Com a retomada do crescimento econômico e a reconstrução do país, deixado em frangalhos pelos desmontes de Temer e Bolsonaro, as grandes obras voltaram a aparecer na vida dos brasileiros. Em Santa Catarina não foi diferente.
Saudosa da duplicação do trecho Sul da 101 e de construções de vulto como a Ponte Anita Garibaldi, a Santa e Bela agora vibra com a recuperação do Porto de Itajaí e com os finalmentes da duplicação da BR-470.
Mas a obra de mais destaque de 2024 com certeza foi o contorno viário da grande Florianópolis. Não só pela grandiosidade da empreitada em si, que chegou a ser o maior contrato dessa modalidade no Brasil, com quatro túneis, seis trevos e sete pontes, mas principalmente pelo histórico de sua implantação, que merece o justo resgate.
O contorno começou a sair do papel no governo Lula 2, no ano de 2007. Neste ano, a obra entrou no contrato de concessão da BR101, atendendo a um pleito que se demorava em quase duas décadas em Brasília.
Após anos de contratempos legais e contratuais, a obra teve início já no Governo de Dilma Roussef. Andou por dois anos até que a dupla Temer-Bolsonaro conseguiu, sob o silêncio sepulcral e cúmplice da maior parte da classe política e econômica catarinense, levar a obra a passos de tartaruga durante os seis anos seguintes. Uma negligência que beira ao crime contra o estado e sua economia.
Com a volta de Lula, os trabalhos foram concluídos em um ritmo alucinante, turbinados pelo milhões do BNDES, tendo 40% da sua execução feita em menos de dois anos.
É inegável e preciso reconhecer o papel do presidente, tanto no pontapé inicial quanto na entrega da obra. Ainda que muitos anti-Lula torçam o nariz para isso.
O povo catarinense parece já perceber a diferença entre o tratamento dado ao estado por Bolsonaro e por Lula. Agora cabe à elite catarinense, que durante bom tempo se manteve calada e omissa diante do abandono do contorno viário pela turma das motociatas, fazer a sua autocrítica.
Ao contrário, darão razão ao grande pensador uruguaio Eduardo Galeano quando ele dizia: “Temos, há muito tempo, guardado dentro de nós, um silêncio bastante parecido com estupidez”.
Rafael Guedes é jornalista e analista político