Domingo, 14 de Agosto de 2022

Especial D’P – Elisangela Pedroso: ‘Legado na Saúde’ e incentivo à industrialização em Carambeí

Chefe do Executivo de Carambeí tem como maior desafio estruturar ainda mais a área da Saúde no município
17/12/2021 às 09:48
Conteúdo exclusivo publicado na Revista D’Ponta #288 Nov/Dez/2021


‘Legado na Saúde’ e incentivo à industrialização
– por Ceres Vieira

Ela estava sem mandato e não tinha a estrutura da máquina de governo nas mãos, mas venceu a eleição para o Executivo de Carambeí em 2020, com garra, coragem e muito preparo. Pedagoga com três pós-graduações, a prefeita Elisangela Pedroso está prestes a concluir seu curso de Direito. Ainda em sua vida pública, ela foi vereadora na legislatura de 2013 a 2016, assessorando em seguida o deputado Luiz Claudio Romanelli, que lhe rendeu bagagem sobre o funcionamento do Estado.

A veia política vem desde a infância, quando já acompanhava o pai, Alci Pedroso, enquanto vereador de Castro em seu trabalho na Câmara Municipal. Depois participou ativamente da emancipação do município de Carambeí, acompanhando de perto o mandato do pai, primeiro prefeito do novo município. Então, ela tomou gosto pela política desde muito cedo, alimentando a ideia de que um dia seria prefeita de sua cidade.

Elisangela tem ainda muito presente na memória o trabalho do pai e da ajuda que prestava a ele junto com a sua mãe. “Quando meu pai era vereador, ele atendia pessoas de madrugada em nossa casa, para levar mulheres fazerem parto no hospital de Castro. Vi muita criança nascer dentro do carro do meu pai. Também ia buscar caixão para as famílias que tinham perdido seus entes queridos. Eu e minha mãe lavamos muitos defuntos. Simples assim: era no vereador que as pessoas se socorriam”, conta.

Como chefe do Executivo da cidade que detém a segunda maior bacia leiteira do país, ficando atrás apenas da vizinha Castro, ela não fica só no gabinete, ao contrário, vai para as ruas, para o interior, aonde for preciso, para ver como as coisas acontecem. Subir nas máquinas, nos caminhões, chegar à meia noite no Centro Municipal de Saúde, visitar suas equipes no trabalho, tudo isso, enfim, já se tornou habitual no seu dia a dia por gostar de estar presente onde quer que seja, e perto do povo.
Rigorosa nos gastos, recebeu o índice de pessoal acima do limite permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal e, em um ano, reduziu de 54% para 46%. Mas o aperto no cinto não deixou nenhuma área descoberta.

Em seu primeiro ano de mandato, o trabalho de Elisangela Pedroso já ganhou reconhecimento. Ainda recentemente, ela conquistou o Prêmio Gestor Público pelo projeto ‘Gestão Transparente’, que apresenta dados atualizados das áreas mais críticas da administração. Essa  premiação vem sendo concedida pelo Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita do Estado do Paraná (SINDAFEP).

PÚBLICO PRIVADA

Como gestora municipal, Elisangela enfrentou logo de cara em seu início de governo a pandemia do Coronavírus, o que aumentou consideravelmente os desafios na saúde para todos os prefeitos. Mas mudanças na área da Saúde era o que a população mais ansiava, visto que foi uma de suas bandeiras enquanto atuava como vereadora. A principal unidade de saúde, a Otávio Pedroso de Oliveira, não tinha sequer um respirador, entre outros equipamentos que se apresentavam precários.

Em busca de melhorias à Saúde do município, ela fez parceria público privada com a empresa Frísia, recontratou médicos, enfermeiros, assistentes sociais, farmacêuticos, técnicos, comprou carros, ambulâncias, vans e abriu a unidade de Catanduvas, na área rural, que hoje conta com uma equipe completa como qualquer outra unidade da cidade. O Centro Municipal de Saúde (CMS) foi reformado, ganhou novos equipamentos, recebeu doações, tem cinco respiradores e os servidores receberam capacitação.

De mangas arregaçadas, a prefeita Elisangela, juntamente com seu esposo, chegou a ficar um final de semana inteiro no CMS, reestruturando a ala reservada à Covid-19, carregando cilindros de oxigênio, arrastando camas, reformando e pintando o local para atender à população. Carambeí foi uma das cidades com até 100 mil habitantes que teve mais pessoas positivadas pela Covid por semanas consecutivas, segundo dados da Terceira Regional de Saúde, assim como uma das primeiras cidades da região a alcançar os maiores índices de imunização.

Como todos têm conhecimento, a pandemia trouxe restrições para diversos segmentos da sociedade. Para tanto, era preciso pensar nos comerciantes, prestadores de serviços e indústrias, trazendo a comunidade para o debate. “Vencemos a fase mais difícil da Covid-19, com a ajuda de todos e equilíbrio legal, moral e emocional.  Quem foi para o embate cresceu muito. Foi uma escola”, compara Elisangela.

Legado

Sem deixar de investir nas demais áreas, a prefeita de Carambeí quer deixar seu legado na saúde. Para o ano que vem, Elisangela Pedroso projeta mais investimentos no setor, com a construção do novo Centro Municipal de Saúde, um prédio de quatro mil metros quadrados, onde atualmente se localiza o parque de máquinas, para ampliar e melhorar o atendimento à população. O atual CMS foi construído por seu pai Alci, quando o município tinha ainda seis mil habitantes contra os atuais 25 mil.

“Estamos em fase de preparativos para melhorar a saúde ainda mais no ano que vem. Apesar das dificuldades deste ano em que trabalhamos com um orçamento que não foi estudado e previsto por nós, organizamos a casa da melhor maneira possível. O saldo de tudo isso, posso garantir, está sendo muito bom, e acredito que seja fruto do nosso trabalho, de toda nossa equipe sempre estar presente, porque gosto de pessoas e de estar com pessoas para ouvir, conversar e  abraçar”, revela.

INDUSTRIALIZAÇÃO E EMPREGO

A prefeita Elisangela Pedroso avalia que uma administração pública precisa ser planejada para entender e atender aos anseios da população. Ela conta que não falta emprego em Carambeí, destacando que a população foi atrás de estudo e qualificação. “Nossa população buscou conhecimento, não se acomodou, e hoje não aceita certo tipo de trabalho com baixa remuneração. Por isso, buscamos trazer novas oportunidades de emprego para nossos jovens, porque queremos que fiquem aqui. Mas para isso temos que oferecer algo a mais do que tem  por aí”, explica.

Uma das estratégias, segundo ela, foi trabalhar na elaboração de uma lei de incentivo de retomada da industrialização em parceria com a Câmara Municipal, oferecendo incentivos fiscais para atrair indústrias. O resultado já está aparecendo com investimento da Frísia, a partir do próximo ano, na ampliação da Unidade de Produção de Leitões (UPL), com aporte na ordem de R$ 210 milhões em quatro anos. Além disso, também está sendo feito levantamento de áreas para serem cadastradas em plataforma do programa do governo estadual, Invest Cidades. A partir daí, o município será apresentado para o mundo com o objetivo de atrair investimentos industriais.

“Vamos apresentar essas áreas e mostrar ao mundo quem somos, o que temos e apresentamos em infraestrutura. Queremos crescer com as cidades vizinhas na industrialização, temos ciência de que essas indústrias são de tamanha tecnologia que podem até não oferecer muitas vagas de emprego, mas que trazem benefícios pelo aumento de receita, enfim, para que a prefeitura tenha condições de trabalhar políticas públicas que voltam para a população”, argumenta. Outra veia para geração de emprego e renda se concentra no turismo. A prefeita ressalta parcerias com o Parque Histórico de Carambeí, comércio e o projeto de cicloturismo com outras cidades da região, visando o desenvolvimento do setor. “Carambeí é uma cidade linda com muito a explorar no turismo ecológico e ambientalmente corretos”, aposta.

 

MULHER NA POLÍTICA

Integrando um time de prefeitas na região, Elisangela Pedroso avalia que ainda há preconceito contra a mulher na política, e que ouve muito “ah, Elisangela, isso não pode’. Pode sim. Mulher pode fazer o que quiser, pois temos que mostrar a que viemos. Estamos tomando nosso lugar e vejo que a pandemia trouxe esse olhar feminino, de cuidado, carinho, acolhimento. Administração não é só fazer asfalto”, declara. Nos quatro anos sem mandato, ela não perdeu as bases, esteve presente junto à população, iniciou campanha para envolver a mulher na política e deu muito certo. “Luto muito pela mulher na política. Nossas principais secretarias são comandadas por mulheres”, finaliza.

 

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