Quinta-feira, 07 de Julho de 2022

“Os palhaços estão dentro do hospital para lembrar que é um lugar que precisa ser estéril do ponto de vista bacteriológico e não de alegria”, afirma Michelle Vaz da SOS Alegria

18/04/2022 às 11:58
Foto: Jéssica Natal/UEPG

Em entrevista ao programa Manhã Total, apresentado por João Barbiero na rádio Lagoa Dourada FM, nesta segunda-feira (18), os doutores palhaços Michelle Vaz e Bruno Madalozo falaram sobre o trabalho que a ONG SOS Alegria promove em Ponta Grossa.

A SOS Alegria surgiu em 2008 com o objetivo de levar a alegria para os pacientes internados em hospitais de Ponta Grossa. Antes da pandemia, o grupo realizava cerca de 5 mil visitas por mês em hospitais do município e, durante o período de isolamento social, os doutores palhaços precisaram reinventaram as atividades. “A pandemia dificultou bastante nosso trabalho nos hospitais, até porque não tinha como a gente entrar nos hospitais. A gente parou uma semana antes de ser proibido, porque a gente já via a necessidade de parar porque poderia estar atrapalhando a equipe dentro dos hospitais, mas não chegamos a parar com o trabalho”, explica Bruno. Segundo ele, o grupo preparou visitas a pacientes onde os palhaços iam até o portão das casas para quebrar a rotina e amenizar os efeitos do isolamento.

Para Michelle, um dos momentos mais difíceis deste período foi o de adaptação. “A gente chegou em lugares que nunca tínhamos chegado. A gente fazia vídeos com os profissionais de saúde e depois, em parceria com a Secretaria de Educação, fizemos parte do programa Vem Aprender, então a gente chegou na casa de mais de 32 mil crianças diariamente falando sobre cuidados da Covid e sobre a importância das emoções positivas. Essa adaptação sem resposta, no começo foi muito difícil, mas a gente entendeu que também é possível”, afirma Michelle.

Retomada

Agora o momento é de retomada das visitas presenciais aos hospitais. Michelle conta que a ONG está preparando a volta das atividades desde agosto do ano passado. “A gente já tem um protocolo de controle de infecção, que já é referência no nosso trabalho, para nós, o que mudou agora é o protocolo da Covid que é o uso de máscara. Todas as outras coisas a gente já seguia, a gente tem uma capacitação contínua dentro da ONG, mas mesmo assim é um momento delicado”, afirma.

Além dos pacientes, os profissionais de saúde também estão abalados com a pandemia, segundo Michelle. “A gente não tem noção do quanto eles estão devastados e do quanto é necessário esse contato humano não só para os pacientes, mas imprescindivelmente para a equipe, muita coisa mudou”, declara. “Antes o nosso foco eram os pacientes e eles acabavam recebendo também as nossas brincadeiras, mas agora nosso foco também são eles para que eles consigam dar esse suporte para o paciente”, diz.

Bruno ainda completa. “Volta a ter música no corredor do hospital, volta a ter essa leveza, isso faz uma grande diferença e quando você percebe que a própria equipe valoriza mais ainda”.

Michelle reflete que mesmo em períodos difíceis, é importante lembrar que é possível sorrir e apoiar o outro. “As nossas fraquezas mostram que a gente é humano e é por isso que os palhaços estão dentro do hospital, para lembrar que o hospital é um lugar que precisa ser estéril do ponto de vista bacteriológico e não de alegria. A gente não está lá por conta da doença, mas para trazer saúde”, finaliza.