Domingo, 24 de Outubro de 2021
foto: Clebert Gustavo

UEPG lança livro comemorativo aos 50 anos da Universidade

16/09/2021 às 15:15

Um presente para Ponta Grossa e para todos que fazem parte da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Nesta terça (14), véspera do aniversário de 198 anos da cidade, a UEPG lançou o primeiro volume de um livro comemorativo aos 50 anos da instituição, com fotos do cotidiano da Universidade. A obra foi lançada em evento em formato híbrido, com autoridades presentes no auditório do Museu Campos Gerais e transmissão pelas redes sociais da UEPG.

O primeiro volume traz 287 fotografias, contextualizadas por legendas em português e inglês, e reúne uma seleção de imagens dos primeiros 25 anos da Universidade (1969 a 1994), que registram a expansão estrutural, momentos significativos e pessoas que fizeram o dia a dia da UEPG, servidores, estudantes, gestores e visitantes. Além da edição impressa, com tiragem limitada, o livro está disponível em formato e-book. Estão representadas no primeiro volume as gestões de cinco reitores: Álvaro Cunha Rocha, Odeni Mongruel, Daniel Albach Tavares, Ewaldo Podolan, João Lubczyk e João Carlos Gomes.

O reitor da UEPG, professor Miguel Sanches Neto, destacou o papel da universidade pública, e em especial da UEPG, para a comunidade, explicitado ao longo de sua história. “A UEPG é uma universidade pública, gratuita e de qualidade, que não foge a seu compromisso de transformar a sociedade em que vivemos. O poder transformador é a principal característica das universidades públicas”, apontou. “Nossa Universidade Estadual de Ponta Grossa pertence à comunidade, não a um governo, geração ou grupo político. Viva a Universidade Pública brasileira, viva a UEPG, universidade que vocês construíram e que nós continuamos a construir com outros desafios”.

Sentados à frente do público, acompanhados da prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt e representando a história da UEPG, estavam Odeni Villaca Mongruel, Paulo Roberto Godoy, Gisele Alves de Sá Quimelli, Miguel Sanches Neto, e os representantes de Daniel Albach Tavares e Nadir Laidane.

“Eu não me vejo sem a UEPG”. A prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt, relatou a história próxima de sua vida com o desenvolvimento da Universidade, desde 1969. “Eu vi a UEPG surgir, ser criada. Era aluna do curso de Pedagogia”, contou. Depois, como professora da UEPG a partir da década de 1980, fez parte da história da Universidade. Por isso, folheou as páginas do livro assim que o recebeu das mãos do reitor da UEPG, feliz por reencontrar rostos conhecidos nas fotografias. “É um privilégio imenso estar aqui, principalmente nesta data tão especial para Ponta Grossa. Para nós todos, ponta-grossenses, fazer parte dessa história é um grande orgulho”.

Uma noite especial para a UEPG: foi assim que Niltonci Batista Chaves, diretor do Museu Campos Gerais e um dos autores do livro, definiu o lançamento realizado nesta terça-feira. Ele destacou que a obra traz uma história da instituição falando sobre si mesma, visto que aborda o material produzido pelos próprios fotógrafos da Universidade. “Nós tentamos, acima de tudo, mostrar uma universidade humana, constituída por histórias humanas, porque sem isso ela não tem sentido de existir”, explica.

História e memória

A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) foi criada em 6 de novembro de 1969. Neste dia, o então governador do Paraná, Paulo Pimentel, assinou a Lei n. 6.034, que criou as três primeiras Universidades Públicas do estado, sediadas em Ponta Grossa, Londrina (UEL) e Maringá (UEM). O professor Odeni Villaca Mongruel, que foi o primeiro vice-reitor e o segundo reitor da UEPG, relembra com carinho a trajetória da Universidade. “Parece que foi ontem. Tudo passou muito ligeiro, mas deixou marcas indeléveis em nossas almas, em nós, membros da comunidade universitária: professores, alunos, servidores e egressos”.

A UEPG resultou da incorporação das Faculdades Estaduais de Filosofia, Ciências e Letras; Farmácia e Odontologia; Direito; Ciências Econômicas e Administração de Ponta Grossa. “Nós tínhamos que fazer, desfazer e refazer o ensino superior local”, lembra Odeni. “O principal desafio de gestão, nesse início, foi transformar as cinco faculdades separadas em uma unidade de ensino, sem desfigurar os campos que cada uma representava”.

Os olhos se enchem de lágrimas ao lembrar da história da instituição. “Tive o privilégio de ver as estacas levantando os primeiros prédios do Campus. Aí eu também chorei”, relembra o professor, que recebeu o encargo de presidir a comissão que incorporou o Colégio Agrícola à UEPG, trazendo para a Universidade a área que se tornou o Campus Uvaranas. “E a UEPG passou a ter a base onde está erigido um dos mais belos campi universitários do país”, enaltece.

Para além das dificuldades políticas, dos desafios enfrentados por cada gestor da Universidade, o que fica na memória e está registrado no livro, para o professor, é o sucesso da empreitada. “As luzes que emanam nesta noite de hoje dizem a todos os ex-reitores que valeu a pena. A cada sucessão que se estabelece, essa Universidade, leal a suas origens, ganha novas conformações, conforme avança no tempo e espaço”, comemora. “Nesta noite, eu usufruo de um momento de elevação do espírito, porque criamos, e fazemos viver hoje, com vocês, essa instituição eficaz, útil e que traz um proveito enorme não só para aqueles que a admiram, mas para aqueles que recebem reflexos do seu trabalho”.

Organização da obra

O livro-álbum é resultado da colaboração entre as equipes do Museu Campos Gerais, da Coordenadoria de Comunicação e da Editora UEPG. A obra foi idealizada pelo reitor Miguel Sanches Neto, que delegou ao Museu Campos Gerais as tarefas de selecionar as imagens e produzir os textos de apoio. A Coordenadoria de Comunicação desenvolveu o projeto gráfico, restaurou as imagens e diagramou a obra. A Editora UEPG foi responsável pelo fechamento editorial, revisão e tradução da redação.

A seleção foi feita a partir do acervo fotográfico do Centro de Recursos Audiovisuais (Crav), alojado nos Arquivos Históricos Hugo Reis, do Museu Campos Gerais. São cerca de 20 mil registros produzidos pela própria UEPG, pelos fotógrafos da Universidade. A série fotográfica inicia com o trabalho de Germano Koch (de 1971 a 1980), seguido por Jefferson José da Silva (a partir de 1981), que, mais tarde, em 1987, ganharia o reforço das lentes de Marilson de Paula. Em 1991, o nome de Maurício Bolette se soma à equipe e aparece grafado nos envelopes de negativos dessa cobertura institucional.

Deste arquivo, um conjunto primário de 1200 imagens foi pré-selecionado pelos professores, diretores do MCG, Niltonci Batista Chaves (Diretor Geral), Patricia Camera Varella (Diretora de Ação Educativa) e Rafael Schoenherr (Diretor de Acervos), com apoio técnico do Coordenador de Digitalização João Paulo Leandro Almeida e de alunos e estagiários do Museu.

Restauro

Pela ação do tempo, após a digitalização dos negativos, a necessidade de restauro e de tratamento ficou evidente. “Apesar da tutela cuidadosa do Centro de Recursos Audiovisuais por décadas, a condição física dos negativos exigia trabalho técnico minucioso. No restauro das imagens, foram removidos pontos de bolor, desbotamento, poeira, áreas degradadas e riscos”, explica Luciane Pereira da Silva Navarro, Coordenadora de Comunicação da UEPG. Ela, a jornalista Aline Jasper (CCOM) e o fotógrafo Fábio Ansolin realizaram o restauro das imagens. “Sinto muito orgulho desses profissionais e do trabalho do Carlos Clarindo, que diagramou o livro. Parabéns!”.

“A regra primordial foi a intervenção invisível. Milhares de áreas foram recuperadas preservando as texturas, os cenários, a continuidade de objetos e a identidade dos rostos”, explica Navarro. A coordenadora avalia que a obra não teria a qualidade gráfica sem o trabalho que foi efetuado, porém, destaca que a obra extrapola qualquer questão meramente técnica de produção. “Cada exemplar, físico ou digital, carrega a missão de contar uma visão da história da UEPG”.

 

da Assessoria