há 2 horas
Giovanni Cardoso

O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que levou à Marquês de Sapucaí uma ala com referência a “neoconservadores em conserva”, gerou reações de lideranças religiosas e de políticos ligados ao campo conservador. A apresentação, realizada no domingo, incluiu fantasias que representavam famílias religiosas dentro de latas, em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na segunda-feira, durante culto na Assembleia de Deus de Perus, em São Paulo, o pastor Elias Cardoso criticou o desfile e afirmou: “Não vamos responder às provocações que fizeram nas escolas de samba. […] Tripudiaram em cima da nossa fé, não vamos responder. Vamos orar. A hora que esses homens estiverem com câncer na garganta, eles vão lembrar com quem mexeram”.
Após a repercussão, outros líderes religiosos e representantes políticos manifestaram descontentamento. Parte deles divulgou, conforme O Globo, imagens produzidas com uso de inteligência artificial, retratando suas famílias dentro de latas, em referência à ala apresentada pela escola. Também houve menções à possibilidade de medidas judiciais.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que o desfile expôs “a fé cristã ao escárnio” e declarou que a “laicidade não autoriza zombaria e humilhação”, além de cobrar posicionamento da Frente Parlamentar Evangélica. O presidente da bancada, deputado federal Gilberto Nascimento, classificou a fantasia como “inadmissível” e disse que o desfile tratou conservadores como inimigos.
O deputado Nikolas Ferreira mencionou o episódio ao comentar as próximas eleições, afirmando que os evangélicos devem se lembrar do desfile “na hora de votar”. O senador Flávio Bolsonaro e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, também criticaram a apresentação, que o senador chamou de “ataque à fé de milhões de brasileiros”. Zema afirmou que houve preconceito religioso. Já a senadora Damares Alves declarou que "usar verba pública para ridicularizar a igreja evangélica é inadmissível".