Sábado, 25 de Junho de 2022

D’P Pessoas: Padre Claudemir do Nascimento Leal

13/06/2022 às 16:51
Foto: Paola Antunes

por Michelle de Geus

Nascido em família católica, o padre Claudemir do Nascimento Leal sentiu o chamado de Deus em sua vida desde cedo. Aos 17 anos, ele ingressou no seminário diocesano, onde encontrou a sua verdadeira vocação. Foram dez anos de estudos e intensa comunhão com o Espírito Santo até ser ordenado padre e começar a trabalhar na paróquia Santa Terezinha, em Ponta Grossa. Em seguida, ele também passou pelas paróquias Santana, em Castro, e Nossa Senhora dos Remédios, em Tibagi. Há 18 anos ele é o responsável pela paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, localizada na região do bairro Órfãs, na cidade princesina, onde desenvolveu uma relação de carinho e companheirismo com os fiéis. Na conversa a seguir, padre Claudemir relembra a infância em Tupã, no interior de São Paulo, os tempos de seminarista e a experiência de conhecer de perto a Madre Tereza de Calcutá, entre outros assuntos.

Como foi a sua infância? Que lembranças o senhor tem dessa época?

Nasci em Tupã, no interior de São Paulo, e a minha infância foi muito simples. Venho de uma família de pessoas muito pobres, mas muito esforçadas. Às vezes, eu via os filhos dos vizinhos com coisas que, para nós, era impossível ter, mas Deus sempre nos amparou. As lembranças que eu tenho dessa época são de uma infância sem muitos recursos, mas de uma presença da Providência Divina muito grande.

Em que momento o senhor recebeu o chamado para a vida sacerdotal?

Desde muito cedo eu recebi o chamado, por incentivo de umas irmãs religiosas que atuavam no colégio onde eu estudava. Quando tinha uns dez anos, eu já pensava na possibilidade de me tornar padre. Esse sentimento aumentou quando comecei a participar de um grupo de jovens no núcleo Santa Luzia, onde fomos morar, e decidi fazer a experiência no seminário.

“O que me atraiu no sacerdócio, em um primeiro momento, foi a possibilidade de fazer algo diferente de muitos”

 

O que lhe atraiu na vida sacerdotal ainda tão jovem?

O que me atraiu no sacerdócio, em um primeiro momento, foi a possibilidade de fazer algo diferente de muitos. Depois foi crescendo em mim a vontade de ajudar os outros a terem as mesmas experiências com Deus que eu tinha.

Durante o tempo em que viveu na Itália, o senhor conheceu a Madre Tereza de Calcutá. Como foi essa experiência?

Em 2000, eu me mudei para a Itália para fazer um mestrado e fiquei lá por três anos. Conheci a Madre Tereza de Calcutá de perto, mas não cheguei a conversar com ela. Eu estava visitando uma de suas obras em Roma, próximo de onde eu morava, e de repente ela chegou para visitar também. Foi um susto e uma alegria muito grande. Uma mulher verdadeiramente de Deus, e isso se via até no semblante dela.

De volta ao Brasil, o senhor assumiu o comando da paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Como ela estava nessa época?

A paróquia, em termos de estrutura pastoral, estava muito bem. Tinha passado por aqui um padre chamado Sílvio Mocelin, que a organizou de forma exemplar. No entanto, a situação estava complicada em termos materiais, precisando de reforma e infraestrutura.

Como é a experiência de conduzir uma paróquia como a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro?

Trabalhar com a presença de muitas lideranças e, principalmente, com a presença da graça de Deus fica muito fácil. Fomos criando uma estrutura de pessoas bem formadas que dão a vida aqui.

Qual foi o momento mais marcante que o senhor viveu na paróquia?

O momento mais marcante vivido aqui, sem dúvida, foi agora durante a pandemia. Nós perdemos 54 pessoas somente aqui ao redor da paróquia. Foram momentos muito difíceis e complicados.

“O maior desafio do sacerdócio é tentar dar uma resposta a partir da palavra de Deus para as coisas novas que o mundo está vivendo, tentar dar uma mensagem que, muitas vezes, as pessoas não querem ouvir”

 

Quando o senhor não está trabalhando na paróquia, quais são as suas atividades preferidas?

Quando não tenho muitas atividades, eu gosto de ler, estudar, ouvir música, estar com pessoas e viajar.

Na opinião do senhor, quais são os maiores desafios da vocação sacerdotal?

O maior desafio do sacerdócio é tentar dar uma resposta a partir da palavra de Deus para as coisas novas que o mundo está vivendo, tentar dar uma mensagem que, muitas vezes, as pessoas não querem ouvir.

Que lições o senhor aprendeu trabalhando em favor dos outros durante todos esses anos?

Trabalhar para os outros é uma satisfação muito grande, principalmente quando é por inspiração da Palavra de Deus. O sacerdote é convidado a ser a presença viva de Deus na vida das pessoas, procurando saciar as suas necessidades para que elas também tenham uma experiência de comunhão.

Conteúdo publicado originalmente na Revista D’Ponta #290 Junho de 2022.