Terça-feira, 21 de Maio de 2024

Armamentista, candidato a deputado estadual Ogier Buchi propõe privatizar presídios

2022-08-30 às 14:29

O programa Manhã Total, apresentado por João Barbiero, na Rádio Lagoa Dourada FM (105,9 para Ponta Grossa e região e 90,9 para Telêmaco Borba), recebeu nesta terça (30) o candidato a deputado estadual Ogier Buchi (PL), que falou sobre suas propostas para legislar na Assembleia, que perpassam a questão das armas e do estímulo ao desenvolvimento do turismo. O postulante, que já se candidatou ao governo do Estado em duas oportunidades – em 2014 e em 2018, também relembrou sua relação com o município de Ponta Grossa, onde morou durante a juventude.

Com candidatura alinhada ao bolsonarismo, ele também afirma apoiar Ratinho Júnior à reeleição, Paulo Martins ao Senado e Felipe Barros à Câmara Federal. “Sou a favor das armas, sou conservador, tenho um perfil histórico e perfil histórico não se muda”, afirma.

Ainda que se afirma pró-armas, Buchi salienta que ele mesmo não usa arma. “Nunca desenvolvi a habilidade de atirar e porque não sou o cara mais tranquilo do mundo. O sujeito, para portar uma arma, tem que ser calmo e equilibrado e não é meu perfil”, justifica.

O candidato opina que as armas estão à disposição de quem se qualifica perante a legislação e que se a pessoa é contra a posse, basta não comprar. “É necessário dar ao cidadão o alvedrio, a opção”, argumenta.

Buchi defende, ainda, que, depois que foram reduzidas as restrições para acesso à posse de arma houve redução nos homicídios, porque “isso coibiu o exercício do uso da arma só pelo criminoso”.

“O criminoso invade sua casa e o senhor não tem arma, não tem como se defender. Não temos um policiamento adequado. O contingente da Polícia Militar do Paraná é o mesmo contingente de quando o governador do nosso estado era José Richa [1983-1986]. Eram seis milhões de paranaenses, hoje são 12 milhões. E temos o mesmo contingente de polícia ostensiva”, afirma.

Buchi assegura, também, que seu mandato será de trabalhar para melhorar o aparato das Polícias Civil e Militar do Estado do Paraná.

Privatização de presídios

“Meu projeto principal, o carro-chefe da minha candidatura é a privatização de presídios”, propõe. O candidato sustenta que o sistema prisional brasileiro tem baixíssimo índice de recuperação e que a manutenção do preso tem um custo muito alto. “Um preso custa R$ 15 mil por mês, porque é uma estrutura velha, arcaica, comprometida, corrupta e inadequada. Na Itália, o preso fica num raio de 100km de sua família, porque sua alimentação é de responsabilidade da família. O cidadão que trabalha não paga para o preso comer”, compara.

Nesse sentido, ele sugere ainda que o detento seja obrigado a trabalhar diariamente para custear sua alimentação e estadia. “Esse menino que sai da periferia de Ponta Grossa, de Telêmaco, de Curitiba, de Maringá, e só participou da escola do crime, ele é condenado, se pós-gradua na escola do crime e, quando acaba a pena, ele é colocado na rua”, argumenta.

Relação com Ponta Grossa

Na juventude, Buchi foi atleta de voleibol e, em função disso, morou em Ponta Grossa. “Usei a camisa azul e branca, branca e azul. Sei o que significa o 15 de setembro. Estive na Vicente Machado, nos desfiles. Vivenciei os Jogos da Primavera. Usei a camisa de Ponta Grossa e, com ela, sangrei no Borell du Vernay. Morei lá e lá joguei com o dedo quebrado”, conta.

Segundo o candidato a deputado estadual, estar em Ponta Grossa é vivenciar uma parte de sua juventude e lembrar o quanto a cidade é fundamental para o desenvolvimento do Paraná. “Estar em Ponta Grossa é lembrar que aqui, o Caminho dos Tropeiros, fez com que a cultura paranaense estivesse presente no interior. Quem não sabe, já pode saber: Ponta Grossa tinha um teatro já em 1873não tinha teatro em Curitiba, mas já tinha em Ponta Grossa”, enaltece.

História nos meios de comunicação  

O advogado curitibano, de 70 anos, tem uma trajetória pessoal ligada à comunicação, como apresentador de TV na capital, com passagem em várias emissoras.

“Sempre vou bem, porque, felizmente, quando estou num veículo de comunicação, o Ibope aumenta, como aconteceu agora comigo na Jovem Pan News. Recebi os números, participava lá do programa e aumentou o Ibope”, gaba-se.

Buchi afirma que suas brigas com donos de veículos de comunicação sempre ocorreram por ele crer que “pau que dá em Chico tem que dar em Francisco. Senão, você deixou de ser um comunicador, você virou um ideólogo empregado de alguma ideia”, sustenta.

Pedágio

Ele justifica que decidiu se candidatar para participar de uma construção legislativa de modo a garantir “que o cidadão não seja mais enganado em relação ao pedágio, por exemplo, com o ‘ou baixa ou acaba’. Temos que construir um modelo que seja justo e adequado”, diz.

“Gabinete da política inteligente”

“Eu vou ter o gabinete da política inteligente, porque instalar uma plataforma no gabinete custa muito pouco”, promete. Nessa plataforma, ele pretende publicar a ordem do dia – o que já é feito no site da Assembleia Legislativa. Buchi analisa que eleitor deposita sua confiança no candidato, como se o voto fosse uma procuração para representá-lo no Legislativo e, assim, tem o direito de cobrá-lo posteriormente.

O candidato argumenta, ainda, que gabinete não tem dono, tem ocupante. “Sempre bom lembrar, por exemplo, o pessoal do PSL, do time do Fernando Francischini, eles estão ocupando, por liminar, os gabinetes. Mas eles já foram defenestrados, porque o mandato deles foi cassado”, diz.

Buchi ressalta que o deputado tem obrigação de atender e defender os interesses do cidadão, porque é bem pago para tal, e que não existe deputado desta ou daquela cidade, mas deputado estadual do Paraná.

Desenvolvimento do Turismo

“Ponta Grossa não pode ficar de fora de um projeto turístico paranaense”, frisa. Ele menciona que o Paraná possui dos grandes destinos turísticos: as Cataratas do Iguaçu e o Parque Estadual de Vila Velha. Ele inclui outros pontos de interesse turístico próximos, como o Buraco do Padre e o Canyon Guartelá. “Se você vai para um país que explora turismo, você tem projetos específicos para lugares até 100km uns dos outros. Porque [o turismo] é a grande indústria sem chaminé”, compara.

Confira a íntegra da entrevista com o candidato Ogier Buchi: