Sexta-feira, 12 de Abril de 2024

Coluna Draft: ‘Tira-dúvidas sobre a Nova Ortografia’, por Edgar Talevi

2024-02-20 às 10:00

Tira-dúvidas sobre a Nova Ortografia

Quando o assunto é escrita, muitos têm dúvidas. Compactuo com todos nesse quesito, pois sempre somos imprecisos dada a inefável grandeza da Língua Portuguesa. Mas, um fato novo surgiu a partir da assinatura, em Lisboa, de um novo acordo ortográfico para nosso idioma, em 1990, reunindo os países lusófonos.

A partir de então, cada país signatário do acordo e que pratica a Língua Portuguesa, passou a adotar as novas regras, estabelecendo critérios únicos que uniformizaram o idioma e fortaleceram ainda mais sua presença em um contexto global.

Encurtar as diferenças ortográficas de um idioma, tal como é um dos objetivos do novo acordo lusófono é pluralizar sua influência no mundo. Unificar os vocábulos da Língua Portuguesa – considerada bastante complexa por muitos – levou a uma maior clareza a quem trabalha diretamente com o idioma, a saber, professores, editores, jornalistas, tradutores, escritores dentre outros.

Ademais, o fator econômico não pode ser descartado, haja vista a não necessidade de tradução de uma obra publicada no Brasil e que pode ser levada à venda em outro país lusófono, reduzindo significativamente o valor de edição de um livro, de modo a favorecer o mercado editorial e auxiliar ainda mais os escritores.

Mesmo contando com alguns anos desde sua assinatura e implementação em todos os países participantes do acordo, o tão sonhado acordo ortográfico tornou-se real. As alterações na escrita promoveram uma simplificação importante, mas que ainda gera dúvidas em muitos estudantes e curiosos de nosso idioma. Vamos às principais regras:

O Alfabeto: passamos a contar, oficialmente, com 26 letras em nosso alfabeto, com o acréscimo das letras K, Y e W.
Trema: o uso do trema (¨) foi abolido. Exemplo. Lingüiça (forma antiga) – linguiça (forma atual).

Acentuação gráfica: Os acentos gráficos, chamados de DIFERENCIAIS, deixaram de existir em algumas palavras oxítonas e paroxítonas:

Para: verbo parar;
Pelo: substantivo (Ex. O pelo do homem estava arrepiado)
Pera: substantivo (A fruta predileta para sua refeição é a pera)

No mesmo campo da acentuação gráfica, as palavras paroxítonas com ditongos abertos – “ei” e “oi” – na sílaba tônica, perdem o acento:

Exemplos. Assembleia; geleia: boleia; ideia.

Outras palavras, outrora consagradas com acento circunflexo, agora deixam de tê-lo:

Exemplos. Abençoo; enjoo; povoo; voo.

O hífen é, talvez, a parte mais “complicada”, ou, quem sabe, o termo mais adequado seria “complexa” dentro das linhas da nova ortografia.

Segundo o acordo, as palavras em que a segunda formação se inicia com a letra “h”, tem o emprego do hífen. O mesmo vale para as palavras cuja letra do segundo termo é igual à letra que finaliza o primeiro.

Exemplos. Anti-higiênico; micro-ondas; hiper-resistente; contra-almirante.

Ainda temos uma alteração, muito usada, cuja norma reza a unificação dos termos em que as palavras que terminam com vogal têm outra palavra que começa por vogal diferente.

Exemplo. Antiaéreo; extraescolar; semianalfabeto; infraestrutura; semiaberto; autoescola.

Certamente há muitas regras que, a depender do espaço-tempo, não poderíamos desenvolvê-las sem que tivéssemos muitas páginas a escrever. Mas, sigamos, pouco a pouco, construindo novos conhecimentos sobre nosso idioma.

Em homenagem ao novo imortal da Academia Brasileira de Letras, a casa de Machado de Assis, o ápice da vida intelectual a que almeja um indivíduo, Gilberto Gil, firmo, com uma frase do notável músico-escritor-artista-imortal, esta coluna:

“A memória cultural brasileira deve passar a ser ingrediente fundamental no fogão da alma!”

Coluna Draft

por Edgar Talevi

Edgar Talevi de Oliveira é licenciado em Letras pela UEPG. Pós-graduado em Linguística, Neuropedagogia e Educação Especial. Bacharel e Mestre em Teologia. Atualmente Professor do Quadro Próprio do Magistério da Rede Pública do Paraná, na disciplina de Língua Portuguesa. Começou carreira como docente em Produção de texto e Gramática, em 2005, em diversos cursos pré-vestibulares da região, bem como possui experiência em docência no Ensino Superior em instituições privadas de Ensino de Ponta Grossa. É revisor de textos e autor do livro “Domine a Língua – o novo acordo ortográfico de um jeito simples”, em parceria com o professor Pablo Alex Laroca Gomes. Também autor do livro "Sintaxe à Vontade: crônicas sobre a Língua Portuguesa". Membro da Academia Ponta-grossense de Letras e Artes. Ao longo de sua carreira no magistério, coordenou inúmeros projetos pedagógicos, tais como Júri Simulado, Semana Literária dentre outros. Como articulista, teve seus textos publicados em jornais impressos e eletrônicos, sempre com posicionamentos relevantes e de caráter democrático, prezando pela ética, pluralidade de ideias e valores republicanos.