Terça-feira, 16 de Julho de 2024

Coluna Draft: ‘Nós agradecemos: “OBRIGADOS!”’, por Edgar Talevi

2024-03-26 às 10:00
Foto: Reprodução

Nós agradecemos: “OBRIGADOS!”

Obrigados! Sim, a forma está correta! Quando se trata de adjetivo, como é o caso, este deverá concordar em número e gênero com o substantivo a que se refere, diz a gramática de Celso Cunha.

Deste modo, quando uma comissão de formatura, por exemplo, quiser agradecer aos convidados e usar, no início do texto, a expressão: “Nós, da comissão de formatura (…)”, deverá usar, ao término, o vocábulo: “Obrigados”, pois se trata de concordância com a primeira pessoa do plural, a saber, NÓS!

Assim também é estabelecida a concordância no feminino, tanto singular como plural: “Nós estamos OBRIGADAS”; “Eu estou OBRIGADA!” Parece difícil, mas por ser pouco conhecida, a norma causa estranheza. Nada que não possamos dirimir em algumas linhas, não é mesmo?

Mas, o que mais importa é o quanto nos importamos com os outros. Explico: “Evitemos a todo custo destratar alguém por sua fala, escrita ou linguagem, pois, além de arrogância, seria preconceito linguístico”, como bem nos ensinou Marcos Bagno, em sua grande obra “Preconceito Linguístico.” Ops! Observemos que usei o termo “destratar”. Isso mesmo! Destratar equivale a “insultar”, portanto foi usada com correção em seu sentido pretendido.

Há quem confunda com o vocábulo “distratar”, que significa rescindir um contrato: “Precisamos distratar este contrato urgentemente.” Além disso, ainda vemos algumas divergências em relação a termos aparentemente homófonos, mas que têm sentidos completamente diferentes. Se não, vejamos: Descriminar e Discriminar.

Descriminar tem o sentido de excluir a criminalidade de um fato: “Muitos querem descriminar o uso de certas substâncias!” Ao passo que Discriminar significa distinguir, segregar: “Os gastos serão discriminados no projeto.”

Com tantas regras aqui inseridas, ficamos sempre com uma “pulga atrás da orelha” ao falar, escrever etc. E lá vem mais uma: afinal, antes do termo “etc.” usa-se ou não a vírgula? A resposta é: NÃO! A razão para isso é que em “etc.” já se inclui a conjunção e (etc. = e as demais coisas): “Todos queremos as melhores coisas da vida: amor, saúde etc.

Neste momento, ao redigir esta crônica, lembrei-me de uma parte de mim que habita minha infância. Sempre costumava “transgredir” ao “roubar” flores para dar à minha mãe. Costume simples, mas jamais vil, pois possui a sutileza de um afago em quem tanto merece.

No entanto, qual a relação do parágrafo antecedente às normas gramaticais aqui trabalhadas? Bem, se o objetivo é construir conhecimento, nada melhor que inserir dados que fortaleçam a argumentação. Se estiverem em nossas vidas, serão melhores ainda! Mas, voltemos às regras. Eu transgredia ao “roubar” flores. Porém, caso quisesse flexionar o termo “flores”, mantendo o plural e lançando mão do diminutivo, como seria? O correto: “Florezinhas!” Notemos que há uma vogal “e” entre a palavra. A mesma regra é usada para “Barezinhos”, por exemplo.

Ah! De quanta imaginação precisamos para falar de vida e regras sempre modernas e atuais. Ai, ai, ai! Usei dois termos não equivalentes! Modernas e Atuais. Qual a diferença semântica entre ambas?

Vamos lá! Moderno é o que está próximo a nosso tempo: “Dentre os autores brasileiros modernos, destacam-se Luísa Cristina dos Santos Fontes, Luiz Fernando Cheres e David Pilatti Montes!” Por sua vez, Atual é o que acontece no momento presente: “A fome é um problema atual do povo no mundo!”

O epílogo de hoje vem de Teresa Teth: “As feridas da Língua Portuguesa vão se abrindo lentamente toda vez que violentamos sua ortografia.”

Coluna Draft

por Edgar Talevi

Edgar Talevi de Oliveira é licenciado em Letras pela UEPG. Pós-graduado em Linguística, Neuropedagogia e Educação Especial. Bacharel e Mestre em Teologia. Atualmente Professor do Quadro Próprio do Magistério da Rede Pública do Paraná, na disciplina de Língua Portuguesa. Começou carreira como docente em Produção de texto e Gramática, em 2005, em diversos cursos pré-vestibulares da região, bem como possui experiência em docência no Ensino Superior em instituições privadas de Ensino de Ponta Grossa. É revisor de textos e autor do livro “Domine a Língua – o novo acordo ortográfico de um jeito simples”, em parceria com o professor Pablo Alex Laroca Gomes. Também autor do livro "Sintaxe à Vontade: crônicas sobre a Língua Portuguesa". Membro da Academia Ponta-grossense de Letras e Artes. Ao longo de sua carreira no magistério, coordenou inúmeros projetos pedagógicos, tais como Júri Simulado, Semana Literária dentre outros. Como articulista, teve seus textos publicados em jornais impressos e eletrônicos, sempre com posicionamentos relevantes e de caráter democrático, prezando pela ética, pluralidade de ideias e valores republicanos.