Quinta-feira, 07 de Julho de 2022

Coluna Draft: ‘Zero “graus” e outros “gelos” gramaticais!’, por Edgar Talevi

20/05/2022 às 10:56

Zero grau, informa o termômetro congelante! A friaca (frio fora de estação que acontece por um pequeno período de dias que não seja no inverno) tomou conta da cena das manhãs pelas quais sabemos haver vento, temperaturas gélidas e, com sorte – assumo o substantivo –, neve.

Ponta Grossa é linda em todas as estações. Mas nem só de encanto sobrevive uma civilização. É necessário base, estrutura. Para tanto, vamos a mais um itinerário gramatical.

Zero “graus” soa tristemente aos ouvidos mais atentos às regrinhas de nosso idioma. Isso acontece porque Zero é singular. Assim também ocorre quando a temperatura está em 1 grau. Nada de dizer/escrever 1 “graus”. Tá ok?

Alguém deve estar tamborilando os dedos à espera de mais elementos que virão, ao futuro, nesta crônica. Ai, ai, ai… olhem o que foi escrito: virão, “ao futuro”!!! Se “virão”, só poderá ser ao futuro, pela regra elementar da vida. O passado já foi, o presente é e o que virá trata-se de futuro!

Combinados sobre isso, prossigamos com outras redundâncias! Como fomos chegar a isso? Bem! Ao requinte de uma noite fria, ressonantes redundâncias são clamores que perseguem almas ávidas pelo mistério! Coisas de poeta!

Se não, vejamos outros exemplos. O verbo “colaborar”, significa, literalmente, laborar com, trabalhar junto. Quando dizemos/escrevemos da seguinte forma: “Vamos colaborar com os estudantes”, estamos, na verdade, sendo redundantes. Isso acontece, talvez, por perda da noção do sentido etimológico de alguns termos. Mais adequadamente seria se escrevêssemos ou disséssemos de outra forma: “Vamos colaborar os estudantes”. Estranho? Parece, mas correto!

Nossa viagem continua pelo verbo “custar”. Alguém já leu a seguinte frase: “Custou-me entender o problema?” Vejamos bem: o verbo custar, na norma culta, deve ser regido pela preposição “a”. Assim, o correto: “Custou a mim entender o problema”. Mas, como a gramática normativa apenas percorre o que já foi construído pela descrição de um idioma, simplesmente não nos damos conta do quanto mudamos as coisas de lugar.

Notemos outro detalhe: “Percorrer”. O verbo, com prefixo “Per”, equivale a “todo”, portanto, percorrer significa passar pelo todo. Não faz sentido dizer ou escrever: “Percorri todo o circuito”, pois haveria flagrante redundância.

Pelo sim, pelo não, valendo-me do tempo propício ao romance, valho-me da grandiosidade de algumas gotas de sabedoria, tais como jamais deixar de falar aquilo/daquilo de que gostamos a quem amamos, no tempo que temos, pois a vida é uma colcha de retalhos, quer queiramos ou não. Deste modo, escolhamos o tecido e a costura, mas o tempo não nos pertence!

Fiquemos hoje com a sabedoria de Salomão, Rei Judeu, que nos legou preciosos versos em seu Eclesiastes 3:1 “Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu!”

Coluna Draft

por Edgar Talevi

Edgar Talevi de Oliveira é licenciado em Letras pela UEPG. Pós-graduado em Linguística, Neuropedagogia e Educação Especial. Bacharel e Mestre em Teologia. Atualmente Professor do Quadro Próprio do Magistério da Rede Pública do Paraná, na disciplina de Língua Portuguesa. Começou carreira como docente em Produção de texto e Gramática, em 2005, em diversos cursos pré-vestibulares da região, bem como possui experiência em docência no Ensino Superior em instituições privadas de Ensino de Ponta Grossa. É revisor de textos e autor do livro “Domine a Língua – o novo acordo ortográfico de um jeito simples”, em parceria com o professor Pablo Alex Laroca Gomes. Ao longo de sua carreira no magistério, coordenou inúmeros projetos pedagógicos, tais como Júri Simulado, Semana Literária dentre outros. Como articulista, teve seus textos publicados em jornais impressos e eletrônicos, sempre com posicionamentos relevantes e de caráter democrático, prezando pela ética, pluralidade de ideias e valores republicanos.