há 5 horas
Heryvelton Martins

Uma missão espacial aguardada com expectativa pela comunidade científica e educacional brasileira teve um desfecho inesperado neste domingo (11). O foguete indiano PSLV (Veículo Lançador de Satélites Polares), que transportava diversas cargas úteis — incluindo um satélite desenvolvido com a participação de estudantes brasileiros —, sofreu uma falha crítica minutos após a decolagem do Centro Espacial Satish Dhawan, na Índia.
De acordo com a Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO), o incidente ocorreu durante a queima do terceiro estágio do propulsor. V. Narayanan, presidente da agência, confirmou durante a transmissão oficial que os controladores detectaram "uma perturbação nas taxas de rotação do veículo e, consequentemente, um desvio na trajetória de voo". A transmissão foi interrompida logo em seguida para análise dos dados de telemetria.
O impacto da falha reverbera com força no Brasil, especificamente no Distrito Federal. A bordo do foguete estava um satélite que integrava a primeira constelação privada do país, cujo desenvolvimento contou com a participação ativa de um grupo de 30 alunos do ensino médio de escolas públicas e particulares.
O projeto, alinhado aos valores de ciência cidadã e preservação, tinha objetivos nobres:
Monitoramento Ambiental: Detecção de focos de queimadas e preservação da biodiversidade.
Segurança: Auxílio na segurança marítima.
Agronegócio: Coleta de dados estratégicos para o setor.
Os estudantes participaram de quase todas as etapas de construção do equipamento. Entre as inovações propostas pelos jovens para o futuro do sistema, destaca-se o uso de sensores de gás carbônico (CO₂) instalados em "casas de pássaro", que se comunicariam com os satélites para identificar incêndios florestais precocemente. Apesar da perda do equipamento físico, a infraestrutura orbital do projeto permanece ativa, permitindo que outros estudantes brasileiros desenvolvam e testem novas aplicações no futuro.
Esta é a segunda vez consecutiva que o foguete PSLV apresenta problemas. Em maio de 2025, uma anomalia semelhante resultou na perda do satélite EOS-09. Com um histórico de 64 lançamentos e sucessos notáveis — como as missões à Lua (Chandrayaan-1) e a Marte —, a confiabilidade do veículo agora passa por escrutínio.
Além do dispositivo brasileiro, a missão transportava o satélite de observação militar indiano EOS-N1 (carga principal), um satélite tailandês-britânico e a cápsula de reentrada da startup espanhola Orbital Paradigm. A ISRO informou que a análise completa dos dados será divulgada assim que a investigação técnica for concluída.