Sábado, 20 de Julho de 2024

Cena Local D’P: O amor segundo Benett

2023-04-16 às 16:39
Foto: Reprodução

Em novo livro, cartunista ponta-grossense Benett aborda um dos grandes temas da humanidade: o amor. Mas à sua peculiar maneira, é claro

Por Vitor Carvalho

A sátira do cotidiano político brasileiro tem sido parte da vida de Alberto Benett, 47, por mais de duas décadas. Jornalista, cartunista e chargista nascido em Ponta Grossa, o Benett, como é mais conhecido, conquistou espaço em grandes veículos do país, como a Folha de S. Paulo, e tornou-se um dos grandes nomes do traço nacional. Agora, ele volta às livrarias com um novo livro, “Anedonia” (Arte & Letra, 2022).

A temática parece ser um pouco incomum se comparada ao seu trabalho no jornalismo. “Anedonia” trata, pura e simplesmente, do mais universal dos temas: o amor. Segundo a definição dicionarizada, anedonia significa a perda da capacidade de sentir prazer. No livro, o cartunista, que começou a sua carreira nas páginas do jornal D’Pontaponta (atual revista D’Ponta, essa mesma que você tem em mãos), agrupou 100 páginas de tiras sobre o tema que ocupa filósofos e artistas há milhares de anos.

Publicado em formato quadrado, com tiras que foram originalmente veiculadas entre 2012 e 2015, o livro aborda o tema sob uma ótica humorística e, ao mesmo tempo, amorosa, explica Benett em entrevista ao podcast “O que ler agora”, do portal Plural, de Curitiba, do qual é um dos fundadores e no qual também publica os seus trabalhos.

“Tristeza profunda”

“Anedonia” trata do amor em si, da perda, da ausência e da incapacidade de sentir. Vista por esse ângulo, a definição de amor construída pelo cartunista não é exatamente “positiva”. Como o próprio autor pontua, ele costuma trabalhar com política. “O que é totalmente o contrário do amor, não é?”, explica.

Ao podcast do Plural, Benett destaca também que a obra é marcada pela melancolia. “Eu acho que, se você ler o livro pensando que os personagens são incapazes de se divertir com o que têm em mãos, talvez faça sentido”, aconselha. “Na verdade, o amor é melancólico. Em alguns momentos é divertido, mas, na maior parte do tempo, é uma tristeza profunda”, aponta.

O cartunista acrescenta que o livro traz tiras que são, em grande parte, devaneios sobre situações que poderiam ter acontecido e não aconteceram. Desse modo, não seria um livro totalmente autobiográfico, mas, sim, baseado em acontecimentos que o autor presenciou ou que amigos relataram. “O humor pode definir esse livro tanto quanto o amor, pois os dois têm o mesmo peso”, conclui.

Trajetória

Natural de Ponta Grossa, Benett começou a sua carreira de cartunista na antiga versão desta revista, o jornal D’Pontaponta, em 1993. Em seguida, passou por outros veículos da cidade até se formar em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e se mudar para Curitiba, onde vive até hoje.

Atualmente, o artista publica uma charge todas as terças-feiras no jornal Folha de S. Paulo e colabora regularmente com textos, tiras e charges diárias no portal Plural, de Curitiba, do qual é um dos fundadores.

Além de “Anedonia”, o ponta-grossense já publicou “Benett Apavora – Para toda família disfuncional” (Juruá Editora, 2007) e “Amok – Cabeça, tronco e membros” (Mórula, 2013).

Conteúdo publicado originalmente na Revista D’Ponta #294 Março/Abril de 2023