há 3 horas
Heryvelton Martins

A Belagrícola protocolou em dezembro de 2025 um plano de recuperação extrajudicial na 11ª Vara Cível e Empresarial de Londrina para reestruturar R$ 2,2 bilhões em dívidas quirografárias, após tutela cautelar que suspendeu pagamentos. O plano já conta com adesão de credores representando 35,84% do total, incluindo bancos como Santander e Citibank, além de fornecedores como Basf e Syngenta, mas enfrenta resistência de produtores rurais da região dos Campos Gerais.

Esses agricultores, representados pela advogada Naigler, relatam insegurança econômica devido a descontos elevados, alongamento de prazos e exigências de compras futuras de insumos em volume 2,5 vezes superior ao crédito devido, o que configuraria venda casada.
Produtores dependem dos valores retidos para financiar a próxima safra, mas o plano da Belagrícola condiciona o recebimento a aquisições compulsórias de produtos, transferindo o ônus da crise da empresa para o elo mais vulnerável da cadeia. Mensagens com advertências veladas sugerem que recusar o acordo pode atrasar pagamentos, tornando a adesão uma escolha forçada pela necessidade de fluxo de caixa para compromissos bancários.

A companhia, controlada pelo grupo chinês Pengdu e com 52 filiais de insumos no Paraná, São Paulo e Santa Catarina, atribui as dificuldades à inadimplência de clientes que chegou a R$ 1 bilhão nos últimos dois anos, mas os credores rurais cobram equilíbrio contratual.
A falta de liquidez leva produtores a recorrerem a mercados informais de sementes e defensivos, sem rastreabilidade adequada, o que compromete armazenamento, aplicação e descarte de embalagens, gerando potencial contaminação de solos e águas. Pela Lei nº 6.938/81, a responsabilidade objetiva ambiental recai sobre o produtor, agravando sua vulnerabilidade em meio à pressão financeira.
A Belagrícola registrou receita de R$ 4,7 bilhões em 2024, com prejuízo de R$ 400 milhões, e busca homologação com apoio superior a 50% dos credores, incluindo mais produtores.
A instabilidade afeta cooperativas, fornecedores e transportadoras nos Campos Gerais, com lideranças políticas discutindo mediação institucional para equilibrar os sacrifícios na crise. Recentemente, em fevereiro de 2026, a empresa nomeou Eron Martins, ex-AgroGalaxy, como novo CEO e pode antecipar adesões ao plano.
Produtores não se opõem à preservação da Belagrícola, mas demandam previsibilidade e fim de mecanismos compulsórios, harmonizando a recuperação empresarial à função social da agricultura familiar.
A equipe do D'Ponta News entrou em contato com a empresa, mas não recebeu retorno até o fechamento da matéria.