Quinta-feira, 07 de Julho de 2022

Sinais da doença de Parkinson aparecem muitos anos antes dos sintomas motores, afirma neurologista Dr. Carlos Henrique

26/04/2022 às 11:59

Em entrevista ao programa Manhã Total, apresentado por João Barbiero na rádio Lagoa Dourada FM, nesta terça-feira (26) o médico neurologista Dr. Carlos Henrique Ferreira de Camargo tirou dúvidas sobre as doenças de Alzheimer e Parkinson.

Dr. Carlos explica que as duas doenças atingem, principalmente, pessoas com mais de 60 anos de idade, porém cada uma possui características específicas. “Normalmente, na doença de Parkinson, quando começam os sintomas motores, aquela doença já teve início 20 anos antes, porque começa com depressão, alterações do sono, intestino preso e dificuldades para sentir cheiro. Tudo isso começa muito tempo antes dos sintomas motores”, esclarece. Os tremores são os sintomas da doença que aparecem por último e, por vezes, podem nem se manifestar nos pacientes, segundo Dr. Carlos. “Em torno de 40% até 60% dos pacientes com Parkinson não tremem”, destaca.

O neurologista afirma que uma das semelhanças do Alzheimer e do Parkinson é que as duas podem provocar perda de memória. “O Parkinson só vai ter alterações cognitivas no final da doença, tem alguns pacientes que ficam todos rígidos, mas a cabeça está ótima. Já o Alzheimer, não. A pessoa está andando, se mexendo e está esquecendo tudo. O que caracteriza é a perda de memória recente. Tem uma região do cérebro que separa o que eu devo guardar pra sempre e o que eu não devo guardar. E tem dois problemas que podem causar isso, primeiro é a falta de atenção, é comum em jovens e adultos que não dormem direito, tomam remédio, têm transtorno de déficit de atenção. O outro é o problema na parte do cérebro que seleciona o que tem que guarda, ele vai diminuindo e não guarda memórias novas. Isso é Alzheimer”, exemplifica.

Já o Parkinson causa um problema na área cognitiva chamada de disfunção executiva. “Ou seja, ele tem memoria, só que vai perdendo a capacidade de planejamento, associação, de identificar uma imagem e fazer uma associação com a memória”, afirma explicando que é comum os pacientes colocarem o arroz na panela e esquecer de colocar a água, por exemplo.

Para as pessoas que possuem familiares com essas doenças, Dr. Carlos Henrique aconselha a dividirem as funções para evitar sobrecarga mental. “O familiar não pode querer ser cuidador. Esses pacientes exigem muito, por conta dos problemas cognitivos e motores precisa de alguém para ajudar. O familiar que quer fazer tudo, nesses casos 94% dessas pessoas acabam desenvolvendo algum problema psicológico. Divida essa função, se não você não aguenta”, afirma.

Embora a doença de Parkinson não tenha cura, existem tratamentos que podem melhorar a qualidade de vida dos pacientes, como é o caso do uso da ‘levodopa’, uma dopamina sintética. “Existem vários problemas durante a doença que você vai acrescentando novos remédios e melhorando os problemas motores”, diz. “A gente tem coisas para oferecer, mas não tem cura para estes pacientes com Alzheimer e Parkinson”, completa.

Confira a entrevista completa com o médico: