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Venda do TikTok nos EUA deve ser concluída sob pressão política e levanta debate sobre dados e soberania digital

O acordo transfere o poder de decisão e o controle dos dados de usuários nos Estados Unidos para empresas alinhadas ao governo Trump e seus aliados

há 2 horas

Amanda Martins

Venda do TikTok nos EUA deve ser concluída sob pressão política e levanta debate sobre dados e soberania digital
Foto: REUTERS/Mike Blake

A consolidação da venda da empresa que controla o TikTok nos Estados Unidos deve ocorrer nesta quinta-feira (22), marcando um dos maiores negócios da história da ByteDance, empresa unicórnio chinesa responsável pela plataforma. Segundo a Agência Brasil, a operação foi conduzida sob forte pressão do governo norte-americano e remete ao primeiro mandato de Donald Trump, sendo retomada como tema central durante sua segunda campanha à Casa Branca.

Na prática, o acordo transfere o poder de decisão e o controle dos dados de usuários nos Estados Unidos para empresas alinhadas ao governo Trump e seus aliados. Os chineses permanecerão com apenas 20% de participação. Entre os novos controladores estão o fundo MGX, ligado à família real dos Emirados Árabes Unidos, e a empresa norte-americana Oracle, que ficará responsável pelo armazenamento dos dados. A transação é estimada em US$ 14 bilhões, segundo o vice-presidente dos Estados Unidos, James Vance. Atualmente, o TikTok é a quarta maior plataforma do país, com cerca de 170 milhões de usuários.

Para a especialista em regulação e desinformação Andressa Michelotti, pesquisadora da UFMG e da Universidade de Utrecht, a operação revela um paradoxo. Segundo ela, os Estados Unidos utilizam o argumento da segurança nacional para justificar o controle dos dados da população, o que afeta tanto o livre mercado quanto a liberdade de expressão. A pesquisadora destaca que o jogo de poder vai além dos dados e envolve a influência de grandes empresários alinhados ao governo, como Larry Ellison, da Oracle, além de nomes como Mark Zuckerberg e Elon Musk.

A aquisição forçada ignorou os apelos da ByteDance, que afirmava operar com transparência e independência do governo chinês. Atualmente, 60% do capital da empresa está nas mãos de fundos internacionais como BlackRock, General Atlantic e Susquehanna. Outros 20% pertencem aos empregados, incluindo cerca de 7 mil trabalhadores nos Estados Unidos, e os 20% restantes são dos fundadores, entre eles Zhang Yiming. Mesmo assim, o governo chinês se manifestou defendendo uma solução que respeite as leis e regulamentos do país e preserve o equilíbrio de interesses.

Ainda há incertezas sobre os impactos práticos da mudança. Informações divulgadas pela mídia especializada dos Estados Unidos indicam que a transição pode envolver não apenas servidores, mas também alterações no próprio aplicativo, com possíveis mudanças na arquitetura, no design e nas funcionalidades. Andressa Michelotti avalia que um dos cenários possíveis é a “balcanização” da plataforma, com versões isoladas por país, o que levanta questionamentos sobre a circulação e a transição de dados entre diferentes territórios.

Apesar da venda nos Estados Unidos, a ByteDance afirma que a operação não afetará outros mercados, incluindo o Brasil. Em nota, a empresa informou que a nova joint venture é específica para o território norte-americano e não impacta a experiência dos usuários brasileiros. Especialistas, no entanto, avaliam que o caso traz lições importantes para o debate regulatório. Para o professor Rafael Evangelista, da Unicamp e conselheiro do CGI.br, a situação evidencia o papel central das plataformas digitais na mediação do debate público e reforça a necessidade de discutir soberania tecnológica, governança da internet e regulação, especialmente diante do poder geopolítico dessas empresas.

No Brasil, a ByteDance segue expandindo sua infraestrutura. No último dia 15, tiveram início as obras de um novo data center dedicado ao TikTok em Caucaia, no Ceará. O empreendimento, operado pela empresa OMNIA, do Grupo Pátria, terá capacidade de 200 MW, deverá ser o maior da América Latina e contará com investimento estimado em R$ 200 bilhões, utilizando energia solar e eólica próprias. O avanço ocorre em meio à expectativa de votação do Projeto de Lei de Concorrência Digital e à recente aprovação do chamado ECA Digital, que define regras para proteção de crianças e adolescentes nas plataformas digitais.

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