Sábado, 04 de Dezembro de 2021
foto: Clebert Gustavo

Artigo: “O florescer da esperança”, por Francielly da Rosa

05/09/2021 às 08:37

O florescer da esperança

O céu azul revestia-se de uma grinalda de nuvens que se enfileiravam por toda sua extensão. O sol, em todo seu esplendor, brilhava como em nenhum outro dia havia feito. Era hora de receber a primeira dose da tão esperada vacina da COVID-19. A pandemia que assolou o mundo desde o ano de 2019 cobriu os dias com seu manto cinzento, fez das ruas e praças solidão necessária; era o mundo pedindo um tempo. Ansiou-se pelo sol que nos trouxesse esperança e, chegado o dia, o astro rei iluminou o céu majestosamente. Da janela do carro admirava a vista , as pessoas,  aos poucos retomando suas vidas, os raios de esperança, enfim chegavam para desfazer as cinzas da angústia.

No caminho até o local de vacinação tive o privilégio de passar pela Avenida Visconde de Mauá, coroada pelos belíssimos ipês amarelos que lhe compõem. Que paisagem deslumbrante! Até mesmo o mais experiente poeta ficaria atônito diante de tamanha beleza. Recordei-me da infância, do  florido quintal da casa de meus avôs, da inocência infantil quando arrancávamos uma florzinha para enfeitar nossos cabelos despenteados. Eram tempos doces, tempos de criança despreocupada, enérgica e ansiosa por um futuro repleto de novidades.

Fui tomada por este sentimento nostálgico e, naquele instante, soube o que fazer; emprestei, de Machado de Assis, a pena, com a qual escreveu tantas crônicas memoráveis,  e eu, mera aprendiz, pretendi mentalmente escrever sobre aquela paisagem “ic(r)ônica” – permita-me a licença poética.

Ao longe as árvores floridas formavam um imenso tapete amarelo, digno de desfile, tapete feito para passos leves, para ser apreciado com calma, leveza e gentileza. Os ipês, tais quais crianças sorridentes, eram agitados pelo vento que assoviava melodia de paz, prevendo a chegada de novos dias, dias coloridos.

Por este caminho segui sentindo-me acalentada pela brisa e agraciada pelas incontáveis flores que dançavam parecendo nos aplaudir. Eram aplausos em comemoração a essa conquista. A cidade vibrava confiança, chegavam os ventos da mudança, num piscar já era setembro e, em breve, chegaria a primavera. Enfim a população veria a vida florescer, através de pequenas sementes depositadas no braço de cada um que aceitou recebê-las, sementes que vêm germinar esperança na nova estação que se inicia.

Francielly da Rosa é acadêmica do curso de Letras Português/Inglês na UEPG.

Coluna Lettera

por Francielly da Rosa

Francielly da Rosa é formanda do curso de Letras, pela Universidade Estadual de Ponta Grossa. Professora, cronista, coautora do livro Crônicas dos Campos Gerais. Participante de projetos de incentivo à leitura (Bando da Leitura), e declamação de poesias nas escolas do município de Ponta Grossa, trabalhando, também, com temáticas raciais, no projeto: "Nas teias de Ananse: Biblioteca de Narrativas Afro-indígenas Brasileiras e Africanas na escola", tendo, de igual modo, diversas crônicas premiadas e publicadas em jornais e sites locais. Recentemente foi premiada no Festival Literário de São Caetano do Sul, categoria miniconto, sendo a única representando o Paraná e a cidade de Ponta Grossa.