Terça-feira, 23 de Julho de 2024

Ponto de Vista: Para Guto Silva, aumento de expectativa de vida do paranaense reforça demanda de planejamento de longo prazo

2023-05-06 às 12:37
Foto: Letícia Carneiro/Divulgação

Durante entrevista exclusiva ao programa Ponto de Vista, apresentado por João Barbiero na Rede T de rádios do Paraná, na manhã deste sábado (6), o secretário do Planejamento do Estado do Paraná, Luiz Augusto Silva – ou Guto Silva, observou que o desafio de sua pasta é driblar, justamente, um traço cultural do brasileiro que é a ausência de planejamento a médio e longo prazo. O convencional, segundo ele, é a visão imediatista. Porém, o secretário destaca que o aumento da expectativa de vida do paranaense nos últimos anos demanda planejamento de longo prazo.

“Nós [brasileiros] não temos tradição de planejar a médio e longo prazo. Infelizmente, essa é uma tradição que está presente no dia a dia do poder público brasileiro, de forma genérica, o que é muito ruim. Entendemos que há uma instabilidade econômica e que é difícil ter um olhar a longo prazo, mas é necessário. É uma rota que os grandes países já fizeram”, analisa.

O secretário opina que infelizmente, por aqui, os gestores costumam planejar o próprio mandato, sem visão de continuidade ou progresso dessas ações para seus sucessores. “Pensando nisso, o governador [Ratinho Júnior] deu essa diretriz e a ideia é deixar instrumentos fortes e robustos para que o próximo governador tenha um guia, um plano de médio e longo prazo. Estamos trabalhando isso com muita técnica, com muita gente boa e qualificada”, diz.

Aumento da expectativa de vida do paranaense

O Censo mais recente do IBGE, que está para ser publicado, vai embasar boa parte desse planejamento, conforme o secretário. “Um dado curioso é que o Paraná aumentou em 1 milhão de habitantes. O Paraná cresceu. Já somos a quarta maior economia e a quinta maior população. A previsão é de que, nos próximos 20 anos, o Paraná possa ultrapassar a Bahia e ser mais populoso”, indica.

Entretanto, o fluxo migratório – entrada de imigrantes de outros estados ou países e emigração de paranaenses para fora do estado – em 10 anos, foi “zerada” – ou não variou. O aumento populacional é explicado pelo aumento da longevidade do paranaense, “o que é um bom indicador. Estamos envelhecendo. O Paraná manteve uma boa taxa de natalidade e, por outro lado, a população está envelhecendo”, destaca.

Esse aumento da expectativa de vida traz ao governo dois grandes desafios no que se refere ao Planejamento. “Primeiro, é pensar o Paraná com essa perspectiva de envelhecimento. Como estaremos daqui a 10 ou 15 anos? Teremos força de trabalho? O que países de primeiro mundo já têm sofrido, o Paraná vai enfrentar daqui a 10 ou 15 anos”, diz.

O segundo é o de lidar com um novo êxodo rural, com a migração da população de cidades pequenas para pólos regionais. Conforme o secretário, esse encolhimento da cidade pequena e inchaço da cidade grande possui como desvantagem o fato de que cidades pequenas, no geral, possuem orçamentos e arrecadação menores e os prefeitos possuem mais dificuldade de implantar programas. “Geralmente, o IDH é mais baixo e a renda é um pouco menor. Então, o Estado vai ter que aportar recursos e alguns instrumentos. Lançamos agora um grande programa para asfaltar cidades menores para manter o cidadão nelas, com iluminação de LED, galeria e asfalto de qualidade, porque isso afeta a escolha do cidadão em ficar na cidade”, afirma.

Na esteira contrária, a cidade maior sente a pressão de atender a demanda de serviços dos novos habitantes, com mais CMEIs, escolas, infraestrutura de trânsito, entre outros fatores, que, evidentemente, demandam mais recursos.

“Temos que colocar tudo isso dentro do planejamento, dentro do orçamento para que estejam refletidos os interesses e realidades diferentes que temos no Paraná. O Paraná é muito heterogêneo e é muito bom isso. Temos características muito diferentes no Paraná, mas todas elas têm demandas muito específicas. Então, nosso papel, com muito estudo e diálogo, dentro do governo, é canalizar o suado recurso público do contribuinte para que seja bem aplicado”, frisa.

Conforme Silva, esse planejamento é necessário para atender a contento – e simultaneamente, tanto o idoso do pequeno município quanto o jovem no grande centro. “O Estado tem que trabalhar com números, estatísticas e consciência, para que consigamos atender e ter um orçamento inclusivo, em que todo paranaense possa estar representado”, acrescenta.

O secretário ressalta que, primeiro, o município investe milhares de reais na educação da criança até ela chegar ao Ensino Fundamental II, quando o Estado assume essa tarefa. Dali até o concluir o Ensino Médio, o governo investe outros milhares de reais para que esse adolescente consiga alcançar o ensino superior, quando são investidos ainda mais recursos na formação profissional e cidadã desse jovem. “A hora que formamos esse jovem, que ele vai devolver à sociedade, que vai trabalhar e buscar oportunidades, cada vez que perdemos um jovem, que vai embora do Estado do Paraná e vai para outro estado do Brasil é uma derrota coletiva. Temos que deixar o Estado atrativo para ele gerar emprego, renda, gerar riqueza, seu negócio aqui no Estado”, avalia.

Participação de lideranças locais

Na entrevista, o secretário também destacou a participação de lideranças locais em audiências públicas realizadas por todo o Estado para a discussão do Plano Plurianual (PPA), que é um planejamento de médio prazo. Isso tem ajudado a entender as realidades e demandas diversas que há em cada região do Paraná.

“Vamos percorrer as principais regiões do Paraná com lideranças e a sociedade civil e organizada para poder instrumentalizar esse plano, porque ele tem que ter o sentimento do povo do Paraná”, diz. Essa medida, segundo Silva, garante que o orçamento atenda a políticas públicas que reflitam necessidades locais e regionais.

Depois da consulta pública online, Guto Silva deve percorrer todo o Estado, iniciando dentro de duas semanas, para ouvir demandas regionais. Primeiro, em Ponta Grossa e Castro; em seguida, Pato Branco e Francisco Beltrão; depois, Cianorte e Umuarama e, assim, sucessivamente.

Estradas

O secretário pontuou a execução de obras numa estrada que liga o Oeste Paranaense ao Oeste Catarinense, na região da divisa entre os dois estados. “Essa região do Oeste Catarinense tem uma característica muito pontual, que busca serviços no Paraná – de saúde e educação. Infelizmente, os acessos são muito precários e Santa Catarina é um ator importante de conexão com o estado do Paraná, em geração de riquezas e escoamento de safra. Naturalmente, colocamos no radar e, felizmente, tiramos do papel essa obra é importante, uma conexão entre o município de Mariópolis (PR) e São Domingos (SC)”, diz. A ligação entre as duas cidades é feita, no trecho paranaense, pela Rua 34 e, depois da divisa, pela Estrada São Domingos, trecho que compreende cerca de 26,6km.

As duas cidades, respectivamente, fazem parte das regiões de Pato Branco (PR) e Chapecó (SC), que concentra um polo industrial que “agora, ficará mais conectado [ao Paraná] por essa rodovia”.

Conforme Silva, o governo estadual autorizou a execução da primeira rodovia estadual em concreto, inicialmente, do Distrito de Horizonte até Palmas e, agora, de Palmas até Clevelândia, na PRC-280, o que “dá um dinamismo importante ao Estado do Paraná e também ao de Santa Catarina”. A ideia é recuperar a infraestrutura da via e garantir a segurança do usuário e “manter a competitividade dos nossos produtos, com estradas que possam suportar o crescimento da economia do Paraná”.

Luiz Augusto Silva, também conhecido como Guto Silva, nasceu em Maringá e já atuou como deputado estadual por dois mandatos (2015 a 2022). Foi também empresário, professor universitário, consultor internacional de negócios e foi chefe da Casa Civil do Estado do Paraná (2019 a 2022).

Ponto de Vista

Apresentado por João Barbiero, o programa Ponto de Vista vai ao ar semanalmente, aos sábados, das 7h às 8h, pela Rede T de Rádios do Paraná.

A Rádio T pode ser ouvida em todo o território nacional através do site ou nas regiões abaixo através das respectivas frequências FM: T Curitiba 104,9MHz;  T Maringá 93,9MHz; T Ponta Grossa  99,9MHz; T Cascavel 93,1MHz; T Foz do Iguaçu 88,1MHz; T Guarapuava 100,9MHz; T Campo Mourão 98,5MHz; T Paranavaí 99,1MHz; T Telêmaco Borba 104,7MHz; T Irati 107,9MHz; T Jacarezinho 96,5MHz; T Imbituva 95,3MHz; T Ubiratã 88,9MHz; T Andirá 97,5MHz; T Santo Antônio do Sudoeste 91.5MHz; T Wenceslau Braz 95,7MHz; T Capanema 90,1MHz; T Faxinal 107,7MHz; T Cantagalo 88,9MHz; T Mamborê 107,5MHz; T Paranacity 88,3MHz; T Brasilândia do Sul 105,3MHz; T Ibaiti 91,1MHz; T Palotina 97,7MHz; T Dois Vizinhos 89,3MHz e também na T Londrina 97,7MHz.

 

Confira a entrevista na íntegra: