há uma hora
Amanda Martins

A saída precoce de Alex do comando do Operário-PR, após apenas quatro jogos e 15 dias na temporada, escancarou mais uma vez o imediatismo que domina o futebol brasileiro. Em entrevista exclusiva ao ge, o treinador analisou a demissão e deixou claro que, embora o desligamento tenha ocorrido de forma abrupta, o desfecho era previsível diante da cultura de cobrança por resultados instantâneos.
Sem nenhuma vitória no início do Campeonato Paranaense e pressionado por ser o atual campeão estadual, o clube optou por interromper um trabalho recém-iniciado. Para Alex, a decisão reflete menos o desempenho a longo prazo e mais a incapacidade estrutural do futebol nacional de sustentar processos. “É a cultura futebolística, em um torneio muito curto. Quando os resultados não acontecem, isso se torna inevitável”, afirmou.
O treinador também rebateu, de forma indireta, a ideia de fracasso técnico ao relembrar a campanha da temporada passada, que sustentou sua permanência no cargo. Segundo ele, o desempenho de 2025 foi equilibrado e cumpriu o que havia sido acordado com a diretoria. Ainda assim, a sequência de resultados recentes foi suficiente para descartar todo o trabalho anterior, evidenciando a fragilidade dos projetos esportivos.
Ao contextualizar o momento, Alex comparou a situação à própria carreira como jogador, marcada por períodos de sucesso e fases turbulentas. Para o ex-meia, não existe evolução sem instabilidade, mas o futebol brasileiro insiste em ignorar esse princípio, apostando em soluções rápidas e mudanças constantes no comando técnico.
O episódio também expõe a contradição do mercado nacional. Mesmo demitido, Alex revelou que passou a receber sondagens minutos após o anúncio oficial da sua saída, o que reforça o ciclo vicioso de trocas frequentes e pouca continuidade. “É a loucura que o futebol brasileiro é”, resumiu.
Alex encerrou sua passagem pelo Operário-PR após sete meses de trabalho, com 30 jogos no comando, oito vitórias, 11 empates e 11 derrotas, alcançando 38,8% de aproveitamento. A demissão relâmpago, mais do que um episódio isolado, reforça a lógica imediatista que segue ditando os rumos do futebol no país.