há 2 horas
Amanda Martins

No dia 20 de janeiro de 2016, no Estádio Lockhart, em Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, o apito final da vitória do Internacional por 1 a 0 sobre o Fluminense, pelo Torneio da Flórida, encerrou de forma silenciosa um dos capítulos mais emblemáticos da história do futebol. Segundo o GE, sem anúncio oficial e longe dos grandes palcos, Ronaldinho Gaúcho fazia ali sua última partida como jogador profissional, fato que só seria compreendido plenamente com o passar do tempo.
Vestindo a camisa 100 do Fluminense, Ronaldinho entrou em campo de maneira discreta, em um torneio amistoso que acabou ganhando peso simbólico. Embora a aposentadoria só tenha sido anunciada oficialmente dois anos depois, aquele jogo marcou, na prática, o adeus de um dos maiores gênios do futebol mundial. A presença do craque no torneio fazia parte de um acordo firmado ainda durante sua contratação, mesmo após a rescisão do contrato com o clube carioca no fim de 2015.
A passagem de Ronaldinho pelo Fluminense foi breve e cercada de expectativa. Anunciado com festa no Maracanã, em julho de 2015, antes de um clássico contra o Vasco, o jogador não conseguiu repetir em campo o futebol que o consagrou mundialmente. Ao todo, disputou nove partidas oficiais pelo clube, sendo oito pelo Campeonato Brasileiro e uma pela Copa do Brasil, antes de rescindir o vínculo em setembro daquele ano.
Mesmo sem grande rendimento técnico, a presença de Ronaldinho provocou impacto fora das quatro linhas. Segundo relatos de ex-companheiros, o movimento em Laranjeiras aumentou significativamente, e o período é lembrado com carinho por parte da torcida. Internamente, o jogador também ficou marcado pela postura acessível e pela relação próxima com atletas mais jovens, como Danielzinho, então destaque das categorias de base.
O retorno ao Fluminense em janeiro de 2016 ocorreu exclusivamente para cumprir o acordo do Torneio da Flórida. Sem vínculo formal e distante da rotina do elenco, Ronaldinho se apresentou na véspera da competição e entrou em campo duas vezes: no empate por 1 a 1 com o Shakhtar Donetsk e, dias depois, na derrota para o Internacional, seu último jogo oficial. Assim, quase como um episódio improvável, encerrava-se a carreira de um jogador que transformou o futebol em espetáculo.
Revelado pelo Grêmio, Ronaldinho brilhou no Paris Saint-Germain e viveu o auge no Barcelona, onde conquistou a Liga dos Campeões e foi eleito duas vezes o melhor jogador do mundo pela Fifa. Campeão da Copa do Mundo de 2002 com a Seleção Brasileira, também deixou sua marca por clubes como Milan e Atlético-MG, além de títulos continentais e nacionais. As atuações na Flórida, embora discretas, selaram o fim de uma trajetória que marcou gerações e permanece viva na memória do futebol.