Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2025

Artigo: ‘Xô, império trumpista’, por Oliveiros Marques

2025-02-27 às 13:58

O caminho insinuado por um comitê do Congresso norte-americano ao aprovar uma medida que busca interferir em decisões judiciais tomadas por cortes de outros países, mais especificamente o Brasil, beira o delírio e flerta com a desordem mundial. Alguém precisa, mais do que falar, mostrar para o bilionário Trump e para o seu gado que ele não foi eleito imperador mundial.

Mais uma vez, essa gente usa do farisaico discurso da “liberdade de expressão” para defender ações extremistas e recorrer à força e ao poder do Estado norte-americano para impor sua visão de mundo e proteger interesses econômicos espúrios, disfarçados por trás das ações de empresas sediadas nos Estados Unidos. Tocqueville, se vivesse hoje, ampliaria significativamente os aspectos negativos da democracia na América.

Penso que o governo brasileiro, assim como todas as democracias mundiais, deve se levantar agora contra essas medidas e discursos extremistas mundo afora. Não dá para tratar Trump e sua horda como loucos ou excêntricos. Eles têm um projeto de poder muito claro, e nele não há espaço para continuarem existindo pobres, pretos, indígenas, palestinos, homossexuais e tantas outras parcelas da população. Sim, exterminá-las é o objetivo.

Por exemplo, é justo que, no mesmo contexto em que o governo norte-americano ataca diretamente o Brasil, empresas como General Motors, GE Celma (unidade de aviação da General Electric), Ford e outras corporações daquele país sigam recebendo incentivos fiscais aqui, alguns ultrapassando a cifra de R$ 1 bilhão? A GM, por exemplo, já foi beneficiada com bilhões em incentivos estaduais e federais, enquanto a GE Celma tem isenções robustas no setor aeroespacial. A Ford, que fechou fábricas no Brasil alegando dificuldades, ainda teve acesso a incentivos fiscais milionários antes de sair. Acredito que não. Trump precisa saber que sua arrogância traz consequências.

“Ah, isso é um delírio, a economia americana é muito maior do que a nossa, seríamos tragados para o desastre”, diriam alguns. Não acredito nisso. Claro que a articulação com outros países se faz necessária. Mas alguém precisa dar o primeiro chute na bola para o jogo começar.

Latinos foram chutados como cachorros. Palestinos, considerados descartáveis. Ucranianos, humilhados em troca de alguns minerais. Na Alemanha, representantes de Trump fazem campanha para nazistas. O que mais esperar para uma grande coalizão mundial anti-Trump e em defesa da humanidade e dos valores democráticos? O aperto do botão de uma bomba atômica? Já passou da hora de alguém – ou alguns – enfrentar essa gente.

Oliveiros Marques é sociólogo, publicitário e comunicador político