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Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2024

Live do Sindicato Rural apresenta experiência de arranjo produtivo para ovinocultura nos Campos Gerais

2022-10-14 às 11:52

O médico veterinário Rafael Fagundes de Oliveira, o secretário de agropecuária do município de Ipiranga, Faustino Pereira Filho, e o prefeito de Ipiranga, Douglas Modesto, apresentaram a experiência de arranjo produtivo para a criação de ovinos nos Campos Gerais, durante live do Quinta com Café, promovida pelo Sindicato Rural de Ponta Grossa, na noite de quinta (13). Transmitidas pelo YouTube, toda quinta-feira, às 18h, as lives do Quinta com Café são apresentadas pelo presidente do Sindicato Rural de Ponta Grossa, Gustavo Ribas Netto.

A ovinocultura tem sido sugerida no Conselho Municipal de Desenvolvimento de Ponta Grossa (COMDER) como alternativa para os pequenos produtores. Porém, o investimento na criação de ovinos esbarra na questão do mercado, por haver muito material entrando, principalmente do Uruguai, a preços competitivos e, no cenário local, pela concorrência com a informalidade.

Conforme Faustino, a organização da cadeia produtiva de ovinos teve impulso em Ipiranga a partir da iniciativa do veterinário Izaltino Cordeiro dos Santos e do inspetor técnico Amaro Mendes de Araújo, que procuraram a Secretaria de Agropecuária no início da atual gestão e estabelecer uma parceria, aproveitando a vocação do município para essa atividade econômica. A partir disso, foi montado, junto à Copergera (Cooperativa Florestal dos Campos Gerais), um plano de trabalho de organização dos produtores, com um levantamento dos produtores que já trabalham com ovinocultura e daqueles que têm interesse em ingressar na atividade.

“Contratamos uma equipe técnica, composta por veterinários, agrônomos e técnicos agrícolas, para que pudéssemos fazer esse trabalho de campo, um levantamento do potencial daqueles produtores que realmente têm interesse e vocação, dentro dessa organização, buscando, principalmente, animais para a comercialização, ou seja, para frigoríficos”, comenta o secretário.

De acordo com Faustino, o trabalho vem a casar com a instalação do Frigorífico Frigoville, em Reserva, que terá capacidade de abater 300 ovelhas por dia e deve iniciar o funcionamento ainda neste ano. “Temos, hoje, o início, o meio e o fim dessa cadeia. Pensando, hoje, na realidade do município, é mais uma alternativa, principalmente para os pequenos produtores, mais uma alternativa de comercialização”, acrescenta.

Nessa organização de uma cadeia produtiva, frisa o secretário, se busca impedir o comércio de ovinos na clandestinidade, a fim de que os produtores tenham animais de qualidade e de procedência, com um perfil que possa atender a um mercado cada vez mais exigente.

O médico veterinário Rafael Fagundes de Oliveira, da Secretaria de Agropecuária de Ipiranga, observa que o Frigoville vai operar com o Selo SIF (Serviço de Inspeção Federal), o que vai permitir a exportação da carne dos animais que ali forem abatidos. Dessa forma, vai poder atender ao mercado local e com possibilidade de expandir o comércio ao mercado internacional.

“O que ainda falta é a organização desses produtores e a gestão dessas pequenas propriedades, para fazer com que eles saiam da clandestinidade, da produção de fundo de quintal, tentando agregar isso como uma forma de renda e melhorando a qualidade e agregar valor no seu produto”, destaca o veterinário.

“Ipiranga é um município do agro. A maioria das pessoas vive e sobrevive da agricultura e da pecuária, então temos que usar esse potencial mesmo, em vista que temos feito projetos voltados à agricultura. A questão dos ovinos é um deles, nessa parceria que temos com a Copergera e agora, também, com o frigorífico em Reserva, com certeza, vai fomentar muito a produção, não só aqui em Ipiranga, mas em toda a região, porque é a certeza da venda. O produtor sabe que vai produzir e vai ter onde entregar”, ressalta o prefeito Douglas Modesto.

Quanto à competitividade do produto local com o borrego uruguaio, no mercado internacional, em função dos preços baixos praticados pelos nossos vizinhos, Faustino avalia que a entrada no mercado de exportação será resultado de um trabalho de longo prazo. “Hoje, vemos que o Uruguai vem decaindo bastante na questão de produção e já não está comportando, tanto o mercado interno quanto a exportação, que eles são fortes. Temos um mercado aberto, acreditamos nisso, e precisamos realmente partir dessa organização”, avalia Faustino.

O secretário de Agropecuária de Ipiranga salienta que o papel dos municípios, dos prefeitos, dos gestores, enquanto política pública, é muito importante para essa organização. “Aproveitar que temos esse perfil socioeconômico, essa aptidão regional, para que possamos organizar e realmente competir e entrar no mercado”, diz.

Recentemente, Faustino, acompanhado de Izaltino, Amaro e do prefeito Douglas e dos empresários do frigorífico de Reserva, participaram de reunião com o secretário estadual Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara. O objetivo da reunião foi expor o projeto e pedir apoio do Estado, que se prontificou a dar esse incentivo. “Tudo isso são fases e vimos ganhando campo para que possamos realmente entrar nesse mercado”, comenta o secretário.

Pessoas ligadas à cadeia produtiva do leite têm relatado a adoção da engorda de borregos com o aproveitamento da sobra da produção das vacas, com a transferência da silagem restante nos cochos para a alimentação dos ovinos, que estaria produzindo bons resultados. Segundo o prefeito Douglas Modesto, essa técnica pode vir a ser desenvolvida, mas ainda não é aplicada no município, mesmo que ele considere uma boa alternativa.

“Tendemos a buscar essas alternativas para competir nesse mercado, que não é fácil. O preço, é claro, é essencial; temos que competir no preço, mas acho que temos que batalhar para termos um padrão de animal; se tem qualidade, temos onde vender. Os grandes centros, como São Paulo e Curitiba, procuram por carne de qualidade e pagam até acima do valor de mercado”, ressalta.

O veterinário avalia que a produção e a venda precisam crescer gradativamente e envolver os demais municípios dos Campos Gerais para que haja capacidade de suprir a demanda do novo frigorífico. “Aí que entra o trabalho de campo, de tentar produzir cada vez mais em menos terra [espaço], tentando agregar valor e mais qualidade, usando as biotecnologias. Tem uma determinada época do ano que não vamos conseguir produzir com qualidade, mas temos que tentar produzir, da melhor forma possível, usando todas as ferramentas possíveis”, frisa Rafael.

De acordo com ele, o passo inicial da produção ovinocultora seria ter alimento para fornecer aos animais. Ao analisar a realidade local, o veterinário observa que o município não possui grandes produtores que vivam, exclusivamente, da ovinocultura e cabe à Secretaria de Agrpecuária orientá-los a adotar a atividade, desde que tenham aptidão, de forma complementar. Aí cabe o incentivo ao associativismo, porque, juntos, os produtores conseguem articular uma venda maior e competir por preços e espaço no mercado.

Segundo Rafael, quanto ao melhoramento genético do rebanho, o foco da produção de ovinos em Ipiranga é a carne e não a lã. “Buscamos atender aos produtores vendo seu perfil e o perfil do rebanho que eles já possuem e da propriedade, tentando encaixar qual a melhor raça para a produção de carne. Nosso foco é atender ao frigorífico. Queremos produzir carne e, com isso, vamos alinhando para melhorar, com a questão do cruzamento”, ressalta.

Papel do poder público

O prefeito de Ipiranga reforça que o papel do poder público, nessa cadeia produtiva, é dar o incentivo, o pontapé inicial, mas não cumpre a ele se manter executando o projeto. “É por isso que precisa ter uma associação de pessoas com o mesmo objetivo para que o trabalho tenha continuidade. Uma gestão dura quatro anos. Pode ser que venha outro gestor que não dê andamento ao projeto e isso acontece muito, em diversas áreas”, pondera Douglas.

Ele destaca que as associações permitem que os produtores se ajudem mutuamente e se fortaleçam para conduzir o projeto por conta própria. Segundo o prefeito, portanto, cabe ao poder público fomentar a produção e estimular a criação das associações, para que elas funcionem de modo independente.

Faustino pontua que a Câmara de Vereadores de Ipiranga aprovou um projeto de lei de Incentivo à Ovinocultura, de autoria do vereador Laertes Prestes, a fim de reforçar essa política pública, para que ela tenha continuidade.

V Fenovinos Paraná

De 8 a 13 de novembro, o Centro de Eventos de Ipiranga sedia a II ExpoIpiranga e a V Fenovinos Paraná. Segundo o secretário de Agropecuária, para o município se credenciar junto à Ovinopar e à ARCO (Associação Brasileira de Criadores de Ovinos), para poder sediar uma feira oficial, valendo para o ranking nacional, era necessário fazer, antes, uma preparatória, que ocorreu em abril deste ano.

“Graças a Deus, foi um sucesso, unindo nossas forças, tivemos a participação de vários cabanheiros do Estado e de Santa Catarina, o que nos credenciou a estar realizando a II ExpoIpiranga ainda neste anos. Nos prontificamos, junto à Ovinopar e à ARCO, de estarmos realizando ainda neste ano”, reforça Faustino.

De acordo com o secretário, já existe grande procura de cabanheiros do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que se inscreveram para o evento. Além da feira, haverá o Leilão de Animais, feito pelo Lance Rural, que será transmitido online para todo o Brasil.

Acompanhe a íntegra da live do Sindicato Rural abaixo: