Direto de Brasília e com exclusividade para o programa Ponto de Vista, apresentado por João Barbiero, na Rede T de Rádios, para todo o Paraná, neste sábado (5), o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira Fernandes, frisou o papel da instituição, que completa 165 anos em janeiro de 2026, como distribuidor de políticas públicas.
“A Caixa tem um papel transformador da sociedade e os empregados da Caixa se empenham, se engajam, participam desse processo e, certamente, têm muito orgulho do trabalho que fazem e da contribuição social que praticam”, frisa Carlos Vieira.
Vieira está na Caixa desde 1982 e, em Brasília, desde 2001. “Parte significativa da minha vida na Caixa foi nesse prédio [em Brasília]. Convivo e convivi com muitos que são daquela época. O cargo de presidente é passageiro, essas coisas são circunstanciais. O que fica mesmo são as relações e temos que preservar isso: mostrar às pessoas que não é o cargo que diferencia sua existência. Você está aqui para servir ao Brasil, à sociedade, à Caixa. É isso o que temos procurado fazer”, comenta.
A simplicidade do presidente da Caixa, apontada pelos colegas, é percebida por ele mesmo como um reflexo da origem humilde que ele, como muitos outros servidores do banco, possui. Natural do interior da Paraíba e filho de agricultores, Vieira, hoje com 63 anos, entrou na Caixa aos 19 e, entre os 21 e 22 anos, assumiu a primeira gerência. Foi o mais jovem superintendente regional da Caixa de todo o Brasil, aos 32 anos. “Vem uma escaladas dessas coisas e começamos a lidar com essa convivência e entender que nós estamos aqui para servir”, ressalta.
A Caixa tem reforçado sua presença digital e aperfeiçoado cada vez mais os aplicativos para que o usuário tenha acesso ao menu de serviços do banco de onde estiver. “Os bancos, de uma maneira geral, têm que ter um nível de atualização muito grande nessa parte da tecnologia porque existem dois perfis de bancos no mercado brasileiro: os bancos incumbentes, os bancos tradicionais – e entre eles está a Caixa Econômica – e os novos bancos, que têm origem nas fintechs, que têm a ver com muita tecnologia, muita agregação. Se os bancos, como a Caixa, não fizerem um processo de transformação, para que se atualizem do ponto de vista das suas jornadas tecnológicas, eles ficam para trás. Estamos num momento muito propício de transformação, de modernização da Caixa e essa modernização passou por um processo de conscientização da necessidade da nossa área de tecnologia melhorar”, analisa Vieira.
Segundo o presidente da Caixa, essa transformação da área da tecnologia da Caixa é complementada com a chegada de 2 mil servidores contratados para atuarem nessa área, com a realização de um concurso público depois de 10 anos. “Esses são os empregados da Geração Z [nascidos de 1997 a 2012, que sucedem a Geração Y, ou millennials], que vêm com uma nova mentalidade e com um hábito de uso de tecnologia muito mais atualizado do que, propriamente, o presidente da Caixa [do final da chamada Geração boomer]. Essa junção está fazendo com que a Caixa, por um movimento que criamos de agregação de vários empregados no processo de transformação tecnológica, leva a Caixa a esse processo de mudança que estamos vivendo atualmente”, pontua.
Vieira destaca que a Caixa teve vital importância no suporte aos afligidos pelas enchentes no Rio Grande do Sul no ano passado, através de programas governamentais e de ações próprias do banco, em nome dos Ministérios e do Governo Federal e que a modernização do atendimento e a ampliação do digital reduziu a burocracia do presencial para o acesso a benefícios, por exemplo. “Ninguém falou das filas da Caixa, porque implantamos, naquele período, a biometria e o reconhecimento facial. Tínhamos a necessidade de fazer os pagamentos. Como é que se faz o pagamento a um cidadão que perdeu todos os seus documentos? Essa era a grande questão. A Caixa fez esse pagamento por reconhecimento facial, por confirmação de dados em outras bases cadastrais. Ninguém falou em filas, a Caixa fez o seu papel e todo mundo recebeu”, observa. Vieira estima que 85% da população que perdeu seus documentos nas enchentes conseguiu receber auxílio na Caixa sem precisar apresentá-los devido ao uso da tecnologia da reconhecimento facial, biometria e uso de dados de bases cadastrais.
Sobre o programa Pé-de-Meia, de promoção à permanência e à conclusão escolar para estudantes do ensino médio, através de incentivo financeiro-educacional do governo brasileiro por meio de uma poupança, Vieira destaca que a iniciativa nasce a partir de uma articulação do Ministério da Educação com a Caixa, que estruturou o programa da perspectiva da distribuição de renda. “O grande mérito está na percepção que o Governo Federal teve em manter esses alunos em sala de aula. Temos um problema do aluno do ensino médio no Brasil: perdemos, por ano, 480 mil brasileirinhos e brasileirinhas, de 14 a 19 anos, que abandonam o ensino, porque muitos deles precisam complementar a renda familiar. E outros aspectos ligados a essa questão. Com esse incentivo financeiro dado, todos os meses, um crédito de R$ 200, no final do ano, ao passar de ano, mais um crédito de R$ 1 mil e, no final desse ciclo todo, um valor total de R$ 9,8 mil, representa muito para essa população, que não tem acesso a esse tipo de crédito”, diz.
Outro aspecto que o presidente da Caixa afirma que já está ocorrendo é o de esses estudantes perceberem a importância da Educação em sua formação. Vieira relata que, no lançamento do programa, foi abordado por um estudante que disse a ele que passaria a ler mais, por ter notado que todos os testemunhos das autoridades nesse evento, que ele considerava pessoas bem-sucedidas, eram pessoas que tinham estudado. “Esse programa dá oportunidade e é um dos mais exitosos, dos últimos tempos, que vi acontecer. Muitos desses alunos usam o recurso para comprar livro; outros, até para comprar uma roupa ou tênis para ir [ao colégio] com mais dignidade; outros, para complementar a renda da família”, diz.
Dentro da diversidade de realidades existentes no Brasil, Vieira considera que o Paraná é “mais bem-resolvido” que outros estados brasileiros, em seus aspectos sociais. “A Caixa tem uma participação importante no Paraná, os programas de governo têm uma participação importante. O estado do Paraná é, reconhecidamente, um estado de empreendedores, de pessoas que têm capacidade de fazer um processo de transformação maior. Temos grandes empresas no Paraná, temos sede de grandes estatais no Paraná. Se num estado como esse o Pé-de-Meia faz diferença, imagina onde não tem uma condição dessas”, diz.
Vieira traça um paralelo comparativo com outro importante programa governamental com participação da Caixa: o Minha Casa, Minha Vida, que também é uma iniciativa que visa conferir dignidade às famílias. “Há uma estatística do Minha Casa, Minha Vida que a autoestima das pessoas ou das famílias aumenta e há um efeito renda, de melhoria da renda, por incrível que pareça, quando se tem uma casa digna para morar, com saneamento, com qualidade”, aponta. O presidente da Caixa salienta que as empresas de construção civil do Brasil e, no Paraná, especificamente, cresceram em tecnologia e inovação, o que gera um processo transformador.
Ao falar da importância da habitação na economia brasileira, Vieira indica que a Caixa aplicou R$ 180 milhões no setor em 2023. Em 2024, foram quase R$ 223,6 bilhões em crédito imobiliário – o Paraná responde por 15% desse valor. “É muito significativo para todo o Brasil e também para o estado do Paraná”, enfatiza.
No segmento do Agro, a Caixa ocupa uma posição de destaque. “Se não considerar o somatório das cooperativas, temos a terceira maior carteira de crédito do Agro no Brasil. A Caixa aumentou para R$ 60 bilhões de crédito. É uma carteira que se tornou importante para a Caixa, que vai continuar estimulando essa carteira”, diz.
Uma reestruturação na Caixa fechou a Superintendência Regional de Ponta Grossa em 2020. Em 2023, a Associação dos Municípios dos Campos Gerais (AMCG), junto de outras entidades – como Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa (ACIPG), Prefeitura de Ponta Grossa, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Subseção Ponta Grossa, União por Moradia Popular, Associação dos Vereadores dos Campos Gerais, Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Ponta Grossa, Câmara Municipal de Ponta Grossa, os deputados federais Aliel Machado e Sandro Alex e órgãos de imprensa – remeteram um documento em que solicitam a retomada da Superintendência em Ponta Grossa. Sem ela, os prefeitos de cerca de 70 municípios abrangidos por ela passaram a recorrer ao órgão na capital paranaense.
“Temos 14 novas Superintendências para serem abertas. Tivemos um processo anterior de fechamento de Superintendências e, agora, estamos nesse processo de abertura. Estudamos, no Paraná, algumas opções de Superintendência e temos um estudo em torno de Ponta Grossa. Tudo isso passa por uma característica revisional do nosso tamanho e onde estará a rede da Caixa. Mas, mais do que a Superintendência, temos as agências. A Caixa definiu, na nossa gestão, que onde tiver 100 mil habitantes brasileiros, tem que ter, no mínimo, uma agência da Caixa Econômica Federal. Partimos para a abertura de uma série de agências novas. Temos novos modelos de agências a serem abertos, tudo isso com esse escopo. A gente não fecha agência, não fecha Superintendência. A Caixa está abrindo Superintendência, a Caixa está abrindo novas agências”, enfatiza.
Nesse modelo de atendimento, Vieira cita que, muito próximo ao Paraná, estão os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, nos quais a Caixa estabeleceu um convênio com os Correios, para que suas agências também pudessem distribuir os produtos em sua rede, da mesma forma que a Caixa faz parceria com os produtos dos Correios. Vieira cita o exemplo do município de Sarandi (RS), com cerca de 23 mil habitantes, cuja agência recebe a demanda de moradores de Nonoai (RS), cidade da região com pouco mais de 11 mil habitantes. As pessoas se deslocam pelo menos 82km em busca de atendimento físico, presencial. “Esses municípios no limite não precisam mais se deslocar e estão recebendo atendimento diretamente na sua própria comunidade. Isso faz com que os recursos girem em torno da comunidade, a economia circular aconteça e isso tem sido muito bom”, cita.
“Se [os jovens] fizerem a opção de trabalhar na Caixa, será uma alegria recebê-los”, frisa o presidente da instituição. Como cliente, o jovem também é bem-vindo. “Temos uma série de eventos vinculados ao jovem. No Roblox [plataforma de criação de jogos baseado no mundo aberto], resgatamos a figura dos Poupançudos de forma digital. Estamos criando um relacionamento com o jovem brasileiro através de um jogo nessas redes, que é um jogo de educação financeira”, aponta.
Para quem não lembra, os Poupançudos foram personagens criados pela Caixa nos anos 2000 e que ficaram bastante populares entre as crianças, quando se tornaram cofrinhos colecionáveis. Lançados em 2006, os Poupançudos queriam estimular entre as crianças a criação de cadernetas de poupança. Eram nove personagens: Badu, Zóio, Balum, Ico, Babu, Barrico, Jijo e Izi. O apelo nostálgico é uma forma de buscar dialogar com o público jovem.
O presidente da Caixa aponta que o adolescente brasileiro, hoje em dia, tende a buscar independência na habitação a partir dos 17 anos – fase em que muitos entram para a faculdade ou entram no primeiro emprego. “Tem se tornado muito comum entre os jovens brasileiros querer morar só, sem perder o vínculo [com os pais]. A Caixa é o banco para eles começarem a poupar ou que o pai faça a poupança, para que, quando estiverem na idade de criar essa independência, possamos contribuir. Esse é um dado muito interessante: o jovem brasileiro tem hábitos e pensamentos, apesar de a forma ser a mesma, na essência, são diferentes. Se nossa geração queria uma casa grande, o jovem quer ter seu próprio espaço. Nós, como um banco que trabalha a habitação, olhamos para o jovem com esse olhar e queremos que esse jovem acesse a conta da Caixa. Estamos modernizando todos os nossos aplicativos, queremos que o jovem seja também usuário do banco Caixa Econômica Federal”, ressalta.
Entrou em tramitação na Câmara dos Deputados, em março, o Projeto de Lei 1312/2025, de autoria do Poder Executivo (Presidência da República), que autoriza a criação da Fundação CAIXA, pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial, com prazo de duração indeterminado e sede e foro no Distrito Federal.
Segundo o projeto, a Fundação CAIXA terá por objetivo fomentar a redução das desigualdades sociais, econômicas e regionais, o desenvolvimento sustentável e adaptável das cidades e biomas, por meio da implementação e do apoio a ações, projetos e políticas públicas que promovam o acesso equitativo e inclusivo às cidades, à educação, à assistência social, à cultura, ao esporte, à ciência, à tecnologia e à inovação. As receitas da Fundação deverão ser constituídas por recursos provenientes de contribuições realizadas pela Caixa Econômica Federal; pelos recursos provenientes de convênios, acordos e contratos celebrados com entidades, organismos e empresas; e pelas doações, legados, subvenções e os outros recursos que lhe forem destinados. Vieira tem conversado com os parlamentares para que haja celeridade na tramitação da matéria no Congresso. Por enquanto, o texto aguarda despacho do presidente da Câmara.
O presidente da Caixa pontua que a última Fundação a ser criada no Brasil data de 1988. “Ou seja, é a primeira Fundação criada no Brasil no século XXI é a Caixa que está fazendo. Essa Fundação tem um papel preponderante: é a questão relativa à inserção social. Essa Fundação vai trabalhar em vários eixos: de Educação, de Cidadania, em aspectos ligados à Educação Financeira, a Sustentabilidade. Vamos destinar, do resultado líquido da Caixa, 2% da nossa receita líquida para serem aplicados nessa Fundação. Entendemos que ela terá, realmente, um papel preponderante de reforço a essa imagem que a Caixa já tem consolidada, de ser um banco social. Essa Fundação vem suprir uma expectativa muito grande de nossos colegas. Ficamos muito felizes em poder ter entregue o primeiro passo”, enfatiza.
Servidor de carreira por mais de 30 anos, Vieira voltou à Caixa, depois da aposentadoria, quando foi nomeado presidente da instituição, em novembro de 2023. Exerceu cargos de gestão estratégica na área de negócios e de crédito imobiliário. Foi, ainda, consultor-chefe da Presidência Caixa.
Atuou como Ministro interino das Cidades e Integração em períodos alternados entre 2014 e 2015. Foi Secretário Executivo do Ministério das Cidades e Integração, com vasta experiência em cargos e funções executivas estratégicas, tais como: Diretor Presidente da Fundação dos Economiários Federais (FUNCEF), Diretor Presidente e Diretor Operacional da Financeira BRB, Presidente do Conselho de Administração da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF), Presidente do Conselho de Administração da Empresa Brasileira de Transportes Urbanos (CBTU), Presidente do Conselho de Administração da Transporte Urbano de Porto Alegre (TRENSURB) e membro do Conselho de Administração da LITEL e da VALE.
Natural de Lagoa de Dentro (PB), Carlos Antônio Vieira Fernandes é mestre em Finanças pela Université Paris 1 Panthéon – Sorbonne, pós-graduado em Estratégias Empresariais, Comércio Externo e Finanças, graduado em Economia e Estudos Sociais. Está em processo de doutoramento pela Management School (IAE) da University of Bordeaux.
Apresentado por João Barbiero, o programa Ponto de Vista vai ao ar semanalmente, aos sábados, das 7h às 8h, pela Rede T de Rádios do Paraná.
A Rádio T pode ser ouvida em todo o território nacional através do site ou nas regiões abaixo através das respectivas frequências FM: T Curitiba 104,9MHz; T Maringá 93,9MHz; T Ponta Grossa 99,9MHz; T Cascavel 93,1MHz; T Foz do Iguaçu 88,1MHz; T Guarapuava 100,9MHz; T Campo Mourão 98,5MHz; T Paranavaí 99,1MHz; T Telêmaco Borba 104,7MHz; T Irati 107,9MHz; T Jacarezinho 96,5MHz; T Imbituva 95,3MHz; T Ubiratã 88,9MHz; T Andirá 97,5MHz; T Santo Antônio do Sudoeste 91.5MHz; T Wenceslau Braz 95,7MHz; T Capanema 90,1MHz; T Faxinal 107,7MHz; T Cantagalo 88,9MHz; T Mamborê 107,5MHz; T Paranacity 88,3MHz; T Brasilândia do Sul 105,3MHz; T Ibaiti 91,1MHz; T Palotina 97,7MHz; T Dois Vizinhos 89,3MHz e também na T Londrina 97,7MHz.