Quarta-feira, 22 de Maio de 2024

Coluna Draft: ‘Jesus Cristo não teria o voto da igreja em 2022!’ , por Edgar Talevi

2022-09-14 às 11:00

Avesso à cultura das massas de sua época, contra o armamento, opositor dos falsos religiosos de seu tempo, Jesus Cristo reúne todos os adereços que o fazem ser ignorado por sua própria igreja caso fosse candidato à Presidência nas eleições de outubro.

Em seus 3 anos de ministério, Jesus carregou 12 discípulos com ele, ensinando e admoestando. Um deles era Simão, o zelote. Os zelotes eram um grupo que defendiam o uso de armas e violência para lutar contra Roma e seu império. Simão era desse grupo, mas foi recrutado por Cristo e instado a mudar de posição em relação ao que pensava e defendia. Simão, por fim, converteu-se ao verdadeiro Cristo ao abandonar os ideais armamentistas e belicosos a que outrora aspirava.

Destarte, Cristo provocou verdadeira celeuma nos falsos moralistas e religiosos de plantão à sua época, quando se insurgiu contra os Fariseus – religião predominante e popular, mística do tempo de Jesus -, tidos como dissimulados e hipócritas, assim chamados pelo próprio Cristo.

Os Saduceus, que controlavam o Sinédrio – a mais alta corte judaica -, foram combatidos por Cristo, pois eram detentores de admiração pública, mas vazios de espiritualidade. Não passavam de um grupo de religiosos falsários e arrogantes em sua própria sabedoria.

Ademais, no sermão da montanha, Cristo ensinou ao mundo as seguintes palavras: “Bem aventurados os mansos, porque herdarão a terra.” Notemos que os donos da terra serão justamente os mansos, não os radicalizados.

Não obstante, Cristo segue o sermão da montanha: “Bem aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.” Aqui a maior receita para todos os cristãos hoje, em relação às eleições deste ano: sejamos pacíficos.

Percebamos que não há, nem poderia haver verossimilhança entre Cristo e qualquer grupo de apoiadores que defendam o uso e o porte de armas, mas sim os que lutam pela causa da paz.

Advogar o direito de possuir armas vai na contramão do que Jesus Cristo ensinou e viveu com seus discípulos. Difícil imaginar um dos discípulos que morreram pela pregação do evangelho defendendo o porte e o uso de armas. Cristo é paz e paz é seu legado ao mundo.

Outro fator de crucial análise para entendermos o porquê Cristo não seria o candidato ideal para os cristãos de hoje, no Brasil, é o fato de que ele não era Ufano, ou seja, não amava esta terra acima de sua pátria celestial.

Quando símbolos nacionais são idolatrados como servindo a pretexto de defender ideais avessos ao que Cristo pregava, incentivando arroubos de retórica, tais como falas contra instituições democraticamente estabelecidas e incitando fake news, evidencia um ufanismo vazio, beligerante e perigoso, muito diferente do amor à pátria e à cidadania, valores consagrados pela Constituição e necessários ao processo de desenvolvimento de uma nação. Certamente Cristo não ergueu bandeira nenhuma que não fosse o amor.

Fica para todos os cristãos o exemplo maior de seu Messias verdadeiro, aquele que amou, sem que para isso aceitasse os falsos profetas, tampouco pegou ou estimulou seus discípulos a lançarem mão de armas para vencerem qualquer disputa.

Tenho a certeza de que, caso Jesus Cristo fosse candidato à Presidência neste ano, no Brasil, seria mais um da terceira via, infelizmente, pois vivemos um mundo em que grandes líderes despóticos soam mais alto que a mensagem do evangelho, e a imagem do Messias parece estar alinhada aos extremos, menos ao amor, ensinamento máximo de Jesus, o Cristo.

“Disse-lhe Jesus: “guarde a espada! Pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão!” (Mateus 26:52)

as opiniões expressadas por nossos colunistas não refletem, necessariamente,
o posicionamento do portal D’Ponta News.

Coluna Draft

por Edgar Talevi

Edgar Talevi de Oliveira é licenciado em Letras pela UEPG. Pós-graduado em Linguística, Neuropedagogia e Educação Especial. Bacharel e Mestre em Teologia. Atualmente Professor do Quadro Próprio do Magistério da Rede Pública do Paraná, na disciplina de Língua Portuguesa. Começou carreira como docente em Produção de texto e Gramática, em 2005, em diversos cursos pré-vestibulares da região, bem como possui experiência em docência no Ensino Superior em instituições privadas de Ensino de Ponta Grossa. É revisor de textos e autor do livro “Domine a Língua – o novo acordo ortográfico de um jeito simples”, em parceria com o professor Pablo Alex Laroca Gomes. Também autor do livro "Sintaxe à Vontade: crônicas sobre a Língua Portuguesa". Membro da Academia Ponta-grossense de Letras e Artes. Ao longo de sua carreira no magistério, coordenou inúmeros projetos pedagógicos, tais como Júri Simulado, Semana Literária dentre outros. Como articulista, teve seus textos publicados em jornais impressos e eletrônicos, sempre com posicionamentos relevantes e de caráter democrático, prezando pela ética, pluralidade de ideias e valores republicanos.