Domingo, 14 de Agosto de 2022

Debate político entre eleitores deve ser pautado no respeito às opiniões contrárias, afirmam especialistas

05/08/2022 às 15:17

Durante o programa Manhã Total, apresentado por João Barbiero e Eduardo Vaz, na Rádio Lagoa Dourada FM (105,9 para Ponta Grossa e região e 90,9 para Telêmaco Borba), nesta sexta-feira (5), o professor Yuri Sócrates, professor e coordenador do pré-vestibular Sepam, além do psicanalista Dr. Eduardo Pereira participaram de bate-papo sobre debates políticos e a importância de manter o respeito acima das opiniões adversas.

De acordo com uma pesquisa do Datafolha divulgada desta semana, 49% do eleitorado afirma que deixou de conversar sobre política com amigos e familiares para evitar discussões. O professor Yuri Sócrates argumenta que isso acontece porque muitos debates que ocorrem atualmente não carregam uma ‘veia filosófica’, já que na maioria das vezes as pessoas não fazem questionamentos, nem possuem predisposição a reconhecer as falhas do candidato que defende. “Geralmente as pessoas vão para as falas políticas dotadas de certezas, e até com certo messianismo, uma crença muito apaixonada em que um ou outro candidato, para o cargo que for, é a resposta para todos os problemas sociais”, diz.

O professor ainda defende que “muitos desses debates fogem da racionalidade”, já que os eleitores acabam ficando ‘cegos’ devido à paixão dos indivíduos em defender os seus candidatos e não percebem as falhas dos líderes.

Respeito às opiniões

Manter o respeito com as opiniões contrárias é fundamental para um debate político saudável, conforme comenta Yuri Sócrates. “É extremamente comum no nosso cotidiano ver pessoas proferindo assim: todo mundo que vota no PT é burro, todo mundo que vota no Bolsonaro é burro. Esse tipo de fala é uma fala desumanizadora do outro, você nunca tenta entender qual o contexto do outro que leva ele a votar naquele indivíduo ou outra figura que seja”, diz.

Desta forma, os pensamentos políticos devem ir além de tachar que o indivíduo que vota em um ou outro candidato como “burro, incompetente ou ignorante”, afirma o professor. “Existe uma lógica que conduz o indivíduo para aquele voto. O debate somente é debate quando tem respeito a opinião do outro. Toda lógica, por mais que seja diferente da minha, é válida para o outro indivíduo”, completa.

A ideia é compartilhada pelo psicanalista Dr. Eduardo Pereira. Ele destaca que o ser humano necessita de aceitação dentro dos grupos a que pertence e isso pode colaborar com o fanatismo. “O fanatismo sempre é péssimo, danoso, traz prejuízo para a humanidade. Temos isso em vários momentos da história, na verdade até o amor sem equilíbrio pode ser prejudicial. O amor por um ícone, político, time, filho, pela religião. Todo amor desequilibrado pode ser danoso para a pessoa”, acrescenta.

O psicanalista ainda argumenta que o indivíduo deve avaliar se aquele debate realmente vale a pena. “Um filósofo chamado Voltaire que diz que ‘Eu posso não concordar com o que você diz, mas vou defender até a morte o seu direito de dizer’. Isso é respeito, eu não concordo, mas você tem direito a ter uma opinião diferente de mim. E tem discussões que não valem a pena. Uma pessoa que é partidária do Lula, querendo convencer um partidário do Bolsonaro de que o Bolsonaro está errado e vice-versa”, afirma.

Dr. Eduardo Pereira acrescenta que para debater política é necessário ter controle emocional. “Quem tem personalidade forte é aquele que consegue ser provocado sem entrar na provocação, sem deixar que a emoção tome conta e sem reagir deselegante ou adotar uma postura inadequada”, diz. Yuri ainda finaliza e afirma que “a grande questão da cidadania e da atividade política é conseguir cobrar não apenas o seu opositor, mas aquele que você está apoiando”, conclui.

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