Sábado, 20 de Julho de 2024

Vitamina D: O que se sabe e o que falta saber sobre suplementos, benefícios e riscos

2023-04-13 às 16:47

A pandemia de covid-19 parece ter sido um ponto de virada na relação entre os brasileiros e a vitamina D — o que se reflete no salto em vendas de suplementos a partir de 2020 e na profusão de conteúdo na internet apontando tanto os possíveis benefícios quando as limitações dela no combate à nova doença.

Aliás, devemos dizer logo que o papel da vitamina D na covid-19 ainda está em investigação por cientistas e não há consenso. Mas esse hormônio com nome de vitamina já era fonte de fascínio e controvérsia antes da pandemia e tem tudo para continuar sendo depois dela.

Quem deve tomar suplementos de vitamina D, quais doenças que este hormônio pode prevenir e qual seria o nível ideal no sangue são perguntas que têm movido muitas pesquisas ao redor do mundo — e que, com a ajuda de especialistas e artigos científicos, buscamos explicar nesse texto, mesmo que ainda não haja respostas definitivas para algumas perguntas.

Vitamina D

Hoje, é mais do que comprovado que a vitamina D regula a quantidade de cálcio e fósforo no nosso corpo — e esses, por sua vez, são essenciais para o crescimento e a manutenção de ossos, dentes e músculos. Ou seja, a vitamina D é importantíssima para a saúde óssea e muscular.

Já sabemos também que podemos obter a vitamina D de três formas: com a produção do nosso corpo, a partir da exposição ao sol; pela alimentação e pela suplementação.

A médica endocrinologista Marise Lazaretti-Castro, professora livre-docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que é um equívoco comum entre os pacientes pensar que os efeitos da alimentação e da suplementação só vão ser ativados se houver exposição ao sol.

“É uma ideia errada a de que você precisa tomar sol mesmo ingerindo a vitamina. O que o sol faz é produzir na nossa pele a vitamina D. Se você está ingerindo pelo alimento ou pelo suplemento, não precisa tomar sol”, explica Lazaretti-Castro.

Outro alerta feito por Castro e pela nutricionista Marcela Mendes, também entrevistada pela BBC News Brasil, é que, na prática, não podemos contar muito com a alimentação para obter a vitamina D. Sociedades médicas brasileiras consultadas pela reportagem endossaram essa afirmação.

O salmão, por exemplo, que costuma ser apontado como uma rica fonte, só nos dá o hormônio se for selvagem — e não de criação, como é mais comum encontrar no Brasil.

“Ainda falta educação nutricional pra entender que a alimentação dificilmente vai ser suficiente para suprir a necessidade. Os principais alimentos com vitamina D são o salmão selvagem, cogumelos e peixes gordurosos. Qual é a real aplicação disso na nossa população? A ingestão [desses alimentos] precisaria ser diária para a gente ter realmente uma fonte”, aponta Mendes, doutora em ciências nutricionais pela Universidade de Surrey (Inglaterra) e membro do grupo de pesquisa em Vitamina D da Universities Global Partnership Network (UGPN).

Em alguns países que têm invernos severos e menor exposição ao sol, é obrigatória a fortificação de alimentos com vitamina D. Não é o caso do Brasil. Mas, nas prateleiras, também temos alguns produtos com dizeres como “fortificado” e “enriquecido com vitamina D” na embalagem.

“Quando você olha no rótulo, é uma quantidade que não está fazendo diferença. Não é enganoso, mas pode gerar uma confusão de se achar que está sendo suficiente ingerir aquele alimento. A pessoa acha que está tendo uma fonte garantida de vitamina D”, alerta a nutricionista, sugerindo uma regulamentação mais rigorosa para o uso dessas chamadas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ordena que alimentos enriquecidos devem trazer alegações como “fortificado com vitamina D” quando trouxerem no mínimo 30 UI (unidades internacionais) em líquidos e 60 UI em sólidos. Segundo a agência, os limites mínimos garantem que os produtos “forneçam uma quantidade significativa das substâncias adicionadas e sejam eficazes para os efeitos alegados”.

Mendes é cautelosa ao falar de uma recomendação diária de ingestão da vitamina D, pois há variáveis individuais e locais, mas aponta como referência a orientação da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) de 600 a 800 UI diárias para adultos saudáveis (via alimentação e/ou suplementação). Para grupos de risco, a necessidade costuma ser ainda maior.

Ou seja, o mínimo exigido para que um produto se diga fortificado com vitamina D fica abaixo desta referência.

Leia a reportagem completa da BBC