A investigação sobre o ataque fatal de uma onça-pintada a um caseiro em um pesqueiro no Pantanal sul-mato-grossense ganhou novos desdobramentos nesta semana. Fragmentos de ossos e fios de cabelo foram encontrados nas fezes do animal, capturado dias após o ocorrido. O material foi encaminhado para análise pericial, que irá determinar se os vestígios são de origem humana e se pertencem a Jorge Ávalo, de 60 anos, vítima do ataque registrado no início de maio.
O ataque aconteceu em uma propriedade rural próxima ao município de Miranda (MS), enquanto Jorge Ávalo coletava mel nas imediações da mata. Segundo relatos de testemunhas, a onça teria surpreendido o caseiro, que não conseguiu se defender. Equipes da Polícia Civil e do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) foram acionadas e iniciaram buscas na região.
No local do ataque, foram encontrados apenas restos mortais da vítima, além de sangue coagulado e sinais de luta. O caso gerou comoção entre moradores e trabalhadores rurais, que relataram nunca ter presenciado situação semelhante na região.
A onça-pintada foi capturada por equipes especializadas do Imasul e do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) após buscas intensivas. O felino apresentava sinais de desnutrição, ferimentos e problemas de saúde, fatores que, segundo especialistas, podem ter contribuído para o comportamento atípico e agressivo do animal.
Durante o monitoramento do animal em cativeiro, técnicos identificaram fragmentos de ossos e fios de cabelo nas fezes da onça. O material foi recolhido e enviado para o Instituto de Análises Laboratoriais Forenses, onde passará por exames de DNA. A expectativa é que os resultados ajudem a confirmar se os fragmentos pertencem a Jorge Ávalo, complementando a investigação e esclarecendo detalhes do ataque.
A onça permanece sob cuidados veterinários no CRAS, em Campo Grande, e não deverá ser devolvida à natureza devido ao risco potencial de novos ataques. O caso reacendeu o debate sobre a convivência entre humanos e grandes felinos no Pantanal, especialmente em áreas de expansão agrícola e turística.
Autoridades ambientais reforçam a importância de medidas preventivas e orientações à população local, como evitar áreas de mata fechada desacompanhado e comunicar imediatamente qualquer avistamento de animais silvestres de grande porte.
A Polícia Civil aguarda os laudos periciais para concluir o inquérito. Familiares e amigos de Jorge Ávalo cobram respostas e medidas para evitar novos incidentes. O caso também mobilizou organizações de proteção animal e ambientalistas, que destacam a necessidade de políticas públicas para preservar a fauna do Pantanal e garantir a segurança das comunidades locais.