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Sábado, 24 de Fevereiro de 2024

Coluna Draft: ‘“Educação à distância ou a distância?” Existe crase?’, por Edgar Talevi

2023-10-03 às 10:00
Foto: Divulgação

“Educação à distância ou a distância?” Existe crase?

Cada vez mais importante e presente em nossa sociedade, a educação virtual encontra espaço na mobilização de escolas públicas e privadas em todas as modalidades. Mas, afinal, como se grafa corretamente o sintagma? Educação à distância ou a distância? Com ou sem acento indicativo de crase?

A dúvida não poderá ser abolida facilmente, até porque os gramáticos não são unânimes em suas explicações. Os especialistas menos tradicionais defendem o uso do acento indicativo de crase todas as vezes em que a expressão aparece, justamente para que se evite ambiguidade.

Por outro lado, os “puristas”, gramáticos tradicionais, preferem a explicação de que a palavra “distância” vem acompanhada do artigo “a”, sem que haja preposição. Deste modo, não ocorre crase. Para eles, a regra é lançar mão do uso do acento indicativo de crase na expressão apenas quando o termo “distância” for evidenciada, como nos exemplos a seguir:

– A loja ficava à distância de 100 metros da farmácia;
– Este apartamento é de maior valor por estar à distância de 200 metros do lago.

Como vimos, não há unanimidade quando o assunto é linguagem, mas ainda assim devemos considerar algumas gafes a serem evitadas, tais como o mau uso dos termos “paralisação” e “paralização”.
Aqui, não há segredo. O correto a ser usado é “paralisação”, com “s”, pois “paralização”, com “z”, em Língua Portuguesa, não existe.

Cuidado! Sem que prestemos atenção às inúmeras contingências de nosso idioma, poderemos correr o risco de “cerrar” a discussão por motivo torpe. Opa! “Cerrar”?! Isso existe? A resposta é sim: o sentido para ela é de encerrar ou terminar algo, vindo do latim “serare”: “Ela cerrou os olhos quando a luz entrou pelo quarto”.

E, quanto ao verbo “Serrar”? Existe? Sim! Mas com outro significado, a saber, cortar algo com uma serra ou serrote. O vocábulo deriva de “serrare”: “A população serrou todas as árvores que atrapalhavam o desenvolvimento da construção de casas à beira do lago”.

Ao observarmos quantas dúvidas surgem pela simples presença de letrinhas nas palavras, podemos pensar o como é difícil nossa língua pátria. Mas, discordo! Isso é que a valoriza! E, para tanto, acrescento outra “pulga” atrás da orelha dos curiosos: Vultoso e vultuoso. Qual o sentido e uso de cada um dos termos?

Se a intenção é dizer que algo é muito valoroso, o correto a ser usado é “vultoso”: “Fechamos um vultoso acordo com uma empresa multinacional”.

No entanto, se o intuito for o de se referir a algo que está inchado, volumoso, o uso será do termo vultuoso: “Ela não sabia que o prato principal estava vultuoso de tão cheio”.

Nada escapa à nossa gramática normativa, nem descritiva, haja vista serem construções de nossa doce fala do dia a dia. Sendo assim, poderíamos dizer que nosso idioma tem uma lista comprida ou cumprida de palavras?

Vamos à resposta: Comprido ou comprida significa algo extenso: “Essa reunião foi comprida”. Já o termo cumprida diz respeito a algum ato realizado: “Ao final do dia, todas as tarefas foram cumpridas”.

Neste momento derradeiro da crônica nossa de terça-feira, sejamos cavalheiros em nos despedirmos com sinceras felicitações a todos os artistas que festejaram a Arte, as Letras, a Musicalidade e a robustez da magia e do encanto do (Festival Literário dos Campos Gerais) – Flicampos, em especial, à Academia Ponta-grossense de Letras e Artes, pela celebração da certeza de que um livro tem o poder de transformar uma simples leitura em uma vida de mais alegria e mundos novos!

O epílogo desta crônica cede espaço aos versos proeminentes da obra “Causos e Causinhos”, de Dione Navarro, em sua segunda edição, que, com destreza, persegue a longeva estrada da busca pela felicidade pelos castelos da vida.
“ – Vovó, você ainda não entendeu que você é só a guardiã do castelo?”

Coluna Draft

por Edgar Talevi

Edgar Talevi de Oliveira é licenciado em Letras pela UEPG. Pós-graduado em Linguística, Neuropedagogia e Educação Especial. Bacharel e Mestre em Teologia. Atualmente Professor do Quadro Próprio do Magistério da Rede Pública do Paraná, na disciplina de Língua Portuguesa. Começou carreira como docente em Produção de texto e Gramática, em 2005, em diversos cursos pré-vestibulares da região, bem como possui experiência em docência no Ensino Superior em instituições privadas de Ensino de Ponta Grossa. É revisor de textos e autor do livro “Domine a Língua – o novo acordo ortográfico de um jeito simples”, em parceria com o professor Pablo Alex Laroca Gomes. Também autor do livro "Sintaxe à Vontade: crônicas sobre a Língua Portuguesa". Membro da Academia Ponta-grossense de Letras e Artes. Ao longo de sua carreira no magistério, coordenou inúmeros projetos pedagógicos, tais como Júri Simulado, Semana Literária dentre outros. Como articulista, teve seus textos publicados em jornais impressos e eletrônicos, sempre com posicionamentos relevantes e de caráter democrático, prezando pela ética, pluralidade de ideias e valores republicanos.