Quinta-feira, 07 de Julho de 2022

Confinamento imposto pela pandemia aumentou casos de miopia em crianças, afirma oftalmologista Dr. Gianmarco Penteado

17/06/2022 às 14:10
Foto: Eduardo Vaz

O médico oftalmologista Dr. Gianmarco Penteado participou de bate-papo durante o programa Manhã Total, apresentado por João Barbiero e Eduardo Vaz, na Rádio Lagoa Dourada FM (105.9 e 90.9), nesta quinta-feira (17).

Como consequência do confinamento imposto pela pandemia de Covid-19, as crianças passaram a ter aulas on-line, usando celulares e tablets e, segundo o oftalmologista, isso causou um ‘boom’ nos casos de miopia nos pequenos. “Estes aparelhos iluminam só a parte posterior do olho e as fibras do olho que evitam que ele cresça, estão na periferia do olho e não no fundo. Vi crianças com 1 grau, e seis meses depois avançaram para 2,5 graus de miopia”, afirma o médico destacando que além do fator genético, a miopia também pode ser desenvolvida por estímulos externos.

Assim, o contato com a luz natural é essencial. “A gente viu que as crianças confinadas, sem a radiação ultravioleta normal, não olhando diretamente para o sol, mas fazendo atividade ao ar livre, as fibras escleróticas que impedem que o olho cresça, não foram estimuladas a crescer, então o olho começou a ficar alongado e teve o aumento da miopia”, pontua.

É importante ficar atento aos sinais que as crianças demonstram quando apresentam miopia, que envolvem “franzir os olhos na frente da TV para assistir, chegar próximo da TV para assistir, a letra do caderno está maior, levantar da carteira para copiar a matéria mais próximo do quadro e dor de cabeça após a aula, geralmente entre os olhos e na testa”, explica o médico.

Sequelas da Covid

Dr. Gianmarco explica que, com a Covid, também houve aumento de casos de retinite, que é inflamação na retina; neurite óptica; paralisia facial; além de reinfecção por herpes zoster, que é o vírus da varicela. “Nos idosos, este vírus fica alojado em alguns nódulos nervosos, um deles é o nervo trigêmeo, pode atacar a face e causar inflamação na parte vascular do olho, que é a parte pigmentar do olho. Houve um aumento de casos de ceratite, que é o processo inflamatório na córnea e conjuntivites”, afirma.

Conjuntivite

Além disso, com a chegada do outono, houve um aumento no número de casos de conjuntivites virais, revela o médico. “Tem um ‘primo’ do vírus da gripe, o Adenovírus, ele causa febre faringoconjuntival, então dá conjuntivite, faringite, e um nódulo geralmente na frente do ouvido, doloroso, e geralmente uma semana de evolução. Fazia muito tempo que eu não via esses quadros. Para evitar é fazer a higienização das mãos”, orienta.

Ceratocone

No mês de junho acontece a campanha de conscientização sobre o ceratocone, o Junho Violeta, uma doença que atinge a córnea dos pacientes. “A córnea fica ‘bicuda’ com alto grau de astigmatismo, em pessoas que têm muita alergia e que coçam muito os olhos. Por isso a gente frisa: não coce os olhos, além de levar sujeira, com a massagem dos olhos vai aumentar o tamanho da curvatura da córnea e o desenvolvimento do ceratocone”, alerta Dr. Gianmarco. “É uma doença grave. A visão fica completamente distorcida, você tem que fazer procedimentos cirúrgicos com o implante de anel, ou lentes de contato rígidas e em casos mais severos, transplante de córnea”, completa.

Quando procurar um oftalmo?

Dr. Gianmarco Penteado enfatiza que as crianças devem passar por consultas com um médico oftalmologista no primeiro, terceiro, quinto e sétimo ano de vida. Depois dessa idade, a recomendação é realizar exames oftalmológicos uma vez ao ano. “Na idade adulta, se você está lendo um livro e olha longe, para a legenda da televisão e demora para focalizar, pode ser manifestação de astigmatismo. Se está dirigindo de noite, na chuva, se a sua acuidade visual não estiver plena, você pode ter reflexos diminuídos. É importante você mesmo notar os sintomas, mas independente disso, vale a pena passar por um exame ao ano”, orienta.

Confira a entrevista na íntegra: