Sexta-feira, 03 de Dezembro de 2021
foto: Clebert Gustavo

Ceia de Natal mais cara em 2021: Produtos têm aumento de até 27%

21/11/2021 às 10:25

Neste Natal, que vai ser de reencontros para muitos vacinados contra a Covid-19, os consumidores estão animados. Mas a situação econômica ainda difícil no país pede estratégia na hora de fazer as compras para não estourar o orçamento. A ceia encareceu, com os itens típicos da época até 27% mais caros do que no ano passado, como é o caso do frango inteiro.

Entre as carnes, o alimento foi o que teve maior alta no preço. O peso da carne bovina chegou a 18,68%. Bacalhau (7,98%), lombo suíno (6,48%) e pernil suíno (3,44%) também tiveram aumentos. Os índices são resultados do acompanhamento de preços feito pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre)m da Fundação Getulio Vargas (FGV), por todo o país, nos últimos 12 meses.

— A especificidade do frango é ser criado em granja, muito dependente de ração à base de milho ou de soja. Por problemas climáticos, como a estiagem que dura mais de um ano e a geada no último inverno, as safras de milho e soja foram muito prejudicadas. E a criação dos frangos saiu cara. Já o boi é criado solto e pode pastar, e o suíno pode ter a lavagem variada — explica Matheus Peçanha, economista do Ibre FGV.

O preço da carne de boi está em retração, após um longo período de altas. O consultor de varejo Marco Quintarelli acrescenta, inclusive, que esse encarecimento influenciou o custo do frango.

— Muita gente migrou para consumir o frango, pois era a segunda proteína mais barata, logo após o ovo. Então, o aumento da demanda, e o fato de o frango ser exportado, ou seja, seu preço é dolarizado, acabam pressionando este alimento também — diz Quintarelli.

Os ovos tiveram elevação de 20,05% no preço. Já a categoria “pão de outros tipos”, que inclui pães de rabanada, teve reajuste de 11,12%. O pouco trigo produzido no Brasil sofreu os mesmos impactos da ração do frango, enquanto a parcela importada está mais cara em razão do dólar, acima do patamar de R$ 5,50 atualmente. Também encareceram alguns complementos de receitas e bebidas alcoólicas, como o azeite (13,69%) e o vinho (7,77%).

— Geralmente, o azeite e o vinho têm uma parcela importada grande no mercado. E fatores de incerteza da pandemia e fatores políticos levaram os câmbios para as alturas. Assim, o preço interno sobe — explica Matheus Peçanha.

O aumento calculado pela FGV engloba uma média entre nacionais e importados. No segundo grupo, o impacto pode ser até maior. No Cadeg, em Benfica, na Zona Norte do Rio, vinhos que custavam R$ 29,90 no fim de 2020 estão saindo agora por até R$ 60.

— Os portugueses foram os que mais aumentaram. Até vidro para a embalagem faltou no mercado na pandemia, e tudo encareceu — justifica Michele Sant’ana, vendedora da Central dos Vinhos, que, apesar dos preços mais caros, vê o movimento no estabelecimento crescer, em comparação com o fim do ano passado.

De acordo com os especialistas, o saldo do varejo deve mesmo ser bem melhor no Natal de 2021.

Depoimento: ‘O fluxo de clientes já aumentou’, diz Michele Sant’ana, vendedora da Central dos Vinhos, no Cadeg

“Os preços aumentaram muito, é verdade. Até 100%, principalmente dos importados em geral e dos vinhos portugueses. Então, alguns consumidores querem manter os gastos iguais aos do ano passado, e aí substituem produtos. Por exemplo, o vinho que tomaram por R$ 59 está por R$ 80. Então, mudam o vinho. Mas o fluxo de consumidores aumentou comparando agora com essa mesma época no ano passado. Esperamos resultados melhores.”

Especialista estima alta de 10% no saldo do varejo

De acordo com Marco Quintarelli , o varejo deve faturar cerca de 10% a mais neste ano, em relação a 2020. Na rede de supermercados Mundial, a expectativa de aumento nas vendas chega a 30%.

— Foi um ano muito ruim. Agora, existe uma ânsia grande das pessoas em comemorar. O que vai acontecer é que elas vão apostar em produtos mais em conta e numa ceia mais abrasileirada — pontua ele, confirmando a impressão da vendedora Michelle.

O economista Matheus Peçanha concorda:

— Tem muitos fatores contra essa expectativa de melhora: muita gente perdeu renda na pandemia, muita gente foi para informalidade, o processo inflacionário está crítico. Mas o brasileiro sempre dá seu jeito, substitui alimentos, inventa receitas. Então, até por causa dessa tradição de jogo de cintura, pode acabar valendo essa euforia na hora das compras.

A família do aposentado Sérgio Carvalho, de 67 anos, não se reuniu no ano passado para comemorar o Natal por conta da pandemia. Agora, os já vacinados se sentem mais seguros para uma reunião íntima.

— Como sou aposentado, não perdi a renda e não fui tão afetado na pandemia. Sem contar que deixei de gastar muito por causa das restrições de atividades durante este período. Então, isso alivia — lembra ele, que mesmo assim foi às compras ainda em novembro, para fugir de novos aumentos de preços: — Em dezembro, os preços mudam até 30%, pelo que vi em outros anos. Então, já comprei boa parte do que vou precisar, inclusive descartáveis.

do EXTRA