Quarta-feira, 17 de Agosto de 2022

D’P Agro: Startup paranaense gera recordes

26/06/2022 às 11:25
Foto: Divulgação

por Ricardo Wegrzynovski

Idealizada pelo jovem empreendedor João Barboza, de apenas 21 anos, a startup é especializada em soja e feijão e vem entregando aumentos de até 12% na produtividade

Recordes diante de recordes na produção de grãos, em especial soja, tem sido o gráfico da startup Dioxd. Liderada pelo jovem empreendedor João Barboza, de 21 anos, paranaense natural de Londrina, a empresa trabalha com tratamento de sementes, a chamada biotecnologia. A startup é especializada em soja e feijão, mas já desenvolve a tecnologia para milho e algodão, e vem entregando aumentos de até 12% na produtividade.

A fórmula básica e, principalmente, os resultados não são segredos, e é por isso que investidores e produtores têm se somado à startup. A solução biotecnológica recebeu mais de 30 prêmios em feiras de ciências no Brasil e exterior.

Na safra 2021/22 de soja, em uma das fazendas-cliente da startup, os resultados foram de 6,8 sc/ha, representando um aumento de 10,2%, com custo de 0,3 sc/ha, ou seja, 6,5 sc/ha de rentabilidade, que equivale a R$ 1.170,00*/ hectare de lucro. Considerando o valor da soja de R$ 180,00 (6,5 * 180).

É mais resultado direto no bolso do produtor, e uma boa expectativa para o Brasil especialmente, que conta com o clima perfeito para muitas culturas. Vamos assim obviamente, cada vez mais, alimentar o mundo.

Como é feito

A Dioxid desenvolveu tecnologia para tratar grandes quantidades de sementes, que são expostas ao CO2 (Dióxido de Carbono). Com isso é possível extrair o maior potencial genético das sementes. Com plantas e raízes maiores, a produção e o enchimento dos grãos da soja aumentam.

Em resumo, a biotecnologia aplicada proporciona a manutenção do vigor e potencializa o arranque inicial, melhora a germinação e aumenta a disponibilidade de nutrientes.

Quem apoia

A Dioxd conta com a Cyklo Aceleradora de Startups, sediada em Luis Eduardo Magalhães, região oeste da Bahia. Com o apoio da Cyklo, inicialmente teve vários testes referendados por fazendas experimentais, além de mentorias de marketing, finanças, administração e agronômicas. Outro passo importante foi o apoio das sementeiras, como a Ciaseeds e a Cooperativa Holambra, além de produtores como o Grupo Franciosi.

“A equipe da Cyklo me deu todo o apoio desde 2020, quando inciamos a estruturação comercial da Dioxd para expansão no Brasil. Nos apoiaram abrindo as portas e validando a nossa tecnologia nos produtores. Hoje Ciaseeds e Holambra são dois importantes canais de venda. E destaco ainda que o interesse direto do produtor por biotecnologia, como é o caso do grupo Franciosi, tem gerado grandes resultados para nossa economia, como redução de custos e aumento de rentabilidade” destaca João Barboza, acrescentando que a fórmula é totalmente “sustentável”.

Um dos apoios fundamentais veio da Kasuya Consultoria Agronômica. O grupo tem um pivô de 100 hectares, que são aqueles círculos gigantes que vemos com facilidade ao sobrevoar o interior do Brasil. O pivô para experiências é recortado como uma pizza. Cada fatia recebe determinado tipo de teste.

Depois dessa fase, consolidada com base científica, a Dioxd foi para fazendas reais, gigantes. E aí o sucesso só cresce. Os fazendeiros – no momento, mais de 30 – apoiam o projeto e estão muito otimistas com os resultados, como explica Barboza. “Essa última safra de soja foi um desafio para todos os produtores do Brasil de norte a sul. De alguma forma todos foram atingidos pela La Ninã, mas, para a Dioxd e os nossos clientes, foi o melhor ano. Além dos resultados médios de aumento de 5 sc/ha, atingimos um novo recorde. Um cliente da Bahia aumentou a produtividade em 11 sc/ha apenas com o uso do nosso tratamento de sementes. E o reflexo desses resultados pode ser visto pelo aumento expressivo de áreas com a nossa biotecnologia.”

Recentemente, produtores de Paranapanema e Itaí, no interior de São Paulo, além de Riachão das Neves (BA), também compraram a ideia e aplicaram as sementes tratadas.

Barboza também valoriza os primeiros experimentos, que começaram no Paraná, ainda na escola secundarista. “Tudo começou em uma feira de ciência, lá no Colégio Londrinense, onde eu estudava. Junto com meus professores, fizemos uma experiência que consistia em alterar a atmosfera da semente com gás carbônico durante o período de armazenamento, para provocar uma série de alterações fisiológicas que permitissem à planta melhorar o seu desenvolvimento”, recorda.

No princípio…

A startup foi encontrada em uma feira agropecuária em Londrina, a AgroBit, realizada pela Sociedade Rural do Paraná. Foi lá que o administrador da Cyklo Agritech, Aguinaldo Marques, munido de câmeras de vídeo e fotografia, foi conhecer os expositores. “O encantamento com a Dioxd foi na hora. Vi grande chance de crescimento rápido da empresa. Por isso a convidamos para fazer parte da aceleradora”, conta Marques.

Hoje a startup tem investidores que aportaram valores que passam de milhões de reais. Os recursos financeiros foram usados para o desenvolvimento da tecnologia e expansão comercial. João Barboza afirma que a aceleradora de startup é fundamental para o sucesso. “Durante nove meses [tempo da aceleração], tivemos que validar o nosso produto na região do MATOPIBA [Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia], pois só tínhamos resultados no Paraná, além de desenvolver novos equipamentos de tratamento para ganhar escala. Tudo isso para que, no final do ciclo, a nossa startup estivesse com faturamento. Esse processo intenso nos trouxe maturidade para atrair investidores”, diz Barboza.

A empresa destaca também o apoio do Sebrae e outros braços ligados ao desenvolvimento de startups, como a Sementes Oilema, FAAHFLAB, SRP Valley, Redfoot, Agroven e GR8 Ventures.

Foto: Divulgação

Família é fundamental

O avô, Antônio Barboza dos Santos, de 83 anos, e o pai, Araildes Barboza dos Santos, de 62 anos, foram os responsáveis por incentivar o jovem no agronegócio. A família sempre foi produtora, com fazenda em Assaí (PR). Com essa lida, o avô criou 14 filhos. Hoje é a mãe, Alexsandra Barboza, de 52 anos, quem cuida do financeiro da startup.

João Barboza frequentava a fazenda desde criança. “Foi ali que eu tive contato com a produção de grãos. Quando eles já plantavam milho, trigo e soja, surgiu esse interesse em trabalhar nas ciências agrárias”, afirma, recordando que contou com a ajuda do pai, muito em especial nas primeiras pesquisas. “Foi o meu pai que sugeriu iniciar com o tratamento de semente e foi trazendo toda essa visão. Durante os oito anos de pesquisa, a gente foi trazendo para a realidade do produtor rural, para que realmente pudesse ser uma tecnologia utilizada pelo produtor.”

Conteúdo publicado originalmente na Revista D’Ponta #290 Junho de 2022.