Sexta-feira, 12 de Agosto de 2022

D’P Agro: “A aveia na alimentação animal”, por Maryon Strack Dalle Carbonare

25/06/2022 às 13:24
Foto: Reprodução

A utilização de aveia para a alimentação animal pode ser realizada de diferentes maneiras: verde no cocho, pastejo, silagem planta inteira, silagem pré-secada, feno, grãos.

Aqui, na nossa região, as forrageiras tropicais, como as braquiárias, panicum, tifton etc, apresentam pouca produção de massa e baixo valor nutricional durante o inverno, caracterizando-o como uma fase crítica para o sistema produtivo animal.

Já a utilização de gramíneas anuais de inverno, que é o caso da aveia, são alimentos com maior qualidade bromatológica, ligada a maior digestibilidade e palatabilidade. Ainda, normalmente, apresentam maiores valores de proteína bruta. Sob essa perspectiva, a nutrição é uma das ferramentas de maior importância em todos os custos e a forma mais rentável é a produção de volumosos de qualidade.

Aveia forrageira x aveia granífera

É comum existir entre os produtores um confundimento em relação às aveias. Enquanto todas as cultivares de aveia preta (Avena strigosa Schereb) são forrageiras, as brancas (Avena sativa L.) podem ser graníferas ou forrageiras. As aveias forrageiras foram melhoradas geneticamente para produção de forragem, e as graníferas, para produção de grãos.

Principais diferenças entre as aveias forrageiras e graníferas

Principais vantagens das aveias forrageiras como fonte de volumoso:

•Boa tolerância ao frio e às geadas (pode variar conforme a cultivar);
•Produção hibernal (outono, inverno e primavera), período no qual as espécies reduzem a sua produção e qualidade;
• Alta produção de massa;
• Alta qualidade nutricional (alto teor de proteína bruta e digestibilidade);
• Alta palatabilidade;
• Rusticidade (tolerância a doenças e ao deficit hídrico);
• Tolerância ao pisoteio;
• Cultivares de ciclo precoce a tardio;
• Alta produção de leite e carne.

Usos de aveias forrageiras como fonte volumosa

• Pastejo
O pastejo é a forma mais econômica de utilização de plantas forrageiras. A quantidade de massa e a qualidade da forragem de aveia são fatores determinantes da produção de leite ou carne por hectare. O excesso de lotação determina o superpastejo; por outro lado, um número reduzido de animais por unidade de área conduz ao subpastejo, situações que podem ser evitadas com manejo adequado de oferta da pastagem. Para o pastejo de aveias forrageiras, é indicada a entrada dos animais quando a pastagem atinge de 25 a 30 cm de altura e saída com 10 cm de resíduo. Na lotação contínua, é indicado manter a pastagem numa altura média de 15 a 20 cm. Na estratégia do pastoreio rotatínuo, recomenda-se colocar os animais quando as plantas atingirem 29 cm de altura e manter um resíduo de 18 cm. Deste modo, o consumo do animal será privilegiado e a capacidade de rebrote da aveia será maior, bem como a produção de forragem.

Corte verde
É uma prática mais utilizada em áreas pequenas, onde a forragem é cortada e fornecida diretamente no cocho para os animais. A principal vantagem desse sistema é a redução de perdas de forragem. No entanto, ele demanda mão de obra e máquinas para o corte diário.

Silagem pré-secada
Os teores elevados de proteína bruta (até 22%) tornam a aveia uma opção interessante para produção de silagem pré-secada. É recomendado realizar o corte no estádio de emborrachamento das plantas (antes da emergência da panícula), quando há o melhor equilíbrio entre produção de massa e qualidade nutricional. O ciclo para atingir essa fase pode variar de 70 a 130 dias após a emergência, dependendo da cultivar. A estatura de plantas nessa fase é de aproximadamente 80 cm, e a altura de corte recomendada é de 10 cm.

Após o corte, deixa-se a planta secar no campo até atingir o teor adequado de matéria seca para ensilagem, de 40 a 55%. Esse processo de secagem ao sol pode levar de 6 a 48 horas, de acordo com a massa e as condições climáticas, e um revolvimento da forragem pode ser necessário para acelerá-lo e uniformizá-lo. Após atingir o teor adequado de matéria seca, a forragem é recolhida e picada com colhedoras de forragem e transportada até o silo, onde será compactada e vedada com lona para ocorrer a fermentação.

Foto: Reprodução

Feno

Técnica de conservação que consiste em reduzir o teor de água da aveia para aproximadamente 15%. Para a desidratação natural em campo, dependendo do volume de massa e das condições climáticas, são necessários de dois a quatro dias para atingir o teor de água adequado. O corte deve ser realizado no florescimento pleno (50% das panículas emitidas). Nesse estádio, pode-se conseguir de cinco a dez toneladas de matéria seca por hectare, com teores de proteína bruta de 10 a 13%. Com exceção de algumas regiões do sul do Brasil, onde o inverno mais úmido pode dificultar o processo, a baixa precipitação pluvial nessa estação permite a fenação da aveia com sucesso.

Usos de aveias graníferas como fonte volumosa

Silagem de planta inteira

A aveia também pode servir como fonte de fibra e energia em dietas para ruminantes. Nesse caso, é indicado realizar o corte de plantas no estádio de grão massa, com matéria seca entre 30 e 40%. Esse sistema permite o corte direto, sem necessidade de secagem em campo. Essa silagem terá teor menor de proteína bruta (8 a 10%), mas bom valor energético devido à presença de grãos.

Foto: Reprodução

Maryon Strack Dalle Carbonare é zootecnista pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), doutora pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), pesquisadora na área de Forragicultura, professora da Unopar e diretora de Pesquisa e Projetos da MS.DC Consultoria.

Conteúdo publicado originalmente na Revista D’Ponta #290 Junho de 2022.