos da Rutini;

Os vinhos da Catena Zapata e a linha Angélica Zapata;

Bramare;

Os tintos da linha Terrunyo da Concha y Toro;

Os tintos da Lapostolle;

Domus Aurea;

Os vinhos de mais alta gama da Viu Manent;

Lota e Finis Terrae da Cousino Macul

Nacionais:

– Alguns tintos da Dal Pizzol;

– Alguns tintos da Viapiana;

– Miolo Cuvée Giuseppe

– Miolo Lote 43;

– Linha Terroir da Cave Geisse (espumante barricado).

Iniciantes no mundo do vinho também pediram dicas básicas para começarem bem suas experiências. Bob destacou a importância de degustar vinhos brancos mais gelados e os tintos com temperatura mais elevada e acompanhados de queijos mais salgados.

Recomendou, também, harmonizações básicas como carnes vermelhas com vinhos tintos e, com vinho branco, strogonoff de frango, moqueca de peixe e camarão. Destacou, ainda, que a temperatura do rose não deve ser igual a do vinho branco e lembrou que é um vinho coringa na harmonização, vai bem com sushi, frutos do mar, paella entre outros.

Ainda entre as perguntas dos participantes, a dúvida que surgiu foi sobre a necessidade de decantar vinhos jovens, Bob enfatizou que é interessante, pois oxigena e faz com que os taninos fiquem mais sedosos e menos agressivos.

Concluindo, Bob disse em suas palavras finais que beber vinho não é um desafio e é para isso que profissionais como ele e Patrícia estão à disposição para orientações: “é fácil beber vinho, você pode participar de cursos, degustações… mas se não quer estudar, não tem problema, toma seu vinho com a comida que você gosta, o importante é ser feliz!”, concluiu.

Confira no link abaixo alguns momentos da Live:

Imagens: Reprodução/Tudoradio

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