Domingo, 22 de Maio de 2022

Coluna Confidências Econômicas: “Qual será o futuro da economia brasileira?”, por Celso Costa

21/12/2021 às 13:58

O ano de 2021 termina com a inflação em dois dígitos, algo que deixou de ser normal para todo brasileiro. Mas a preocupação é que, apesar do forte aperto monetário do Banco Central, a convergência para a meta não ocorrerá em 2022, ou seja, o próximo ano será outro ano de pressão inflacionária. O problema é que a relação do Brasil com o processo inflacionário é semelhante ao de um alcoólatra com a bebida. Pode passar muito tempo sem beber, mas basta o primeiro gole para tudo voltar. Assim, também é o Brasil com a taxa de inflação, basta a taxa de inflação ficar em pouco acima de 10% para os agentes começarem a pensar em ferramentas de indexação para amenizar os custos inflacionários, e isso é uma nova fonte de inflação, tornando choques inflacionários (de custo ou de demanda) temporários em permanentes, e sabemos onde isso leva.

Em relação ao PIB, as notícias também não são muito animadoras. Dado que, em 2020, o PIB cresceu -4,1%, o crescimento de 2021 (aproximadamente 4,7%) apenas será suficiente para repor o que foi perdido no início da pandemia. Mas a preocupação é que, 2022, apesar de ser ano eleitoral, a economia brasileira deve ter crescimento próximo de zero, indicando uma economia anêmica. Dessa forma, qual será o futuro da economia brasileira? Para tentar responder isso, vamos olhar para as equipes econômicas dos possíveis candidatos a presidente.

Semana passada, João Dória anunciou os nomes da sua equipe econômica. Além de Henrique Meirelles, o tucano terá três mulheres: Zeina Latif, Ana Carla Abrão e Vanessa Rahal Canado. Henrique Meirelles foi presidente internacional do Bank Boston; presidente do Banco Central, de 2003 a 2011; e Ministro da Fazenda, entre 2016 e 2018. Ana Carla Abrão fez doutorado em economia na USP e trabalhou em instituições como Banco Itaú, Banco Central e Tendências Consultoria Integrada, mas seu maior destaque foi como secretária da Fazenda do Estado de Goiás cujo grande feito foi transformar um déficit primário de R$ 650 milhões, em 2014, em um superávit de R$ 1 bilhão, em 2016.

Vanessa Canado possui doutorado em direito pela PUC/SP, também foi diretora do Centro de Cidadania Fiscal (CCiF). No governo federal, foi assessora especial do Ministro da Economia, em que era responsável pela discussão da reforma tributária. Assim, apesar de não ser economista, conhece muito sobre tributação. Durante minha passagem pelo governo federal, pude participar de algumas reuniões com a Vanessa, e sou testemunha do seu profundo domínio neste assunto. Zeina Latif fez doutorado em economia na USP. No mercado financeiro, começou na Tendências Consultoria Integrada, além disso, foi economista-chefe do banco espanhol Bilbao Vizcaya (BBVA), do HSBC Asset Management, do ABN-Amro Real, do IGN Bank, do Royal Bank of Scotland e da XP investimentos.

Já o candidato Sérgio Moro não anunciou um nome para ser o ministro da economia, muito menos uma equipe econômica, mas divulgou que estava sendo auxiliado pelo professor de economia Afonso Celso Pastore. O professor Pastore fez doutorado em economia na USP, além lecionar nesta instituição, também lecionou no INSPER e na FGV do Rio de Janeiro. Também, foi Secretário da Fazenda do Estado de São Paulo de 1979 a 1983, e presidente do Banco Central, de 1983 a 1985.

O ex-presidente Lula não divulgou nomes para assumir o Ministério da Economia, contudo, é possível especular sobre dois caminhos possíveis que o seu governo seguiria. O primeiro seria parecido com o seu primeiro governo, cujo ministro da fazenda era o Antônio Palocci, mas contava com nomes de peso como o do atual presidente do INSPER, Marcos Lisboa. Mas um caminho alternativo seria o tomado no seu segundo governo, com um viés mais desenvolvimentista, liderado por Guido Mantega.

Por fim, podemos falar de como seria o ministério da economia de um segundo governo Bolsonaro. O mais provável é que o ministro Paulo Guedes continue no cargo, mas com debandada de nomes importantes como: Bruno Funchal, Jeferson Bittencourt, Rafael Araújo, Vanessa Canado, Waldery Rodrigues, Suzana Guerra, Roberto Castello Branco, Paulo Uebel, Salim Mattar, Rubens Novaes, Mansueto Almeida, Marcos Troyjo, Marcos Cintra, Joaquim Levy, entre outros, é difícil imaginar que alguém, preocupado com a sua reputação, aceite participar de um governo cada vez mais populista.

Resumindo, o Dória foi muito feliz ao escolher sua equipe econômica, pois conta com experiência, juventude e acima de tudo, com pessoas capacitadas. Podemos falar em um bom senso sobre a escolha do Moro. É difícil imaginar que o professor Pastore aceite um cargo de Ministro da Economia, mas muitos dos principais nomes da economia brasileira foram seus alunos, e conservam um grande respeito por ele. Logo, escolher um nome de prestígio não seria difícil. Já a escolha do ex-presidente Lula é a que tem a maior incerteza, pois pode ter um viés pró-mercado, realizando as reformas necessárias para colocar o país de volta ao eixo, ou ter um viés populista-desenvolvimentista, com problemas inflacionários recorrentes. Por fim, a economia de um segundo governo Bolsonaro não tem nada de incerteza, pois pode contar com a presença do Paulo Guedes, mas será difícil convencer nomes importantes para dar credibilidade ao governo.

as opiniões expressadas por nossos colunistas não refletem, necessariamente,
o posicionamento do portal D’Ponta News.

Coluna Confidências Econômicas

por Celso Costa

Celso Costa possui pós-doutorado em economia pela FGV/EESP, é professor adjunto do departamento de economia da UEPG, trabalhou como coordenador geral de modelagem econômica no Ministério da Economia, lecionou no mestrado em economia da FGV/EPPG, também atuou como consultor para o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e para a Tendências - Consultoria Integrada e é autor do livro "Understanding DSGE models”.