Domingo, 26 de Maio de 2024

D’P Política: Capitão Saulo – Soldado da Renovação

2022-09-08 às 17:53

Vice-prefeito de Ponta Grossa e oficial da reserva da Polícia Militar, Capitão Saulo lança pré-candidatura a deputado federal com o ideal de renovar a política paranaense e defender valores tradicionais como Deus, pátria e família: “Chega dos mesmos”

Por Michelle de Geus

Aos 44 anos de idade, Saulo Vinicius Hladyszwski, o “Capitão Saulo”, como é mais conhecido, deseja colocar em prática um grande ideal: mostrar que Ponta Grossa pode ir mais além. Conhecido pela atuação junto a crianças e adolescentes dentro do programa Patrulha Escolar Comunitária, do qual foi um dos fundadores, e do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD), onde participou da formação de mais de 150 mil alunos, Hladyszwski elevou o seu desejo de contribuir com a cidade a um novo patamar em 2020, quando disputou – e ganhou – o cargo de vice-prefeito nas eleições municipais. Ocupando o posto até o início deste ano, ele deixou o PSD, filiou-se ao Partido Republicanos para ser o presidente da sigla em Ponta Grossa e agora anuncia a sua pré-candidatura a deputado federal. Capitão reformado da Polícia Militar, onde atuou por 23 anos, Hladyszwski garante que está preparado para o novo desafio e afirma que pretende colocar à disposição do povo a sua experiência em segurança pública, os seus valores cristãos e conservadores, e a sua vontade de lutar por quem mais precisa.

Desde que declarou a sua intenção de concorrer às eleições de outubro, Capitão Saulo vem insistindo também na necessidade de renovar a política, tanto na esfera municipal quanto na esfera estadual. Na visão dele, a forma como o sistema está estruturado tende a beneficiar quem faz política há muito tempo e dificultar a entrada de novos nomes. “As estruturas dos partidos são propositalmente engessadas, hierárquicas e prontas para eleger somente os figurões políticos e talvez trazer um único novo nome a cada eleição”, avalia, acrescentando que as candidaturas independentes não são permitidas no Brasil e que, para disputar uma eleição, é obrigatório estar filiado a um partido político pelo menos seis meses antes do pleito. “É muito difícil você entrar em um partido se não for para trabalhar dentro de uma lógica pré-determinada, ou seja, a lógica de perpetuar no poder os mesmos nomes e as mesmas redes”, critica.

Sobre o assunto, Hladyszwski observa ainda que a prioridade dos partidos é fortalecer, com recursos do fundo partidário, quem já está no poder e consegue usar a máquina pública a seu favor. “Apesar de a minirreforma partidária ter estabelecido um teto para os gastos de campanha, disputar uma eleição de forma competitiva é extremamente caro, e os partidos não têm muito interesse em financiar novos candidatos”, detalha. “Você consegue imaginar como é difícil para mim, um novato, disputar com adversários que já têm mandato e todo um aparato funcionando a seu favor, desde sede física, assessores, rede de relacionamento com prefeitos, vereadores, governadores e até veículos de comunicação?”, questiona.

“Se eu for eleito, uma das minhas lutas será tornar realidade os compromissos com as pautas conservadoras. O brasileiro é conservador por natureza”

“A nossa democracia está doente, sugada por essas famílias que dominam a política e se perpetuam no poder. Eles só estão interessados em cuidar dos próprios interesses e não do povo”

Dinastias políticas

Capitão Saulo aponta ainda que, ao pesquisar sobre a política exercida no Paraná, descobriu que ela é dominada por grupos que chegam a governar por décadas. “A política é cada vez mais um negócio de família no nosso estado. Os candidatos de famílias políticas muito bem-sucedidas concentram uma estrutura de muito dinheiro e poder, que lhes possibilita continuar no comando por várias gerações”, relata, observando ainda que, em sua visão, essas famílias adotam estratégias para conquistar e manter os cargos políticos através de filhos e parentes por décadas, criando o que chama de “dinastias políticas”. “A nossa democracia está doente, sugada por essas famílias que dominam a política e se perpetuam no poder. Eles só estão interessados em cuidar dos próprios interesses e não do povo”, dispara.

A permanência dos mesmos grupos e nomes na política, segundo o Capitão, promove um atentado contra a democracia e inviabiliza novas candidaturas. “Um nome novo não consegue competir em igualdade de condições e isso prejudica a democracia, porque torna as disputas eleitorais desleais para quem deseja entrar na política”, explica, ressaltando que o controle da máquina pública resulta nas formas tradicionais de fazer política, como manutenção de currais eleitorais e pressão direta sobre o eleitor. “A política está marcada pelo forte controle do poder econômico, que está concentrado na mão de poucas famílias. O resultado disso é a influência direta sobre o eleitor e a redução da liberdade de escolha. É contra isso que eu vou lutar. Chega dos mesmos”, promete.

Por que federal?

Estudando mais a fundo o papel de cada um dos três poderes, o Capitão observa que percebeu ser possível implementar mudanças muito maiores como deputado federal do que estadual. “Eu tenho condições de fazer a diferença na vida das pessoas de maneira muito mais ampla. Tenho uma expertise muito grande na filosofia de policiamento comunitário e outras questões estruturantes que, através do Governo Federal, será possível implementar em todo o país”, exemplifica, acrescentando que já tem parcerias bem estabelecidas com deputados estaduais que estão no mandato ou que já estiveram no poder. “Hoje, eu acredito que a minha entrada no Legislativo é mais proveitosa como deputado federal. Eu sei que eu consigo alcançar mais pessoas e destinar um número maior de emendas para conquistar aquilo que a população precisa”, garante.

“Eu tenho condições de fazer a diferença na vida das pessoas de maneira muito mais ampla. Tenho uma expertise muito grande na filosofia de policiamento comunitário e outras questões estruturantes que será possível implementar em todo o país”

Além da expertise e da experiência, Hladyszwski destaca a sua identificação com o atual presidente Jair Bolsonaro. “Nós precisamos de guerreiros mais próximos do nosso presidente, pessoas que tenham a mesma filosofia de defesa da pátria, da família e dos valores cristãos”, aponta, salientando que os próximos anos serão decisivos para que as mudanças conquistadas até agora se perpetuem.

“Eu sei que tenho capacidade de fazer diferente de todos esses que estão aí. Deus está me conduzindo e eu tenho certeza que vou sair vencedor”

Perfil conservador

E, por falar em valores, Capitão Saulo garante que o seu perfil de homem cristão, conservador e defensor da liberdade e da família guiará a sua atuação como deputado federal, caso seja eleito. “O brasileiro é conservador por natureza. O nosso povo defende a vida desde a concepção; não quer ver a sua família envolvida com vícios mortais; busca oferecer aos filhos uma educação moral; e deseja viver em segurança, acreditando que os criminosos serão responsabilizados pelas escolhas erradas que fizeram”, sublinha, afirmando ainda cabe aos políticos primar por Deus, pátria e família. “A família como principal pilar constituinte da nossa sociedade; Deus acima de tudo; e a nossa pátria como um lugar cada vez melhor para se viver”, explica.

Dentro da temática conservadora, Hladyszwski destaca ainda que a classe política não pode mais alegar que não sabe quais são as bandeiras defendidas pelo brasileiro. “Se eu for eleito deputado federal, uma das minhas lutas será tornar realidade os compromissos com as pautas conservadoras, porque o comportamento identitário da esquerda, com as suas teorias sobre gêneros, o seu feminismo extremado e o seu racialismo radical, vem ultrapassando todos os limites em sua busca por subverter os padrões e desestabilizar a ordem social”, opina.

Segurança pública

Em termos mais concretos, Capitão Saulo destaca que, caso seja eleito, atuará fortemente na questão da segurança pública, uma de suas maiores especialidades e um dos grandes anseios do eleitor brasileiro. “Eu sei a importância de se trabalhar com a criança e o adolescente para que eles não sejam futuros egressos do sistema penal. A principal entrada no mundo do crime se dá pelas drogas, daí a importância de se investir em prevenção e destinar verbas para programas que dão certo, como o PROERD, que é reconhecido pela ONU [Organização das Nações Unidas] por sua eficácia na prevenção primária contra as drogas e a violência”, explica.

O Capitão ressalta que é preciso dar um passo adiante e entender a criminalidade como um conjunto de fatores. “A segurança pública se faz também aparelhando outros órgãos de proteção à criança e ao adolescente, além de investimentos em áreas que influenciarão nessas questões, como saúde e educação”, opina, complementando que deseja dar continuidade aos projetos ligados ao Exército Brasileiro e à vinda de outras estruturas das Forças Armadas a Ponta Grossa.

Saúde pede socorro

Hladyszwski também pretende dar atenção especial à saúde, que, na avaliação dele, é o “maior problema” de Ponta Grossa. “Certamente o maior problema que temos na cidade é a saúde. A meu ver, foram tomadas algumas decisões prematuras que acabaram colapsando o sistema”, aponta, referindo-se ao fechamento do Hospital Municipal Doutor Amadeu Puppi sem a garantia de que haveria vagas nos demais hospitais para internamento e cirurgias. “Infelizmente, hoje nós vemos pessoas ficando dez ou 15 dias internadas em uma UPA [Unidade de Pronto Atendimento], que não é o lugar e não tem estrutura para isso. É um ponto muito sensível, mas eu tenho um projeto para que, a partir das próprias emendas parlamentares, seja possível trabalhar essa questão”, revela.

Escassez de recursos

Outro problema levantando pelo Capitão é a escassez de recursos públicos. Segundo a Secretaria Municipal da Fazenda, 2021 foi o ano em que Ponta Grossa recebeu menos verbas parlamentares. “Com isso é possível perceber a importância de elegermos representantes que são daqui. E os 600 mil eleitores que fazem parte dos Campos Gerais têm condições plenas de eleger pelo menos quatro deputados federais”, afirma, sugerindo ainda que os eleitores votem em candidatos próximos a eles e que conheçam os problemas da população. “Eu abdiquei da minha carreira para fazer ainda mais pelas pessoas, e podem ter certeza que, se eu já fiz muito durante os meus 23 anos de Polícia Militar, vou fazer ainda mais como deputado federal”, promete.

Combate às drogas e à criminalidade

Foi durante a sua carreira como oficial da Polícia Militar que Hladyszwski ganhou notoriedade como um dos responsáveis pela consolidação do PROERD na cidade. Ele assumiu o projeto em 2007 e, durante a sua gestão, Ponta Grossa se tornou o único município capaz de formar 100% dos alunos das escolas municipais, chegando a atender oito mil crianças em um só ano. “Um dos grandes problemas que nós temos é o tráfico de drogas, o consumo dessas substâncias e os seus crimes satélites. Quando a pessoa não tem como sustentar o seu vício, ela passa a roubar, furtar e a cometer diversos crimes contra o patrimônio. Eu comecei a perceber que não adianta simplesmente prender o marginal que comete delitos em função da droga. É preciso atuar com crianças e adolescentes para que eles não se tornem viciados, diminuindo assim procura pela droga e a sua comercialização”, explica.

Sob o comando do Capitão, o programa Patrulha Escolar Comunitária também conseguiu formar 100% dos alunos das escolas estaduais de Ponta Grossa. Os trabalhos foram iniciados em apenas duas cidades – Ponta Grossa e Carambeí – e, em 2020, Hladyszwski entregou a 5o Companhia do Batalhão de Patrulha Escolar Comunitária com 72 municípios. “É um motivo de grande orgulho ter conseguido abrir frente em várias dessas cidades, tanto na Patrulha Escolar quanto no PROERD”, comemora.

“Nós precisamos de guerreiros mais próximos do nosso presidente, pessoas que tenham a mesma filosofia de defesa da pátria, da família e dos valores cristãos”, diz Capitão Saulo sobre a sua identificação com o presidente Jair Bolsonaro

Experiência no Executivo

Em 2020, Hladyszwski aceitou o desafio de concorrer nas eleições municipais com a prefeita Elizabeth Schmidt, tornando-se o seu vice. A experiência, segundo ele, trouxe-lhe um grande aprendizado e amadurecimento. “Por algumas vezes, encheu-me de orgulho a simplicidade de trocar uma tampa de bueiro ou uma lâmpada. Coisas pequenas, mas que, para aquela comunidade em específico, eram necessidades”, lembra, recordando também uma das primeiras grandes ações de vacinação contra a COVID-19 no município. “Estive lá com as nossas enfermeiras e com os voluntários que estavam nos ajudando. Teve um momento que choveu tanto que a água já estava batendo acima da canela e nós perseveramos. Foi fantástico”, relata.

No entanto, Hladyszwski confessa que gostaria de ter realizado mais coisas, especialmente no momento que por um período de dez dias, por conta de compromissos de Elizabeth, assumiu o comando do Executivo. “Quando a prefeita se ausentou, tirou o secretário de Administração, da Fazenda e o procurador. Sem esses três entes dentro da estrutura administrativa, não há como fazer nenhuma mudança”, conta. “Eu me senti de mãos amarradas e sei que isso não vai mudar. Eu me senti usado em um momento eleitoral para que o meu nome fortalecesse a chapa, e não me deram espaço”, afirma.

Apesar da frustração, o Capitão observa que encara tudo isso como um grande aprendizado. “Eu percebi que praticamente tudo acontece no Executivo, até mesmo a questão das emendas. Nós precisamos de bons projetos para destinar verbas e realmente melhorar a vida das pessoas, e para que o dinheiro seja investido em melhorias para a população”, aponta.

O líder para o momento

Sobre a pré-candidatura a deputado federal e o futuro na política, Hladyszwski diz que está confiante na eleição e avalia o cenário político-partidário como favorável. “Eu sei o trabalho que desenvolvi a vida inteira e do potencial que tenho para trabalhar, mas, principalmente, tenho certeza que as pessoas precisam de um líder político como eu me apresento neste momento, alguém temente a Deus e de princípios”, avalia, acrescentando que confia na proximidade que tem com a população e no olhar “diferenciado” que adquiriu como policial militar. “É preciso buscar apoiadores e saber onde se tem prestígio dentro das comunidades para que isso se transforme em voto e confiança. E isso é algo que eu tenho muito bem consolidado”, opina.

Juramento

“Eu jurei em frente à bandeira nacional por duas vezes que entregaria a minha própria vida pelo meu povo e por aqueles que mais precisam. Esses dois juramentos continuam válidos e é isso que eu estou fazendo”, declara. Esse juramento soma-se ao desafio que ele atribuiu a si mesmo de ajudar a criar um futuro melhor para os seus filhos, netos e todas as crianças. “Eu sei que tenho capacidade de fazer diferente de todos esses que estão aí. Deus está me conduzindo e eu tenho certeza que vou sair vencedor. Ou melhor: já sou vencedor por ter tido a oportunidade de ajudar tantas pessoas. Mas sei que eu posso ir ainda mais longe. É o início de uma bela trajetória que mudará a história da nossa cidade, do nosso estado e do nosso país”, conclui.

“O maior problema que temos na cidade é a saúde. É um ponto muito sensível, mas eu tenho um projeto para que seja possível trabalhar essa questão”

Conteúdo publicado originalmente na Revista D’Ponta #290 Agosto de 2022.