Domingo, 14 de Agosto de 2022

Debate D’Ponta: Respeito ao professor de todas as profissões

22/11/2021 às 12:47
Conteúdo exclusivo publicado na Revista D’Ponta #287 Outubro/2021

Não tem quem não saiba, nem se esqueça que, em outubro, mais precisamente no dia 15, comemora-se o Dia do Professor. Foi nesse mesmo dia desse mesmo mês, em 1827, que o imperador Dom Pedro I criou por decreto o Ensino Elementar no Brasil. Essa foi a primeira lei sobre Educação no país.

Já o feriado nacional escolar, que designa a data especialmente dedicada aos mestres em todos seus níveis de escolaridade, foi criado por outro decreto mais de um século depois, assinado pelo presidente João Goulart, em 14 de outubro de 1963.

Diferentes culturas ao redor do mundo têm no professor uma referência, e no Brasil não é diferente. Para marcar essa data, a revista D’PONTA fez uma enquete com pessoas ligadas à Educação, para saber se elas consideram o professor como profissional respeitado ou não pelos brasis afora.

 

É PRECISO AVANÇAR ALÉM DO RESPEITO RELACIONAL

“O respeito aos professores e funcionários da administração escolar está sim presente na sociedade brasileira. Entendemos nas escolas particulares que todas as profissões são meritórias e importantes para o pleno desenvolvimento da sociedade. Em todas elas, a figura do professor é primordial. Na instrução diária, desde a educação infantil, passando pelo ensino fundamental e médio, até na graduação, na pós e na pesquisa, enfim, em todas as áreas da educação, professores colocam o seu saber, o seu querer e o seu carinho, para que tenhamos qualidade e diversidade de formação para toda a população. Professores são, quase de forma unânime, admirados por seus alunos. Ainda assim, precisamos avançar além do respeito relacional, e como sociedade evoluir para o respeito institucional. População, entidades e governo precisam juntos praticar esse respeito, viabilizando formação continuada; acesso a materiais, equipamentos e novas tecnologias; melhoria de rendimentos e redução de impostos. Essas são possibilidades que devem ser buscadas por todos, para que sejamos uma nação engajada na melhoria da educação e no pleno respeito aos profissionais desta nobre área.”

Osni Mongruel Júnior, diretor-presidente da Regional Campos Gerais do SINEPE/PR – Sindicato das Escolas Particulares do Estado do Paraná

 

 

ESSA PROFISSÃO TEM O SEU DEVIDO VALOR

“Outubro marca diversas homenagens aos professores, profissionais que se reinventam e buscam fazer sempre o melhor, para que todos os alunos possam se desenvolver. Um profissional consciente da sua importância faz a diferença por onde passa, pois investe na sua formação. Por isso, presto minha homenagem a todos os colegas que continuam se descobrindo professor a cada novo dia. Quando queremos fazer a diferença em nós e em nossos alunos, precisamos estar em constante busca pelo novo. Acreditar que, mesmo diante dos desafios, encontramos espaço para contribuir com a formação de nossos alunos, para que a partir dos conhecimentos transmitidos sejam capazes de transformarem o seu contexto social, pois, somente quando a escola proporciona essa condição, está exercendo sua função principal: a transmissão do conhecimento, proporcionando condições aos alunos para realizarem seus sonhos e alcançarem os seus objetivos.

O reconhecimento do professor nem sempre chega da forma merecida, mas se realiza através do sucesso daqueles que passaram por nossas mãos, visto que contribuímos na busca de uma qualidade melhor de vida. Assim, esse reconhecimento não tem preço, não vem na forma monetária, mas sim na realização pessoal de sermos professores, e acreditarmos que podemos fazer a diferença na vida de crianças e jovens, que, na maioria das vezes, somente encontram na escola a possibilidade de alcançarem um futuro digno e respeitado. O valor merecido desses profissionais será alcançado à medida em que a sociedade entender que o professor tem na sua formação o compromisso de formar outras profissões, de ser exemplo de caráter e respeito, por toda a relevância que tem na vida de outras pessoas. Enfim, trata-se de uma profissão que transforma, porque trabalhamos diretamente com a formação integral do ser humano. Aos professores, todo meu respeito e admiração pela nobre missão de ensinar e transformar.”

Luciana Aquiles Sleutjes, chefe do Núcleo Regional de Educação de Ponta Grossa

 

 

RELAÇÃO DE EMPATIA E DE TROCA DIRETA ENTRE AS UNIDADES E AS COMUNIDADES

 “Olhando especificamente para a rede municipal, em Ponta Grossa, nós temos uma realidade de respeito ao professor, à escola pública e ao trabalho que realizamos. Entendemos assim ao analisar cinco públicos diferentes: o poder público, a população diretamente atendida, os alunos, a população em geral e os próprios profissionais. Onde moraria o desrespeito? No caso do poder público, pode emergir ao surgirem críticas ou até mesmo projetos de lei criados, sem o necessário entendimento do que realmente se passa nos CMEIs e escolas, buscando interferir na realidade escolar, sem o devido conhecimento pedagógico, por exemplo.

Por outro lado, quando há o cumprimento da questão legal em relação aos direitos dos professores, quando se busca a sua valorização, apoiando as atitudes tomadas em prol dos alunos e se faz o reconhecimento de suas conquistas, aí há o respeito e essa é a nossa realidade. O poder público mostra respeito, quando não faltam insumos, quando o salário é respeitado e está em dia, levando em conta a realidade do momento e as possibilidades do município. O respeito também se dá de maneira relacional entre os próprios membros da classe e na relação deles com sua profissão. Ao saber-se importante para a sociedade e valorizar a si e aos colegas, buscando sua melhoria contínua e estando comprometido, sobretudo com seus alunos, ele contribui para isso.

Nossa cidade valoriza o trabalho dos profissionais da rede municipal, pois há uma relação de empatia e de troca direta entre as nossas unidades escolares e as comunidades onde elas estão inseridas. Possuímos uma grande capilaridade em nosso território, com equipes gestoras e professores que estão inseridos no dia a dia das famílias, apoiando diretamente o desenvolvimento de mais de 30 mil crianças. Se contarmos com as famílias, temos uma relação de parceria direta com praticamente metade da população. Então, o respeito se constrói no dia a dia, de lado a lado. O restante da população talvez não esteja nas escolas, mas é influenciada pela opinião das demais pessoas, que relatam uma relação de parceria e respeito, pelas boas notícias que sempre surgem de nossa educação. E ao demonstrar respeito aos nossos alunos, descobrindo seus talentos e ajudando-os a se desenvolver, o professor recebe dele o olhar de admiração que irá perdurar por toda uma vida.”

Simone do Rocio Pereira Neves, secretária municipal de Educação

 

RESPEITO É A BASE DE TUDO, MAS GOVERNO DESRESPEITA

“Os professores já foram mais respeitados. O respeito é a base de tudo, no entanto, as pessoas ganham as condições de seguir qualquer outra profissão por meio do trabalho do professor.

O desrespeito começa pelos governantes. Nos últimos anos, observamos a diminuição dos investimentos em formação educacional, desde a educação básica até a faculdade. Isso faz com que o processo ensino-aprendizagem demore mais para acontecer de forma satisfatória e com melhor qualidade. O governo mostra desrespeito quando não restitui o poder de compra dos salários dos professores através do pagamento da data base, por exemplo.

No Paraná, como todos sabem, estamos há quase sete anos sem nenhum centavo de reajuste inflacionário, ao passo em que tudo está mais caro, a começar pelos alimentos, passando pela energia, combustíveis e gás de cozinha, até os medicamentos. Quando o governo não valoriza a Educação, passa uma mensagem de desvalorização do professor para toda sociedade.

Além disso, quando cada educador olha apenas para as suas próprias necessidades, a fragmentação é muito grande. É preciso unidade na luta para poder se organizar e fazer com que a nossa Educação tenha o verdadeiro valor.
Somente assim o professor e a professora serão respeitados pelo governo, pela sociedade, pelos alunos, pelos pais e pela comunidade, enfim, por todos aqueles que um dia necessitaram e ainda deverão necessitar do trabalho de um professor.”

Tércio Alves do Nascimento, presidente do Núcleo Sindical da APP Sindicato-Ponta Grossa