Terça-feira, 16 de Julho de 2024

Ponto de Vista: Rafael Greca defende sustentabilidade, cidadania e cultura do Paraná

2023-04-15 às 15:41

Em participação no programa Ponto de Vista, apresentado por João Barbiero na Rede T de rádios do Paraná, na manhã deste sábado (15), o atual prefeito de Curitiba, Rafael Greca, falou sobre sustentabilidade, educação e relembrou de grandes nomes do Paranismo, movimento de construção identitária do estado. Reeleito em 2020 com quase 500 mil votos já no primeiro turno, ele se diz muito feliz com o êxito das celebrações dos 330 anos da capital e celebra o projeto sustentável que a cidade busca. “Fizemos grandes entregas, inclusive a primeira pirâmide solar do Brasil e da América Latina e uma das mais importantes plantas solares que existem hoje no mundo. É uma planta com 8.600 placas fotovoltaicas que nós construímos sob o antigo aterro sanitário do bairro do Caximba, no extremo sul de Curitiba. Isso está nos garantindo uma economia mensal de 35% da taxa de energia elétrica da nossa Prefeitura”, afirma, complementando que o projeto Curitiba Mais Energia vai contemplar painéis fotovoltaicos também nos terminas do Boqueirão, de Santa Cândida e do Pinheirinho. “Painéis que nós já temos na Sede da Prefeitura de Curitiba, o Palácio 29 de Março, no Salão de Artes do Barigui e no Jardim Botânico, vão permitir, ao final do meu governo, até 60% da economia da energia que é usada pelo município. Nossa cidade está apostando num futuro sustentável e para isso estamos chegando a 330 mil árvores para ajudar no enfrentamento ao aquecimento global”, aponta.

A aposta em energia solar se deve também à posição geográfica privilegiada da capital. “Nós estamos na ‘franja’ do Trópico de Capricórnio. O dia mais frio e chuvoso de Curitiba tem mais sol e mais energia que o dia mais quente e ensolarado do verão alemão. Nós temos que ser vocacionados para a energia limpa”, conta Greca. “As pessoas que puderem, já façam telhados solares porque isso entra na conta da Copel e abate em preço. Isso que eu estou fazendo para a Prefeitura de Curitiba é uma provocação, um caminho para todo o Paraná fazer. A ideia é partir inclusive adiante em larga escala com o governo do estado e federal financiando placas fotovoltaicas para sermos uma civilização ligada ao sol. Que se cumpra a profecia do padre Antônio Vieira, aquela antiga profecia que falava do Quinto Império que era o Brasil, um lugar onde havia uma fartura infinita, sol em abundância e onde se plantando, tudo dava. Esse visionário, que foi um grande jesuíta que viveu no século XVII, tinha a visão da grandeza do Brasil”, pontua

Greca relembra que já durante a infância projetava um futuro brilhante para a capital, tanto que foi selecionado em um concurso de redação que imaginava os próximos anos de Curitiba. “Naquela época uma prima minha era professora da Prefeitura e ela me incentivava muito e me fez participar desse concurso de redação. A minha escola inscreveu meu nome para concorrer com a redação para a carta do futuro de Curitiba. Isso era no ano de 1969. Veja, passaram-se tantos anos e nos 300 anos de Curitiba eu consegui ser eleito prefeito da capital. Foi quando se lembraram que a criança que tinha escrito a carta tinha sido eu. Hoje se passaram mais 30 anos, estou comemorando 330 anos. Aquela Curitiba ainda é a cidade sustentável, mais linda, mais iluminada do Brasil, é a cidade que mais valoriza seu rosto, seu patrimônio cultural, não deixa derrubar nenhum pinheiro, faz questão de cada uma de suas árvores, que procura ter um zoneamento urbano que, se não é perfeito, procura equacionar os problemas do futuro”, relembra.

“Nos dias que fazemos o bem, nós existimos; nos outros dias nós apenas duramos”

O prefeito lembra ainda que a capital possui ampla infraestrutura social, apontando os restaurantes populares e mesas solidárias que atendem a parcela mais carente da população. “O bonito é que tudo isso é feito por voluntários. A cidade passou a exercer sua cidadania através do voluntariado. Todos entendem a mesma coisa que Margarita (esposa de Rafael Greca) e eu entendemos, que nós somos o bem que fazemos. Nos dias que fazemos o bem, nós existimos; nos outros dias nós apenas duramos. A cidade não é perfeita porque nunca fica pronta. Todos os dias tem buracos novos, tem alguma ocorrência desagradável, tem um acidente. Nós gostaríamos de viver no paraíso terrestre, mas isso não é possível. Com os defeitos da humanidade e os nossos defeitos nós vamos vivendo e procurando fazer o bem”, ressalta.

Sobre a situação envolvendo a segurança das escolas, Greca pontuou que Curitiba possui um plano de contingência desde 2005, mas que “o mal nunca penetrou nos muros das escolas e creches”. Segundo ele, o município possui 140 mil alunos na rede pública e aproximadamente 400 mil alunos na capital inteira.

Ele falou também sobre medidas possíveis para começar a remediar a situação de medo vivida hoje nas instituições de ensino. “O meu secretário de defesa social é o coronel Péricles de Matos, um expert, inclusive com cursos internacionais contra terrorismo. Eu tenho muita segurança naquilo que ele me diz e uma das coisas que ele me diz é que sobre isso nunca se deve falar. Esse pânico, horror, histeria, repetição que valoriza o rosto do maligno que se travestiu naquele miserável e foi matar crianças em Blumenau, esse rosto não deve ser mencionado, repetido, propagado”, aponta.

Paranismo

Ainda durante a entrevista, Greca apresentou parte de sua ampla bagagem cultural ao falar sobre o livro Paranismo, no qual assinou o prefácio. A obra, de José Roberto Teixeira Leite, tem um estilo fácil e agradável, de acordo com o prefeito, e resgata o movimento de amor e valorização do estado, resgatando grandes nomes das artes do Paraná, como Romário Martins, Domingos Nascimento, Bento Mossurunga, Lange de Morretes, Zaco Paraná, João Turin, João Baptista Groff, entre outros. Greca defende que o livro “vale a pena para ser lido e ensinado aos paranaenses. Eu quero que todas as escolas do Paraná tenham esse livro. É um livro todo desenhado com pinhas, pinhões, com letras paranistas; tem até um alfabeto paranista”.

O orgulho e o amor

Questionado sobre quais obras lhe dão mais orgulho, o prefeito voltou a destacar a pirâmide solar, mas apontou algumas expressões culturais marcantes que presenciou. “Fiquei muito feliz com o grande concerto que fizemos com a Orquestra de Curitiba e o Coro de Curitiba e com dois cantores paranaenses, o Vitório Scarpi e a Ornella de Lucca, e a grande cantora Isabel Leonard, que veio de Nova York, primeira-dama do teatro e da música em Nova York, que ganhou três prêmios Grammy, e ela veio cantar o concerto de Curitiba. Ela é neta de argentinos, então falava espanhol muito bem e me dei muito bem com ela, até prometeu voltar ano que vem para fazer um espetáculo só de músicas espanholas e tangos. Vai ser um arraso, quero assistir”, conta.

Ao fim da entrevista, Greca falou de sua esposa Margarita. “Margarita é minha vida, meu caminho, minha inspiração, é um sorriso radioso todos os dias. Ela tem uma felicidade interior e gosta muito de servir a população. Ela gosta muito do papel de primeira-dama de Curitiba, inclusive não tem nenhum cargo público. Ela cuida de nossa casa e cuida de mim, mas vive aqui na Prefeitura, nos inspirando, sempre perto de nós, dizendo a palavra certa para harmonizar as coisas porque é difícil manter uma cidade de 3 milhões de habitantes”, declara.

Confira abaixo a entrevista na íntegra: