Sábado, 04 de Maio de 2024

Em 2021, abate de bovinos cai pelo segundo ano seguido e o de frangos e de suínos batem recordes

2022-03-17 às 16:00
Foto: EBC

Em 2021 foram abatidas 27,54 milhões de cabeças de bovinos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária federal, estadual ou municipal), representando uma redução de 7,8% em relação ao ano anterior. O resultado representa o segundo ano consecutivo de queda, dando sequência ao cenário de retenção de animais observado desde o início de 2020. O único mês a apresentar variação positiva no comparativo 2021/2020 foi dezembro (+39,89 mil cabeças), enquanto a queda mais intensa foi verificada em setembro (-650,79 mil cabeças), mês do início do embargo às exportações brasileiras por conta dos casos de encefalopatia espongiforme bovina.

A valorização recorde dos preços médios dos bezerros e da arroba bovina estimularam a retenção de fêmeas para atividades reprodutivas. O total de fêmeas abatidas ao longo de 2021 (9,31 milhões de cabeças) foi o menor constatado desde 2004.

O abate de 2,34 milhões de cabeças de bovinos a menos no comparativo anual foi causado por retrações em 23 das 27 unidades federativas. Os decréscimos mais expressivos ocorreram em Mato Grosso (-633,91 mil cabeças), Mato Grosso do Sul (-433,89 mil), Rio Grande do Sul (-299,46 mil), Paraná (-238,96 mil), São Paulo (-228,78 mil) e Minas Gerais (-74,08 mil). Em contrapartida, as variações positivas mais relevantes ocorreram em Goiás (+176,46 mil), Tocantins (+55,13 mil) e Pará (+40,90 mil).

Mato Grosso continuou liderando o ranking das UFs do abate de bovinos em 2021, com 16,2% da participação nacional, seguido por Goiás (10,8%) e Mato Grosso do Sul (10,7%).

No 4º trimestre de 2021, foram abatidas 6,90 milhões de cabeças de bovinos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária. Essa quantidade foi 6,4% inferior à obtida no 4° trimestre de 2020 e 0,9% abaixo da registrada no trimestre imediatamente anterior. O resultado não atingia níveis tão baixos para um 4° trimestre desde 2008.

Abate de suínos cresce 7,3% em relação a 2020

No acumulado de 2021, foram abatidas 52,97 milhões de cabeças de suínos, representando um aumento de 7,3% (+3,61 milhões de cabeças) em relação ao ano de 2020. Considerando a série histórica desde 1997, somente na passagem dos anos 2004/2003 que não houve crescimento da atividade de abate de suínos.

Na comparação mensal, todos os períodos de 2021 registraram variações positivas em relação ao ano anterior, sendo que março apresentou a maior alta (+475,09 mil cabeças). O desempenho nas exportações auxiliou a cadeia da carne suína, que enfrentou um cenário desafiador com o aumento dos custos de produção.

O abate de 3,61 milhões de cabeças de suínos a mais em 2021, em relação ao ano anterior, foi impulsionado por aumentos no abate em 21 das 25 UFs participantes da pesquisa. Entre aquelas com participação acima de 1%, ocorreram aumentos em: Rio Grande do Sul (+909,57 mil cabeças), Santa Catarina (+821,72 mil), Paraná (+786,36 mil), Minas Gerais (+552,80 mil), Mato Grosso do Sul (+242,69 mil), São Paulo (+143,80 mil) e Goiás (+49,45 mil). Em contrapartida, ocorreu queda em: Mato Grosso (-34,84 mil).

Santa Catarina manteve a liderança no abate de suínos em 2021, com 28,4% do abate nacional, seguido por Paraná (20,3%) e Rio Grande do Sul (17,5%).

No 4º trimestre de 2021, foram abatidas 13,38 milhões de cabeças de suínos, aumento de 6,5% em relação ao mesmo período de 2020 e queda de 2,7% na comparação com o 3° trimestre de 2021. Em uma comparação mensal, foram registrados os melhores resultados do abate de suínos para os meses de outubro, novembro e dezembro, propiciando o melhor 4° trimestre da série histórica da pesquisa, iniciada em 1997.

Abate de frangos é o segundo maior para um 4º tri desde 1997 e recorde no ano

No acumulado de 2021, foram abatidas 6,18 bilhões de cabeças de frango, aumento de 2,8% (+169,87 milhões de cabeças) em relação ao ano de 2020, alcançando recorde da série histórica iniciada em 1997.

Na comparação mensal, janeiro, julho, outubro e dezembro registraram quedas do abate em relação ao ano anterior. Entre os demais meses do ano em que se registraram aumentos do abate, maio (+44,83 milhões de cabeças) e junho (+46,39 milhões) foram os destaques. Tanto o consumo interno como o mercado externo favoreceram o setor.

O abate de 169,87 milhões de cabeças de frangos a mais em 2021, em relação ao ano anterior, foi determinado por aumentos no abate em 19 das 25 UFs que participaram da pesquisa. Entre aquelas com participação acima de 1%, ocorreram aumentos em: Paraná (+67,89 milhões de cabeças), Goiás (+47,10 milhões), São Paulo (+12,60 milhões), Mato Grosso do Sul (+10,57 milhões), Rio Grande do Sul (+10,40 milhões), Santa Catarina (+8,59 milhões), Bahia (+7,87 milhões), Minas Gerais (+6,15 milhões) e Pernambuco (+4,84 milhões). Em contrapartida, ocorreu queda em Mato Grosso (-20,77 milhões).

Paraná continuou liderando amplamente o ranking das UFs no abate de frangos em 2021, com 33,6% de participação nacional, seguido por Santa Catarina (13,4%) e logo em seguida por Rio Grande do Sul (13,4%).

No 4º trimestre de 2021, foram abatidas 1,54 bilhão de cabeças de frangos, representando queda de 1% em relação ao mesmo período de 2020 e aumento de 0,5% na comparação com o 3° trimestre de 2021. Este resultado significou o segundo melhor 4° trimestre na série histórica, iniciada 1997.

Aquisição de leite cai pela primeira vez após quatro anos de aumento

Em 2021, os laticínios que atuaram sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária captaram 25,08 bilhões de litros, equivalente a uma queda de 2,2% sobre a quantidade registrada em 2020. O resultado representa a primeira diminuição após um período de quatro anos de aumentos consecutivos, entre 2017 e 2020.

Apesar da retração, o resultado foi o segundo melhor computado para um ano, levando em consideração a série histórica, iniciada em 1997.

Na comparação mensal, janeiro foi o mês de maior variação positiva (+75,64 milhões de litros), enquanto, dezembro apresentou a variação negativa mais relevante (-148,68 milhões). O ano de 2021 foi marcado pela ocorrência de geadas e por um período seco mais intenso, que contribuíram para prejudicar as pastagens em algumas das principais regiões produtoras. Além disso, a alta dos custos associada à demanda fragilizada, inibiu a realização de investimentos por parte da cadeia produtiva.

Houve decréscimo de 561,92 milhões de litros de leite, em nível nacional, no comparativo 2021/2020, relacionado à redução no volume captado em 18 das 26 UFs participantes da Pesquisa Trimestral do Leite. As variações negativas absolutas mais consideráveis ocorreram em Minas Gerais (-324,88 milhões de litros), São Paulo (-182,72 milhões), Goiás (-77,24 milhões), Rondônia (-49,23 milhões) e Mato Grosso (-39,42 milhões). Em contrapartida, ocorreram aumentos em oito estados, sendo as mais expressivas verificadas em Santa Catarina (+52,55 milhões), Sergipe (+41,78 milhões), Rio Grande do Sul (+35,78 milhões) e Bahia (+26,88 milhões).

Minas Gerais manteve a liderança no ranking das UFs, com 24,7% de participação nacional, seguida pelo Paraná (14%) e Rio Grande do Sul (13,4%).

No 4º trimestre de 2021, a aquisição de leite cru foi de 6,46 bilhões de litros, uma redução de 5% em relação ao 4° trimestre de 2020, e aumento de 4,1% em comparação com o trimestre imediatamente anterior. Ressalta-se o comportamento cíclico do setor, em que os 4º trimestres regularmente apresentam pico de produção em relação aos trimestres anteriores, impulsionado pela melhor condição das pastagens com o retorno da primavera e das chuvas em algumas das principais bacias leiteiras.

do IBGE