Domingo, 06 de Abril de 2025

Ponto de Vista: Na soma das instituições financeiras, Crédito do Trabalhador ultrapassa R$ 3,3 bi em concessão de empréstimos em duas semanas, destaca presidente da Caixa

2025-04-05 às 16:09
Foto: D’Ponta News

Direto de Brasília e com exclusividade para o programa Ponto de Vista, apresentado por João Barbiero, na Rede T de Rádios, para todo o Paraná, neste sábado (5), o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira Fernandes, deu detalhes sobre o novo consignado privado: o Crédito do Trabalhador, que passou a operar em 21 de março. Nessa modalidade de empréstimo, uma alternativa de crédito, a contratação pode ser feita apenas pelo aplicativo da Carteira de Trabalho ou diretamente nos bancos parceiros. O trabalhador tem a oportunidade de escolher as condições que forem mais convenientes – desde taxa de juros a prazo de pagamento.

O pagamento ocorre a cada mês pelo eSocial, até o limite de 35% do salário, o que permite taxas de juro menores às praticadas pelos consignados por convênio. Até 10% do saldo do Fundo de Garantia (FGTS) pode ser usado como garantia. O trabalhador também pode usar 100% de sua multa rescisória para cobrir o empréstimo, em caso de demissão.

Vieira relembra que, em 2003, no primeiro Governo Lula, foi criado o Programa de Democratização do Acesso ao Crédito, pelo chamado empréstimo consignado (descontado em folha de pagamento). “Tivemos, na época, o consignado público, que é um sucesso, do ponto de vista das garantias que estão em torno do funcionário público, mas o chamado consignado do trabalhador não teve uma expansão de crédito da mesma forma que teve o do funcionalismo e do aposentado. O presidente Lula chama os bancos para construir um modelo, com a participação do Ministério do Trabalho, no qual o trabalhador baixa sua Carteira de Trabalho Digital e, pela Carteira Digital, começa a fazer as simulações de acesso a crédito”, detalha.

De acordo com o presidente da Caixa, o volume de crédito concedido, no balanço de todas as instituições financeiras, faz do programa um sucesso desde já. “Em menos de duas semanas, já ultrapassamos R$ 3,3 bilhões de concessão [incluindo a Caixa e os demais bancos]. Comparativamente ao outro programa, que deu R$ 40 bilhões até agora, durante 22 anos, imagina a escalabilidade, o tamanho crescimento que terá esse programa”, analisa.

Segundo Vieira, há que se tomar cuidado com dois aspectos: primeiro, procurar a menor taxa de juros e, segundo, que o programa tem uma série de fases que vão agregar a participação do trabalhador brasileiro. “Estamos na fase inicial do programa. A partir de uma medida, que vai ser editada, vai ser regulamentado o acesso dessas pessoas que têm dívida e que, talvez, nesse momento, não estariam conseguindo acessar o crédito”, informa, em primeira mão, o presidente da Caixa.

Vieira exemplificou com uma situação ocorrida na semana anterior, quando foi até outro estado para entregar uma obra financiada pela Caixa e, num restaurante, foi abordado por um pessoa endividada, que perguntou sobre o programa. “Diante da possibilidade de crédito que ela tinha, representava apenas 15% da dívida. O que precisa ser feito? Resolver essa dívida, para gerar um pouco mais de crédito. Essa é a grande solução para a maioria desses problemas. Como o programa tem uma escala de concessão, a fase em que estaremos mais dedicados a essa questão se dará entre maio e junho, porque os bancos tiveram que fazer uma série de adaptações nos seus modelos de negócio para poder atender. O grande fato é que os bancos públicos têm tido um destaque muito grande na concessão desse crédito: as taxas dos bancos públicos estão entre as mais competitivas”, salienta.

O presidente da Caixa afirma que o banco público, mesmo sem visar lucros, visa resultados:  “Se um banco não tem resultados, não tem como sobreviver”, diz. Porém, há uma série de aspectos ligados a esses resultados. “Primeiro, os grandes bancos entraram agora. Vamos esperar o apetite deles. O mais interessante é que não queremos criar essa dicotomia entre banco público e banco privado. O banco público tem um papel diferenciador, por ele ser, de certa forma, um indutor de taxa de crédito no Brasil. Isso é um lado bom”, afirma.

Vieira relembra a crise econômica de 2007, que teve início nos Estados Unidos e que, então, o presidente Lula disse que teria menor impacto sobre o Brasil – quando ele comparou o efeito a uma “marolinha”. “Os bancos tiveram papel importante, porque nós concedemos crédito numa época em que o mercado restringiu o crédito”, cita. Hoje, no entanto, a situação é diferente. “Esse é um programa que traz a oportunidade de brasileiros, que não tinham acesso a crédito, terem acesso a crédito. Os bancos públicos cumprem seu papel fundamental, mas vamos ter 120 bancos dando esse mesmo crédito. O diferencial é que o trabalhador tem que buscar onde está a taxa melhor para ele. Certamente, temos a obrigação de estar entre as menores taxas e esse é o papel de um banco público, que tem um aspecto social”, enfatiza.

O presidente da Caixa recupera o fato de que, em 2003, o governo Lula promoveu a chamada “bancarização”: quando 37 milhões de brasileiros, que não tinham acesso a conta bancária, passaram a ter. O movimento atual é para que o trabalhador que, em virtude de seu horário de expediente e distância de deslocamento até o trabalho, não consegue ir até uma agência bancária durante seu horário de funcionamento possa fazer o empréstimo a partir de seu próprio celular, ao baixar o aplicativo da Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) Digital, a partir do dia 25 de abril, podendo acessar, dentro da plataforma do banco onde tiver sua conta, fazer as simulações de empréstimo. “Vamos ter uma mudança nessa forma de atendimento, extremamente importante, com o uso de alta tecnologia”, adianta Vieira, que entrega que haverá uso de inteligência artificial nessa novidade.

 

Perfil

Servidor de carreira por mais de 30 anos, Vieira voltou à Caixa, depois da aposentadoria, quando foi nomeado presidente da instituição, em novembro de 2023. Exerceu cargos de gestão estratégica na área de negócios e de crédito imobiliário. Foi, ainda, consultor-chefe da Presidência Caixa.

Atuou como Ministro interino das Cidades e Integração em períodos alternados entre 2014 e 2015. Foi Secretário Executivo do Ministério das Cidades e Integração, com vasta experiência em cargos e funções executivas estratégicas, tais como: Diretor Presidente da Fundação dos Economiários Federais (FUNCEF), Diretor Presidente e Diretor Operacional da Financeira BRB, Presidente do Conselho de Administração da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF), Presidente do Conselho de Administração da Empresa Brasileira de Transportes Urbanos (CBTU), Presidente do Conselho de Administração da Transporte Urbano de Porto Alegre (TRENSURB) e membro do Conselho de Administração da LITEL e da VALE.

Natural de Lagoa de Dentro (PB), Carlos Antônio Vieira Fernandes é mestre em Finanças pela Université Paris 1 Panthéon – Sorbonne, pós-graduado em Estratégias Empresariais, Comércio Externo e Finanças, graduado em Economia e Estudos Sociais. Está em processo de doutoramento pela Management School (IAE) da University of Bordeaux.

Ponto de Vista

Apresentado por João Barbiero, o programa Ponto de Vista vai ao ar semanalmente, aos sábados, das 7h às 8h, pela Rede T de Rádios do Paraná.

A Rádio T pode ser ouvida em todo o território nacional através do site ou nas regiões abaixo através das respectivas frequências FM: T Curitiba 104,9MHz;  T Maringá 93,9MHz; T Ponta Grossa  99,9MHz; T Cascavel 93,1MHz; T Foz do Iguaçu 88,1MHz; T Guarapuava 100,9MHz; T Campo Mourão 98,5MHz; T Paranavaí 99,1MHz; T Telêmaco Borba 104,7MHz; T Irati 107,9MHz; T Jacarezinho 96,5MHz; T Imbituva 95,3MHz; T Ubiratã 88,9MHz; T Andirá 97,5MHz; T Santo Antônio do Sudoeste 91.5MHz; T Wenceslau Braz 95,7MHz; T Capanema 90,1MHz; T Faxinal 107,7MHz; T Cantagalo 88,9MHz; T Mamborê 107,5MHz; T Paranacity 88,3MHz; T Brasilândia do Sul 105,3MHz; T Ibaiti 91,1MHz; T Palotina 97,7MHz; T Dois Vizinhos 89,3MHz e também na T Londrina 97,7MHz.