Sexta-feira, 14 de Junho de 2024

Releia entrevista exclusiva com Elizabeth Schmidt sobre suas propostas para PG, visão política e trajetória profissional

2020-08-28 às 17:17

Neste domingo (29), a professora Elizabeth Schmidt (PSD) tornou-se a primeira mulher a ser eleita prefeita na história de Ponta Grossa. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ela obteve 87.932 votos, o equivalente a 52% dos votos válidos, enquanto Mabel Canto (PSC) conquistou 79.929 votos, o que representa 48% dos votos válidos. 

Em agosto último, Elizabeth concedeu uma entrevista exclusiva para a edição 283 da revista D’Ponta, publicada pelo Grupo Barbiero Comunicações, ao qual pertence também o portal D’Ponta News. Na ocasião, a então pré-candidata à Prefeitura de Ponta Grossa falou sobre a sua trajetória, o seu plano de governo e as suas propostas para o município.

Confira a seguir: 

Transformar Ponta Grossa em um município inteligente, sustentável e acolhedor. Esse é um dos sonhos da professora Elizabeth Schmidt (PSD). Desde que assumiu o cargo de vice-prefeita do governo Marcelo Rangel (PSDB), em 2017, ela vem conquistando reconhecimento por ser engajada e atuante. Agora, a professora dá um novo passo e se coloca como pré-candidata a prefeita do município nas próximas eleições, previstas para começarem no dia 15 de novembro.

Elizabeth já esteve no comando de três secretarias municipais: de Cultura, de Turismo e de Administração, nas quais deixou marcas de eficiência, avanço e sucesso. O motivo pelo qual entrou na vida pública, segundo as suas próprias palavras, foi “a certeza de que é possível fazer a diferença na vida das pessoas”. Com as raízes no magistério, é nas salas de aula que ela busca força e inspiração para aquele que considera a maior desafio de sua vida: buscar o desenvolvimento do município e governar para as pessoas e pelas pessoas.

Movida pelo sonho de ver Ponta Grossa “sendo a melhor cidade para se viver”, Elizabeth acredita que a sua candidatura a prefeita é algo natural. “Vivo intensamente, colocando a minha experiência de vida a serviço de Ponta Grossa todos os dias. Vou aceitar essa candidatura como uma importante missão, com certeza a mais importante da minha vida”, afirma. Na entrevista a seguir, ela dá mais detalhes sobre a sua trajetória, a sua visão política e os seus sonhos para Ponta Grossa.

Antes de entrar para a vida pública, a senhora foi professora. O que a experiência nas salas de aula lhe ensinou?

A sala de aula foi minha base. No magistério, trabalhei desde a educação infantil até o ensino superior e pós-graduação, me tornando experiente para lidar e lutar pelas pessoas com as causas justas, conhecendo a realidade da sociedade onde vivemos. Consegui manter a mente jovial, em meio ao desafio de conviver com pessoas mais jovens. Aprendi a acreditar sempre nas pessoas, e ajudá-las a acreditar no seu próprio potencial. Quando um aluno chega à escola, muitas vezes ele não consegue dimensionar o seu potencial ou acreditar em suas possibilidades. O papel do professor não é apenas instruir, mas também contribuir para a busca do conhecimento e do autoconhecimento. Ou seja, a minha experiência como professora para a vida pública não é ensinar o próximo, mas com sabedoria extrair o melhor de cada um, inclusive de mim mesma.

Como surgiu o interesse por política? A senhora já debatia esse tema com os alunos?

Como professora de Sociologia, sempre trabalhei com os fenômenos políticos na sociedade, levando meus alunos a refletirem sobre as transformações que ocorrem nas sociedades humanas, sempre evidenciando a estreita relação que existe entre as questões individuais e as questões sociais. E a política é inerente a todo o cidadão. Tudo o que fazemos é político. As relações de trabalho são políticas, as relações domésticas são políticas. Quando um irmão e uma irmã se posicionam de forma diferente diante de uma questão qualquer, estão fazendo política. Quando um pai escolhe uma determinada ação para orientar seu filho, está fazendo política. Quando você dirige um carro, faz compras, escolhe cores, está pensando de modo político. Infelizmente, toma-se por regra que “política partidária” é algo ruim por natureza. Não é. Muitas vezes há métodos, pessoas e ideias prejudiciais no meio político-partidário. Mas há métodos, pessoas e ideias ruins e prejudiciais em todos os meios. É preciso entender que política partidária também é uma atividade inerente ao ser humano, que se relaciona com outros seres humanos, não é uma carreira ou uma profissão, e deve ser visto como um trabalho que possibilita mudar a vida da população.

O que lhe motivou a entrar para a vida pública?

A certeza de que é possível fazer a diferença na vida das pessoas. Professores têm essa certeza em seus corações, e justamente por isso abraçaram essa profissão. Eu vi na oportunidade de atuar na vida pública um caminho para ser ainda mais eficiente nesse esforço. Creio que é uma vocação, assim como o magistério.

“Com uma importante liderança política em Ponta Grossa, a vice-prefeita Elizabeth Schmidt possui experiência e sabedoria para gestão, representando desenvolvimento para a cidade”
Ratinho Junior, governador do Paraná (Foto: Divulgação)

O que motivou a senhora a lançar a sua pré-candidatura a prefeita de Ponta Grossa?

O meu sonho é ver Ponta Grossa sendo a melhor cidade para se viver. A minha candidatura, este ano, sempre foi vista como algo natural. Tenho confiança na minha cidade e a convicção de que conheço, com a experiência que acumulei, os caminhos para consolidar o que foi avançado e ir muito além. Assumi a prefeitura nas ausências do prefeito, com conhecimento de causa, sempre atuando lado a lado com ele e com a equipe na administração da cidade. Foram mais de 100 dias na condição de prefeita em exercício. Essa relação direta com o prefeito, com os vereadores, com o secretário Sandro Alex e com o governador Ratinho Junior possibilitou que o meu nome se fortalecesse para representar o grupo nessas eleições. Vivo intensamente, colocando todos os dias a minha experiência de vida a serviço da cidade de Ponta Grossa. Vejo que está sendo uma decisão colegiada em vários núcleos: familiar, social, político e os apoiadores em toda a cidade. O destino está conduzindo dessa forma a minha vida. Na convenção partidária, sendo confirmado o meu nome como candidata a prefeita, vou aceitar essa indicação como uma importante missão, com certeza a mais importante da minha vida.

“A professora Elizabeth desempenha um papel fundamental na gestão, com participação ativa nas maiores conquistas e vitórias de Ponta Grossa nos últimos anos. Elizabeth Schmidt é a garantia da continuidade do progresso da nossa cidade”
Marcelo Rangel, prefeito de Ponta Grossa (Foto: Paola Antunes)

Caso a senhora seja eleita, quais devem ser as prioridades do seu governo?

Diante do atual momento que vivemos, onde precisamos nos reinventar socialmente, se faz necessária a atuação de um gestor experiente, determinado, comprometido com um projeto de futuro a longo prazo. Isto significa persistir no incremento de políticas públicas consistentes, inovadoras, sustentáveis, colaborativas, que aglutinem todos os grupos sociais. Serão prioridades o acesso à cidadania e a qualidade de vida, sobretudo por meio de uma rígida e dedicada disciplina de execução e acompanhamento de metas em todas as áreas da administração municipal. Não podemos esquecer de valorizar a maior riqueza desta terra: a sua gente trabalhadora e solidária. São áreas prioritárias a infraestrutura, principalmente pavimentação, saúde, educação, segurança, inclusão e emprego. Plano de cargos e salários e nova licitação do transporte público são pautas imprescindíveis. A visão de nosso governo será oferecer instrumentos para a prosperidade, oportunizando o crescimento de nosso povo por meio da qualificação da mão de obra, do incentivo ao primeiro emprego e do estímulo ao empreendedorismo, fortalecendo setores vitais da economia, como a indústria, comércio, serviços e o agronegócio. A partir dessas premissas, pretendo acabar com o descompasso entre eleitores e eleitos, na busca de alcançar um projeto de cidade, e não um projeto de poder.

“A vice-prefeita Elizabeth Schmidt tem como marca a busca constante pelo melhor resultado. O seu compromisso com o desenvolvimento de Ponta Grossa é inegável”
Sandro Alex, secretário estadual de Infraestrutura e Logística (Foto: Divulgação)

Que desafios a senhora imagina que pode enfrentar durante uma eventual gestão sua?

O rebote dessa pandemia afetará todos os setores da nossa vida. Os desafios não serão mais os de sempre, serão novos e maiores. Muito maiores. E, para isso, é inteligente e necessário contar com alguém experiente e com serenidade para que todos esses desafios sejam ultrapassados.

Quais são os planos da senhora para a cidade?

Temos muitos planos e projetos que virão a público no momento adequado. As propostas foram cuidadosamente avaliadas, não sendo tratadas como suposições, mas, sim, como propostas exequíveis para o Executivo na gestão vindoura, levando em conta a consolidação de projetos bem-sucedidos da atual gestão, a adaptação de projetos e ações que tiveram resultados moderados e a criação de novas ações que viabilizem o grande desafio de transformar Ponta Grossa em uma cidade inteligente, sustentável e acolhedora. Diante dos desafios da administração pública, observo a necessidade de uma gestão que priorize a inovação e a criatividade, com princípios da verdadeira gestão pública como norte. Vou lutar pelo desenvolvimento urbano consciente; democratizar a decisão, o poder e o emprego de recursos públicos; ser socialmente justa; humanizar o atendimento ao cidadão; e gerir com responsabilidade e seriedade o dinheiro público – a começar pela racionalização da própria máquina pública, que pode e vai ser modernizada, usando a tecnologia para garantir agilidade e transparência. Sempre é importante humanizar os serviços públicos, compreendendo a realidade dos bairros e de seus habitantes, ouvir os seus anseios e fazer o que é preciso. A visão de nosso governo é oferecer instrumentos para a prosperidade, oportunizar o crescimento de nosso povo, desenvolver o município conscientemente e governar para as pessoas e pelas pessoas. Todas as pessoas. Pessoas que estão em movimento.

A senhora já esteve à frente das pastas de Cultura e de Turismo. Quais foram principais conquistas daquela época?

A minha passagem pelas secretarias de Cultura, de Turismo e de Administração e Recursos Humanos, como gestora, foi um diferencial para minha vida, com importantes conquistas, que não conseguirei descrever em poucas palavras. Na época, Ponta Grossa esteve entre as dez melhores cidades do Brasil, em relação aos mecanismos de participação popular na administração da cultura. Incentivamos as produções culturais locais, projetos e programas importantes, como o ‘Dança Sem Limites’, ‘Concurso de Bandas’, na Munchenfest, o ‘Sexta às Seis’, ‘Bandas de Garagem’; lançamos vários editais nas áreas da literatura, com produção de mais de 50 livros e com quase 100 obras adquiridas para o acervo; nas artes plásticas, promovemos várias exposições e concursos; fizemos concursos de fotografia; e fomentamos a produção de 20 videodocumentários, dezenas de espetáculos de teatro, música, circo e dança, revelando novos talentos, além de ratificar os já consagrados. Artista consagrado, por sinal, foi o que não faltou em Ponta Grossa. O Cine-Teatro Ópera contou com programação extraordinária: na área do teatro, da dança, da música e das artes plásticas. Por exemplo, tivemos o Balé do Teatro Guaíra, ‘O Segundo Sopro’, quando choveu literalmente no Ópera; Paulo Autran, entre outros atores famosos; concertos espetaculares com Arthur Moreira Lima e Carmem Monarcha, componente da Orquestra de André Rieu, entre outros com a nossa Orquestra Sinfônica; e a maravilhosa Exposição do acervo de Lily Marinho, oportunidade única para a cidade. Ampliamos a atuação dos Conselhos de Cultura e de Patrimônio Artístico e Cultural; restauramos a Casa dos Escoteiros, na rua Hinon Silva, com o funcionamento do CAPs Infantil no local; inauguramos os prédios da Biblioteca Bruno Enei e do Centro da Música, aos pés da imponente Chaminé Wagner, com toda a estrutura para as atividades da Orquestra Sinfônica e Coro Cidade de Ponta Grossa, da Banda Escola Lyra dos Campos e do Conservatório Maestro Paulino Martins Alves. Contei com conselheiros críticos e maduros, forçando a evolução e crescimento da área. Acertamos e erramos juntos. Sinto honra por ter contribuído na valorização da Cultura em Ponta Grossa.

Já no turismo, buscamos estruturar ações pontuais do setor. Foi um despertar do turismo ponta-grossense como importante matriz econômica. E, recentemente, junto com o Conselho de Turismo e todo o trade turístico da cidade, conseguimos deixar grande legado. Conquistamos uma cadeira no Conselho Estadual de Turismo (CEPATUR); foi criada a bancada do Turismo, no Legislativo municipal; criamos o Observatório de Turismo; incentivamos a realização de eventos geradores de fluxo turístico por meio da lei 12.066/2014; incentivamos o cicloturismo, em especial em Itaiacoca; demos os primeiros passos para a conquista da ciclovia que está sendo construída hoje; participamos da criação do Fórum G11 do Turismo Paranaense, do qual tive a honra de ser a primeira coordenadora; realizamos a primeira press-trip de Ponta Grossa, com profissionais da imprensa e formadores de opinião do Brasil e do exterior, ação que contou com apoio de inúmeros empresários e que, inclusive, se tornou regional com a participação de Castro e de Carambeí. Enfim, tudo isso com a união de uma equipe motivada, importantes parcerias institucionais e atuação da iniciativa privada, que sempre esteve ao nosso lado. Agregar é o segredo.

Como a senhora recebeu o convite para ser vice-prefeita? Foi uma surpresa?

Graças à minha presença forte no cenário político desde há muito tempo, não foi surpresa, não. Na realidade, foi uma consequência. Quando nos destacamos em nossa área de atuação, o reconhecimento e as oportunidades efetivamente aparecem. E foi o que aconteceu.

Quando a senhora assumiu o cargo, em 2017, como era Ponta Grossa? Quais eram os principais problemas a serem resolvidos?

Estávamos em plena espiral ascendente, com uma forte ação nos bairros, um investimento fenomenal em habitação popular e em educação, com forte crescimento de empregos. Era preciso ainda resolver diversas questões, como conexões de transporte, infraestrutura e saúde, que sempre exigem muita atenção. E tínhamos um grave problema com saneamento ambiental, que se arrastava há décadas

Como a cidade está agora? Que avanços ocorreram nesse período?

Imensos. Resolvemos, em definitivo, o problema do saneamento ambiental, com o encerramento do lixão do Botuquara. A saúde está estruturada e funcional, e os resultados que estamos vendo agora na pandemia são prova disso. Fortalecemos o padrão de desenvolvimento social com a melhor das ferramentas: o emprego. E fizemos um número expressivo de obras estruturantes, entre elas o aeroporto, que não apenas está funcional e projetado para crescer, mas também com operações de destinos importantes para o turismo de lazer e de negócios, tornando Ponta Grossa dotada de conexão aérea essencial. Avançamos em todas as áreas: da cultura ao turismo, com a concessão de Vila Velha, passando por centenas de outras conquistas históricas.

A concessão da Vila Velha é uma pauta que o governo municipal vem defendendo há bastante tempo, por sua importância para o turismo do Paraná. Por sinal, desde o dia da posse do ex-secretário [estadual de Esporte e Turismo] João Barbiero, solicitei o início desse processo incansavelmente, e ele assim o fez, pois acreditava na demanda da cidade. Logo em seguida, o secretário [estadual do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo] Márcio Nunes e o governador Ratinho Junior adaptaram o projeto e consolidaram a concessão com presteza, e o trade turístico aplaudiu, e muito.

A meta de tornar Ponta Grossa uma cidade inteligente, tecnológica e inovadora move o nosso trabalho. Implementamos ainda a educação integral na maioria das escolas e CMEIs da rede municipal de ensino; pavimentamos muitas quadras da cidade; ampliamos importantes programas sociais; estruturamos e aprimoramos a mobilidade urbana e a segurança pública; a revisão do Plano Diretor da cidade está posta para votação na Câmara; e o O PPRF [Plano Permanente de Recuperação Fiscal] foi importante no momento certo, sendo uma ferramenta fundamental para a retomada da economia no município.

A senhora sempre se destacou por ser uma vice-prefeita muita dinâmica e atuante. De onde vem toda essa energia?

Tudo que eu faço, eu faço com paixão e desprendimento. Não perco tempo com o que não agrega valor à vida. E, principalmente, não tenho preguiça. Se existe um trabalho para fazer, eu faço. Essa foi e continua sendo a minha vida. Conquistei grande respeito de todos, em especial do prefeito Marcelo Rangel, com quem divido a cabeceira da mesa de reuniões e sou a última a discursar sempre. Diariamente estou motivada e motivando os nossos secretários municipais, diretores e servidores a sempre realizar um projeto, a atender uma demanda do munícipe no menor prazo possível, e, principalmente, a sermos criativos e buscarmos soluções sustentáveis e inovadoras para antigos problemas.

Depois de um dia intenso de trabalho, o que a senhora faz para relaxar quando finalmente chega em casa?

Reencontro a minha família. A família é a minha fortaleza, a minha alegria e o meu presente diário. Deus me concedeu presentes extraordinários, e o maior deles é a minha família. É ao lado dela que me recomponho, interagindo e me divertindo como filha, esposa, mãe e avó.

A agenda de uma vice-prefeita é bastante apertada. Existe algo que a senhora costumava fazer e que hoje não consegue mais fazer?

Muitas coisas, mas, como eu sou muito dinâmica, tento compensar isso sendo ágil. Faço muitas coisas ao mesmo tempo, e encontro tempo para tudo, na medida certa.

Quando não está trabalhando, quais são os seus hobbies? Como a senhora aproveita o tempo livre?

Muitas vezes, curtindo eventos culturais que tanto amo. Me realizo lendo, assistindo filmes, viajando, cozinhando, fazendo crochê e tricô, costurando, recebendo amigos em casa e na chácara.

Para a senhora, qual é o papel da mulher na política? Falta representatividade feminina?

Nós, mulheres, temos a função social de administrar a crise com a nossa política de doação, de paixão, de vida e de generosidade, lutando com princípios e valores que só nós temos. Hoje muitos lutam pelo direito de manter seus direitos, pela alimentação, saúde, educação e segurança de sua família, e é por isso que cada vez mais as mulheres devem atuar na política. Ponta Grossa é feminina! 53% dos eleitores são mulheres. Hoje, eu, como vice-prefeita, as secretárias municipais e um número expressivo de servidoras públicas somos a voz feminina na administração municipal e contamos com uma representante no Legislativo. Poderíamos, sim, ter maior representatividade, e espero que isso aconteça em 2020. O principal é entender que a mulher na política é como o homem na política: pode ser ótima ou pode ser horrível. A mulher pode e deve ser mulher e exercer o seu papel, mas na vida pública ela precisa ser eficiente. Aliás, como qualquer pessoa que se disponha a ingressar na vida pública. Competência não se mede pelo gênero. Gestoras da Alemanha, Bélgica, Nova Zelândia, Finlândia, Islândia e Dinamarca se destacam no mundo. Por exemplo: Angela Merkel, política alemã considerada “líder do Mundo Livre” e a primeira-ministra neozelandesa Jacinda Ardem, que está vencendo as dificuldades da pandemia.

Como a senhora enxerga o movimento feminista? Ele é importante e necessário?

São inegáveis os avanços que o movimento feminista trouxe, como a equalização de algumas ofertas de emprego e o combate ao preconceito. Sempre defenderei as mulheres e os seus direitos. Porém, sexismo, seja qual for a sua denominação, machismo, feminismo ou coisa assim, é sempre algo problemático. É preciso olhar além do gênero.

Na visão da senhora, quais são as características de um bom político?

Honra, inteligência e humildade. Honra para que a sua palavra seja levada a sério sempre. Inteligência para saber quando e como usar a sua palavra e o seu poder. E humildade para aprender com o que viu, viveu, testemunhou e com as vezes que errou, promovendo uma mudança para melhor.

Que ideais a senhora defende na política? A senhora se considera mais inclinada à direita ou à esquerda?

De que direita estamos falando? E de qual esquerda? Eu respeito a minha origem, a minha história e a minha liberdade. Sou opositora a qualquer movimento que restrinja a liberdade de pensamento e de expressão, e que me obrigue a negar a verdade, a trair a confiança da minha família e do meu país. Rótulos ficam bem em produtos, não em pessoas, como diz um amigo meu. Eu tenho uma formação sólida na área de Humanas, que é a minha seara, e tenho uma experiência familiar e existencial bastante tradicional. Finalmente encontrei um partido político que corresponde ao meu pensamento: o PSD, que é uma força política moderada, calcada no diálogo, no bom senso e no consenso, que defende a liberdade de expressão, defende a condenação e a denúncia pública da corrupção, e o exercício da política responsável e transparente. Por outro lado, tenho grande facilidade para transitar entre os partidos, sempre respeitando as pessoas e as suas ideias. Inclusive, nesse especial momento em que estou angariando apoio de pessoas e partidos, tenho conversado com tranquilidade e respeito com todos eles. Os ideais que defendemos são bem claros: oportunidades iguais para todos e transparência absoluta. O poder público pode e deve intervir para que as diferenças sejam reduzidas e a justiça prevaleça.

O que a senhora pensa a respeito dessa dicotomia entre esquerda e direita? É possível tirar algo de proveitoso dessa discussão?

É exatamente o que tratamos há pouco. A política não é uma disputa entre times A e B; a política é uma ciência e uma arte. A arte do diálogo, a arte de administrar crises. E, nessa arte, poucos conseguem compreender que nem tudo que é rotulado de “esquerda” e de “direita” é bom, ruim, ofensivo ou melhor. Precisamos de uma maneira de governar que se sobreponha aos delírios do poder.

Na opinião da senhora, o que é preciso para ser um bom gestor? A senhora acredita que tem essas características?

Tenho plena convicção disso. As minhas gestões em áreas específicas na vida privada e no meio público, como secretária de Administração e Recursos Humanos, de Cultura e de Turismo, mostram isso de forma muito clara. A minha atuação como prefeita interina, durante os afastamentos do prefeito Marcelo Rangel, também é exemplo. A minha carreira, a minha vida e a minha biografia são os meus argumentos. Os meus projetos serão o morte que teremos. Reafirmo: política é a arte do diálogo. Os gestores públicos precisam ter a humildade de ouvir as demandas da população e dialogar com as lideranças nos bairros, com todos os vereadores, representantes da sociedade civil organizada. Enfim, o espírito público da política é escutar a população e os seus anseios, é conhecer a dor da população e minimizá-la. O gestor público não pode enfraquecer o povo. Muito pelo contrário, pode e deve fortalecê-lo.

Caso a senhora saia vitoriosa dessa eleição, como a senhora espera entregar a Prefeitura ao final do mandato?

Com o sentimento de dever cumprido, e uma cidade menos desigual e com a sua confiança reabilitada. Viva Ponta Grossa!

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“A vice-prefeita Elizabeth tem como característica marcante a inquietude por fazer as coisas de forma diferente, criativa e inovadora. Perspicaz, minuciosa e detalhista, ela busca sempre dar o melhor de si, bem como, por meio de sua liderança, obter o melhor de cada um, buscando valorizar as habilidades e competências dos servidores. Com formação na educação, tem ainda, como uma de suas marcas, a construção do conhecimento coletivo e a busca pela participação de todos, além do seu toque feminino, que faz toda a diferença na gestão” (Tônia Mansani, servidora da Secretaria Municipal da Fazenda e coordenadora de Fomento ao Empreendedorismo e Inovação)

“A Elizabeth, se considerarmos os seus traços de personalidade, a sua formação e a sua atuação no magistério e em clubes de serviço, reúne condições ideais para governar a nossa cidade, não apenas por representar o poder feminino, mas por ser uma pessoa da melhor qualidade, honesta, humana, idônea, sensível, aberta ao diálogo e ao novo, com grande disposição para o trabalho e capaz de enfrentar e vencer grandes desafios” (Cleide Aparecida Faria Rodrigues, professora aposentada da UEPG e colega de magistério)

“A professora Elizabeth é uma inspiração como mãe, esposa, professora e mulher independente. É uma pessoa que tem delicadeza para lidar com várias situações e uma ótima administradora. Ela é o tipo de gestora que vê o problema e tenta resolver, fazer o que é certo. Seria essencial para a nossa cidade uma pessoa com garra, disposição e os princípios que ela carrega” (Paola Souza, aluna do curso de Secretariado Executivo da Faculdade Sant’Ana)

“Ter sido aluna da professora Elizabeth Schmidt foi, para mim, um privilégio, pois aprendi muito mais que conteúdos de uma disciplina. Aprendi, com o seu entusiasmo pela educação e otimismo pela vida, a ser também uma pessoa que acredita na força transformadora da educação e que não desiste jamais dos seus sonhos. Mulher engajada em nossa sociedade e extremamente humana, Elizabeth, você me representa, com muito orgulho” (Nilcea Mottin de Andrade, coordenadora de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação de Ponta Grossa)

Por Michelle de Geus | Foto: Paola Antunes

ATUALIZAÇÃO: no dia 29 de agosto, poucos dias após o fechamento da edição 283 / agosto da revista D’Ponta, o vereador Felipe Passos usou o seu perfil no Facebook para comunicar que não ia mais integrar a chapa de Elizabeth Schmidt como pré-candidato a vice-prefeito (para ler a declaração completa, clique aqui.) Por essa razão, todas as menções a Passos foram retiradas desta nova versão da entrevista. No lugar do vereador do PSDB, entrou o Capitão Saulo Vinícius Hladyszwski, que foi eleito vice-prefeito do município neste domingo.