Quarta-feira, 17 de Agosto de 2022

Coluna Draft: ‘Jesus: o homem singular!’, por Edgar Talevi

04/07/2022 às 11:00
Foto: Pixabay

Jesus, o Cristo, é a perfeita unidade do homem-homem e homem-Deus, portanto singular em sua pluralidade.

Ao reportarmos à ciência da Física, conseguiremos ter uma nuance do entendimento do problema da singularidade de Jesus, embora o tema seja complexo. Se não, vejamos: Chamado de “Lei de Coulomb”, resta provado que a atração magnética entre dois campos carregados existe e diz: “A força entre dois corpos será atrativa se os mesmos tiverem cargas opostas!”

A existência de Jesus como homem material, físico, não havia sido discutida com maior abrangência antes dos séculos XIX e XX, haja vista sua compreensão de que se descartaria qualquer pensamento contrário à historicidade da narrativa bíblica. Mas, mesmo com diversas investidas modernas de filósofos e historiadores contra o Jesus histórico, não se obteve sucesso. Jesus, portanto, foi, é, e será real à medida que o conhecimento avança sobre Ele e sobre os que nEle creem.

Destarte, explicar a uniforme presença do homem/Deus no mesmo indivíduo escapa à luz da razão, mas a Teologia contemporânea lança, para além de dogmas, experiências metodológicas e técnicas que avançam na pauta e asseguram ser possível tal fenomenologia na práxis.

Desde os tempos da igreja primitiva, e mais particularmente desde o Concílio de Calcedônia, existe a confissão das duas naturezas de Cristo, a saber, humana e divina. Isso é o que afirma o teólogo reformado Louis Berkhof. Segundo Berkhof, a igreja, por meio do supracitado Concílio, não dirimiu todas as dúvidas sobre a unicidade das duas naturezas de Cristo, mas reconheceu a autoridade das Sagradas Escrituras que afirmam ser esta a verdade sobre a pessoa do Messias.

Neste diapasão, o teólogo Millard J. Erickson afirma: “A transposição do abismo metafísico, moral e espiritual entre Deus e os homens – e, portanto, nossa própria salvação – depende da unidade entre a divindade e a humanidade em Jesus Cristo.

Ortodoxos, os dois teólogos manifestam apreço pela experimentação do fenômeno de Jesus como verdadeiro homem e completo Deus.

George Eldon Ladd, outro eminente teólogo moderno, evidencia que o Reino de Cristo, além de escatológico, é também presencial. A Cristo ele se refere, nas palavras sacras das Escrituras, como (Kyrios) – do grego Senhor. Ladd impulsiona, desta forma, a dualidade de Cristo e sua divindade, afirmada na presença dEle na Terra como homem.

Ademais, quais as manifestações mais evidentes que, atônitos, podemos averiguar sobre Cristo e sua obra na Terra, ao longo dos comumente acordados 33 anos de vida terrena, a que podemos comparar com a teoria da união de opostos, de Coulomb?

Vejamos alguns detalhes: Primeiramente, Cristo jamais se permitiu pegar em armas, mas chamou a si um discípulo do grupo separatista, que pregava o uso da violência e de armas contra o jugo de Roma, a saber, Simão, o zelote. O agora discípulo abandona seus dogmas para aprender a pacificação por meio do Reino do Amor, pregado pelo seu Senhor.

Em segundo lugar, Jesus encaminha um grupo de pessoas sem instrução formal, tais como Pedro e João, homens iletrados, segundo afirma o livro histórico de Atos dos apóstolos, escrito por Lucas, médico, no capítulo 4, versículo 13, e estes se tornam notórios pregadores da Palavra de Deus em meio a pessoas de alta instrução e doutores da lei. Parece ser milagre o fato de que iletrados sejam verborrágicos a ponto de levarem consigo grandes multidões e fazer com que estas aprendam as Escrituras por meio deles.

Em terceiro lugar, Jesus chama a si um publicano, Mateus, a quem os israelitas odiavam, por ser empregado de Roma, um coletor de impostos. Tudo isso ganha especial relevância quando Zaqueu, homem também a serviço de Roma, converte-se a Cristo em uma radical mudança de mente (Metanoia), do grego, que equivale à transformação de pensamento, conduta e vida.

Jesus afirmou sua humanidade ao morrer, mas consolidou sua divindade ao ressuscitar! E para nós, quem é Cristo? Homem-homem, homem-Deus, homem exemplo de vida, singular em sua multifacetada graça.

Fiquemos com as palavras sutis e verdadeiras de Ítalo Calvino, que discorre sobre uma das razões do porquê cremos no que cremos:

“A fé é uma visão das coisas que não se veem!”

Coluna Draft

por Edgar Talevi

Edgar Talevi de Oliveira é licenciado em Letras pela UEPG. Pós-graduado em Linguística, Neuropedagogia e Educação Especial. Bacharel e Mestre em Teologia. Atualmente Professor do Quadro Próprio do Magistério da Rede Pública do Paraná, na disciplina de Língua Portuguesa. Começou carreira como docente em Produção de texto e Gramática, em 2005, em diversos cursos pré-vestibulares da região, bem como possui experiência em docência no Ensino Superior em instituições privadas de Ensino de Ponta Grossa. É revisor de textos e autor do livro “Domine a Língua – o novo acordo ortográfico de um jeito simples”, em parceria com o professor Pablo Alex Laroca Gomes. Ao longo de sua carreira no magistério, coordenou inúmeros projetos pedagógicos, tais como Júri Simulado, Semana Literária dentre outros. Como articulista, teve seus textos publicados em jornais impressos e eletrônicos, sempre com posicionamentos relevantes e de caráter democrático, prezando pela ética, pluralidade de ideias e valores republicanos.