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Domingo, 25 de Fevereiro de 2024

D’P Agro: Caminhos tortuosos

2023-10-09 às 15:54
Foto: Divulgação

Produtores rurais de Ponta Grossa e região enfrentam dificuldades com estradas rurais precárias e falta de infraestrutura, problema que afeta não só o escoamento da produção, mas também o turismo e da qualidade de vida dos moradores do campo. Governo municipal tem realizado obras para amenizar os problemas

por Michelle de Geus

Falta de pavimentação, buracos, poeira e lamaçal em dias de chuva são alguns dos problemas que os agricultores de Ponta Grossa enfrentam ao transitarem pelas estradas rurais do município. A malha viária rural da cidade é extensa. Apenas no distrito de Uvaia são 32 quilômetros de vias vicinais, mas a região não recebia manutenção há mais de quatro anos. Além de interligar as propriedades rurais, essas rodovias são a principal ligação da área rural com a zona urbana e contribuem de forma significativa para o desenvolvimento do turismo e da qualidade de vida dos moradores do campo.

Em “live” promovida pelo Sindicato Rural de Ponta Grossa, o presidente da entidade, Gustavo Ribas Netto, lembra que a economia de Ponta Grossa e região é vinculada ao agronegócio e que o setor depende das estradas rurais para escoar a produção agrícola. “A conservação das estradas rurais é um grande desafio, e nós precisamos do envolvimento de toda a população cobrando o poder público para que os trabalhos tenham continuidade, os recursos sejam aplicados e nós tenhamos essas vias em boas condições. Se hoje dá uma chuva, amanhã já piora a situação”, comenta, citando como exemplo a estrada Pery Pereira Costa (PR-513), entre o bairro de Uvaranas e o Passo do Pupo, no distrito de Itaiacoca. “Esse trecho é asfaltado e a manutenção lá se tornou praticamente zero há muitos anos. Depois disso, nós não vimos mais desenvolvimento”, aponta.

Ribas Netto ressalta que, em sua visão, é necessário avançar dentro e fora das fazendas. “Por que no Brasil a maioria das pessoas mora na cidade e na Europa nós vemos um número muito maior de pessoas vivendo no campo? Porque a nossa zona rural precisa de investimentos em infraestrutura, de melhores vias de acesso, energia, internet, coleta de lixo e esgoto. Tendo essa infraestrutura, nós conseguimos descentralizar e até mesmo resolver alguns dos problemas da cidade”, avalia.

Caminhos do Agro

Participando da conversa, o secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Bruno Costa, concordou que a manutenção das estradas rurais são uma necessidade. “Hoje temos um grande escoamento de produção agrícola na nossa região, vários moradores nas áreas rurais, ônibus escolares que precisam trafegar para pegar as crianças e trazer para as escolas, temos ambulâncias e uma série de responsabilidades que fazem com que as nossas estradas rurais precisem estar em dia”, enumera, destacando que, nos últimos sete meses, foram recuperados 200 quilômetros de estradas rurais através do programa Caminhos do Agro, incluindo a região do distrito de Uvaia, cujas obras de recuperação tiveram início na primeira semana de julho.

De acordo com Costa, o programa investirá aproximadamente R$ 12 milhões na conservação das vias vicinais do município, visando o escoamento da produção rural e o deslocamento dos moradores da região. As obras consistem em patrolamento, escarificação, cascalhamento e compactação do leito. Também estão previstas ações de manutenção dos dispositivos de drenagem, como caixas de contenção, saídas laterais, bueiros e caixas de dissipação. “Estamos trabalhando em quatro frentes, com equipes separadas e descentralizadas, para atender ao mesmo tempo todas as regiões rurais”, detalha. Na primeira etapa, já foram beneficiadas as regiões de Alagados, Itaiacoca, Guaragi e Taquari, sendo que o objetivo é chegar ao total de 1.200 km de estradas rurais revitalizadas até 2024.

Trabalho de rotina

O secretário reforça que a conservação das estradas rurais exige um esforço constante. “É um trabalho de rotina que não pode parar, isso não só na época de escoamento da produção, mas também para quem mora na região”, assinala, acrescentando que, a partir dos serviços que estão sendo realizados, será preciso apenas a restauração de trechos pontuais danificados pelas chuvas, a manutenção das caixas de drenagem e saídas d’água, além do reforço do cascalhamento em alguns pontos. “O nosso objetivo é manter as vias vicinais em boas condições tanto para o agronegócio quanto para o turismo, o transporte escolar e a circulação de pessoas, levando desenvolvimento e transformando o ambiente de negócios no campo”, afirma.

O quem vem por aí

Em junho de 2022, o Governo do Estado e a Prefeitura Municipal anunciaram o investimento de R$ 7,3 milhões para a pavimentação poliédrica da Estrada do Alagados, porém a licitação ficou “deserta”, o que significa que nenhuma empresa se interessou em realizar os serviços. A revitalização do trecho de 6,5 quilômetros de extensão incluiria os serviços de drenagem e sinalização viária, beneficiado diversos atrativos turísticos da cidade, como a cachoeira do Rio São Jorge, a Represa de Alagados, a Igreja Santa Bárbara e o Buraco do Padre.

Costa revela que está sendo avaliada uma mudança no processo licitatório para que a pavimentação poliédrica seja realizada com peças sextavadas, em vez de pedras irregulares, como era anteriormente. “O objetivo é, logicamente, não parar com esse processo. Já existe verba disponível para fazer esse projeto e nós estamos avaliando novas possibilidades”, ressalta, mencionando que a estrada do Buraco do Padre também foi beneficiada com verba estadual para receber pavimentação com pedras sextavadas. Costa revela ainda que nos próximos meses deve ser anunciado o edital de licitação para a pavimentação da estrada da Ponte Preta, que liga Ponta Grossa a Carambeí.

ESTRADAS REVITALIZADAS

Localidades de Ponta Grossa e região atendidas pelo programa Caminhos do Agro nos últimos meses

Guaragi: Tabuleiro, Caminho Grande, Roxo Roiz e Faxinal Grande
Itaiacoca: Mato Queimado, Carazinho, Sete Saltos de Baixo, Cerrinho, Sete Saltos de Cima e Conceição dos Florianos
Taquari: Colônia Gertrudes, Colônia Moema, Taquari dos Polacos, Colônia Dourados e Colônia Trindade

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Conteúdo publicado originalmente na Revista D’Ponta #296