há 12 horas
Assessorias

A Polícia Federal (PF) encerrou as investigações sobre um esquema de fraudes em combustíveis que operava em Curitiba e Região Metropolitana. O inquérito, desdobramento da Operação Tank, aponta adulteração de gasolina e manipulação eletrônica de bombas em 50 estabelecimentos. Oito pessoas, identificadas como a liderança do grupo, foram indiciadas por crimes contra a ordem econômica e estelionato.
A perícia confirmou a existência de um mecanismo sofisticado para lesar o consumidor. O chamado "Sistema Flex" utilizava um dispositivo eletrônico que permitia alterar, via aplicativo de celular, o volume de combustível entregue no tanque. Segundo a PF, a fraude gerava uma diferença de até 8,3% a menos para o cliente, margem muito superior à tolerância legal permitida.
Além da quantidade menor, a qualidade do produto também apresentava irregularidades graves. Análises laboratoriais detectaram gasolina comum com 79% de etanol na composição. A legislação brasileira estabelece o limite de 27% (com variação de 1%). Essa prática, além de ilegal, pode causar danos mecânicos severos aos veículos abastecidos.
A investigação revelou que as fraudes nos postos sustentavam uma estrutura bilionária de lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado. O lucro obtido com o engano ao consumidor era reinjetado em uma rede financeira que utilizava empresas de fachada e "laranjas" para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Os oito indiciados responderão pela aquisição e revenda de combustíveis em desacordo com as normas legais e pelo uso de artifício ardiloso para obter vantagem ilícita. Somadas, as penas podem chegar a 40 anos de reclusão.