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Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2024

D’P Cena Local: Afinal, quem foi Germano Krüger?

2023-10-20 às 10:47
Germano Krüger com o filho Evaldo e casamento com Elia Adélia von der Osten Krüger. Fotos: Antigamente em Ponta Grossa.

Ele dá nome ao estádio do Operário Ferroviário Esporte Clube, mas nem todos sabem quem foi o homem que mudou a história de Ponta Grossa

Por Elisângela Schmidt

O engenheiro que seguiu o caminho do pai e foi capaz de mudar o rumo da vida de operários e de uma parte importante da história de Ponta Grossa. Germano Ewaldo Krüger aprendeu cedo a operar grandes projetos, foi engenheiro da antiga rede ferroviária, a RRFSA, e seguiu o caminho do pai, o também engenheiro Ewaldo Krüger, responsável pelo início da construção da locomotiva a vapor n° 250, nos anos 30.

O sonho do pai em ver a locomotiva funcionando passou a ser o projeto do filho. Com a morte de Ewaldo, Germano ficou responsável por concluir a construção da Maria Fumaça, e, quatro anos após a morte do pai, a locomotiva estava finalizada. Em 1942, a “250” puxava até oito vagões de carga pela ferrovia.

Incentivo ao esporte

Mas um novo projeto esperava para sair do papel. Como grande incentivador dos esportes e chefe das oficinas na rede ferroviária, Germano passava boa parte de seu tempo na Vila Operária, local onde estavam estabelecidos o pavilhão e as casas dos trabalhadores. Nas proximidades, havia o campo do então Operário Foot-ball Club, região onde atualmente estão localizados o Cine-Teatro Pax e a Igreja São Cristóvão.

Em 1938, para trazer mais desenvolvimento e melhores condições para a Vila Operária, que já se encontrava com espaço limitado, Germano negociou um novo terreno com a rede ferroviária. Embora excelente, a localização trazia alguns problemas, pois a área possuía um grande olho d’água. Diante disso, fez-se necessária a construção de uma nova linha de trem no local, para facilitar a colocação de terra e concreto.

Como não se ergue um estádio sozinho, Germano precisou da ajuda dos operários nesta nova empreitada. Para angariar fundos, a solução foi a criação de um caixa em que os trabalhadores pagavam mensalmente para serem sócios do que futuramente seria o clube dos ferroviários.

O médico e pesquisador da história do Operário Ferroviário Esporte Clube (OFEC), Ângelo Luiz de Col Defino, conta que Germano pagou horas extras em dobro aos funcionários, para que as obras ocorressem de forma adequada. A estrutura, composta por arquibancadas de madeira, foi pensada para que na parte inferior do estádio também se construísse um salão para reuniões e bailes.

A inauguração do Estádio de Vila Oficinas aconteceu em 1941, sob a presidência do próprio Germano Krüger, que ocupou o cargo por três gestões, de 1937 a 1941.

Homenagem

Somente em 1966 os associados levaram à diretoria do clube a proposta de homenagear o responsável pela construção do estádio. A ideia foi prontamente atendida, e assim o estádio do OFEC passou a se chamar Estádio Germano Krüger.

Um ano após receber essa homenagem, em 1967, Germano faleceu. Mas o que poucos sabem é que a causa da morte foi um tanto inusitada. Quando voltava de uma pescaria de fim de semana, ele foi picado por uma cobra Jararacuçu. Germano chegou a ser levado a um hospital da região, mas 30 dias depois veio a falecer.

Com os títulos e nomeações em seus devidos lugares, Ponta Grossa tem o privilégio de homenagear o engenheiro que engrandeceu a Vila dos Operários e deu um grande presente a todos os ponta-grossenses e operarianos. A cada apito de início de jogo no estádio, uma homenagem é feita a Germano Krüger.

Conteúdo publicado originalmente na Revista D’Ponta #297