Sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2025

Pesquisadora da UTFPR detalha sobre os benefícios e desvantagens de carros elétricos no Brasil

Em entrevista ao programa Manhã Total, a professora falou sobre os desafios e as inovações dos carros elétricos, além de destacar pesquisas sobre baterias de segunda vida e o futuro da mobilidade sustentável
2025-02-28 às 12:29
Crédito: Eduardo Vaz/ D’Ponta News

A professora Fernanda Cristina Correa, do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Tecnológica Federal do Paraná de Ponta Grossa (UTFPR), foi a convidada do programa ‘Manhã Total’, do D’Ponta News desta sexta-feira (28). Durante a entrevista, Fernanda, que também leciona no Mestrado e participa de um projeto sobre sistemas de armazenamento de energia com baterias de segunda via, abordou aspectos relacionados aos carros elétricos e suas implicações no futuro da mobilidade urbana.

Para a professora, a adoção de carros elétricos pode ser vantajosa, dependendo do tipo de uso. “Depende da forma de utilização. Se for uma condução urbana, onde há a recarga na casa de forma facilitada, aí compensa. Se o usuário for fazer longas viagens, já é mais complicado encontrar pontos de recarga”, afirmou.

Ela também destacou os avanços tecnológicos que as montadoras têm trazido para o mercado. “As montadoras estão investindo bastante nos carros. Estão trazendo bastante tecnologia em termos de eficiência energética, ou seja, gastar pouca energia e rodar muito.” Contudo, a questão da infraestrutura de recarga ainda representa um desafio significativo. “Mas por outro lado há esse problema de pontos de recarga. Isso parte de iniciativas governamentais e privadas. Ainda é uma coisa que vai levar tempo, mas isso não é só problema do Brasil, há esse problema também em outros países”, completou.

A autonomia média dos carros elétricos é de aproximadamente 300 km, segundo Fernanda. “A média é essa mesmo, é um padrão entre esses veículos”, explicou. Sobre o tempo de recarga, ela detalhou que existem dois tipos de recarga: “Temos dois padrões, de alta tensão que consegue recargas rápidas. E recargas de baixa tensão onde vai ficar carregando a noite toda, onde leva em média 8 horas de recarga”, explica.

A professora também destacou a vantagem financeira dos carros elétricos, especialmente em relação ao custo com combustíveis fósseis. “Você consegue economizar basicamente mais da metade do valor final que você gastaria com a gasolina”, revelou.

No entanto, a manutenção dos carros elétricos ainda enfrenta desafios, como a falta de mão de obra especializada. “Esse é outro problema pois há falta de mão de obra especializada. Esse é um ponto que comentamos muito na universidade porque esse é um outro ramo que está surgindo, que vai ser um bom segmento no mercado de trabalho”, pontuou.

Sobre o principal ponto negativo dos carros elétricos, Fernanda não hesitou em citar a bateria. “Ainda é a bateria, sempre foi. Mas com o passar do ano tem melhorado bastante, devido às pesquisas que vêm sendo feitas. Então problemas que tínhamos antes, em relação às baterias de lítio, hoje não temos mais, pois essas baterias não viciam como viciavam antigamente. Agora temos novas químicas junto com lítio, novos materiais para essas baterias”, pontua.

Quanto à vida útil da bateria, ela explicou que as montadoras geralmente estimam entre 7 a 10 anos. “As montadoras dizem que têm de 7 a 10 anos. Isso para a vida veicular pois a bateria vai perder a sua vida automotiva depois de 70% de perda de capacidade, isso pra suprir a demanda do veículo. Mas depois disso, ao invés de descartar essas baterias, elas ainda tem uma capacidade enorme”, destacou.

SOLUÇÃO INOVADORA
Uma solução inovadora para as baterias antigas de veículos elétricos é o conceito de “baterias de segunda vida”. “Essas baterias se tornam baterias de segunda vida, e são utilizadas para backup de energia, sistemas estacionários de energia. Ou ainda pode ser acoplado em fontes de energia eólicas e solar”, afirmou a docente. Ela explicou que o projeto da UTFPR envolve a pesquisa sobre a reutilização dessas baterias. “Tem projetos que estão sendo desenvolvidos nesse sentido, temos feito pesquisas com baterias de segunda vida porque elas ainda tem uma vida prolongada para ser utilizada em outras coisas”, disse.

Fernanda Cristina Correa ainda compartilhou detalhes sobre o projeto de armazenamento de energia com baterias de segunda vida em Ponta Grossa, uma parceria da UTFPR com empresas privadas para desenvolver soluções para o descarte e reaproveitamento dessas baterias. “Esse projeto envolve alunos da graduação e do mestrado. São baterias que eram utilizadas em veículos e estão sendo usadas para montar sistemas de armazenamentos de segunda vida. Vão ser utilizadas em estações de recarga por energia solar”, detalhou. O projeto, que ainda está em desenvolvimento.

BATERIAS DE ELETRÔNICOS
Sobre os cuidados com as baterias de celular, Fernanda alertou para os riscos de superaquecimento, especialmente quando se mexe no dispositivo enquanto ele carrega. “É muito perigoso mexer no celular enquanto ele carrega porque você vai aumentar ainda mais a temperatura dele. É perigoso também dormir com o celular embaixo do travesseiro justamente porque ele pode esquentar”, aconselhou.