Terça-feira, 23 de Julho de 2024

Ponto de Vista: “Tive que decidir entre saúde individual e saúde coletiva”, avalia Luciano Ducci sobre transição da medicina para a política

2024-03-23 às 16:38

Em entrevista exclusiva ao Ponto de Vista, programa apresentado por João Barbiero na Rede T de rádios do Paraná, na manhã deste sábado (23), o deputado federal Luciano Ducci (PSB), contou como foi a transição da Medicina para a carreira política. “Tive que decidir entre saúde individual e saúde coletiva“, cita.

“Saí do consultório particular, da consulta individual, quando decidi fazer programas de saúde para milhares de pessoas. Ou resolvia o problema de uma pessoa agora e, daqui a 20 minutos, de outra, ou resolvia o problema de 500 mil crianças nascidas, através do Programa Mãe Curitibana. Foi uma conversa com toda a família, com minha esposa, que também é médica pediátrica. Decidimos que ela tocaria saúde individual e eu ia tocar a saúde coletiva. É uma coisa que me dá muito prazer, gosto de organizar programas”, enfatiza.

Ducci afirma que gosta bastante de organizar sistemas de saúde, com ampla experiência nesse setor, que o dotou de uma lógica de modelo de saúde um pouco diferente do que está em vigor em Curitiba. “Penso a saúde em território, com acolhimento, responsabilidade sanitária, de regiões da cidade, para desenvolver programas. Tínhamos um programa de hipertensos com 110 mil pessoas cadastradas; de diabetes, com 60 mil; de saúde mental, 50 mil. O Mãe Curitibana tinha em torno de 18 mil a 20 mil mães grávidas. Quando se faz programa de atenção primária em saúde, você está fazendo um programa para atender a milhares de pessoas. É uma saúde para 2 milhões de pessoas em Curitiba e 70% é pelo SUS

Filho de imigrantes italianos, Luciano é o primeiro integrante da família Ducci a nascer no Brasil. Criado no bairro Uberaba, cresceu no Mercado Municipal, onde o pai trabalhava. Luciano também foi o primeiro da família a fazer um curso universitário, quando se formou médico pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR) e, depois, fez Residência em Pediatria. Na Itália, se especializou em Pneumologia Infantil, na Universita degli Studi di Roma. Mais tarde, se especializou em administração pública, pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

“Depois de tudo isso, acabei entrando na Prefeitura de Curitiba, no final da década de 1980, como médico de Posto de Saúde”, diz. Ducci considera que ali, no posto do Cajuru, começou sua vida pública. Logo, em 1989, Jaime Lerner assumia a Prefeitura de Curitiba e convidou Ducci a comandar o serviço de Vigilância Sanitária, que foi municipalizado nesse período.

Em seguida, Rafael Greca substituiu Lerner na Prefeitura, em 1993 – não havia reeleição para o Executivo na época. Com a troca do governo, Ducci assumiu a Diretoria da Assistência em Saúde, para fazer a municipalização do SUS em Curitiba. “Implantei a primeira Central de Marcação de Consultas Especializadas do Brasil, informatizada. Fiz a Central de Leitos de Curitiba, também a primeira do Brasil”, relembra.

Em 1994, Jaime Lerner foi eleito governador do Paraná e convidou Luciano Ducci para um novo cargo: o de diretor-geral da Secretaria Estadual de Saúde, enquanto o secretário era Armando Raggio. “Tive oportunidade de montar todas as Centrais de Marcação de Consultas Especializadas que tem no Estado até hoje, montar todas as Centrais de Leitos no Estado e também de implantar cinco Centrais de Transplante – uma em Curitiba e outras quatro nas Macrorregiões do Estado”, menciona.

Em 1998, já na metade do primeiro mandato de Cássio Taniguchi, Ducci recebe convite para retornar à Prefeitura, como secretário de Saúde, com destaque para a criação de programas como o Mãe Curitibana. O programa, que completou 25 anos, se tornou modelo para municípios de outros estados – Mãe Coruja, em Pernambuco, e Mãe Paulistana, na gestão de José Serra, em São Paulo – e foi adotado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como referência para a redução da transmissão vertical de HIV da mãe para a criança, a partir do acompanhamento pré-natal. Um dos diferenciais do programa era que a gestante já sabia, desde a primeira consulta, em que maternidade seria realizado o parto, conforme uma classificação de risco e complexidade. “Nosso desafio era reduzir a mortalidade infantil de dois dígitos para um. E conseguimos reduzir para abaixo de 10 [a cada mil nascidos] ao longo dos anos

Somente em 2002, ele decide concorrer a um cargo, o de deputado estadual. “Sem base nenhuma, só com a base de Curitiba e da turma da Saúde, me elegi deputado estadual. Fui o quarto mais votado de Curitiba”, conta. Candidato pelo PSB, Ducci recebeu 37.904 votos válidos e foi o 35º mais bem votado em todo o Paraná. Ducci ganhou notoriedade como vice-prefeito curitibano por dois mandatos consecutivos e, depois, por assumir a Prefeitura, em 2010, quando Beto Richa renunciou ao cargo para concorrer ao Governo do Estado.

Luciano Ducci é curitibano, médico e deputado federal pelo Estado do Paraná, filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Ele foi prefeito do município de Curitiba, assumindo após a renúncia de Beto Richa para disputar o governo do estado do Paraná em 2010.

Ponto de Vista 

Apresentado por João Barbiero, o programa Ponto de Vista vai ao ar semanalmente, aos sábados, das 7h às 8h, pela Rede T de Rádios do Paraná.

A Rádio T pode ser ouvida em todo o território nacional através do site ou nas regiões abaixo através das respectivas frequências FM: T Curitiba 104,9MHz;  T Maringá 93,9MHz; T Ponta Grossa  99,9MHz; T Cascavel 93,1MHz; T Foz do Iguaçu 88,1MHz; T Guarapuava 100,9MHz; T Campo Mourão 98,5MHz; T Paranavaí 99,1MHz; T Telêmaco Borba 104,7MHz; T Irati 107,9MHz; T Jacarezinho 96,5MHz; T Imbituva 95,3MHz; T Ubiratã 88,9MHz; T Andirá 97,5MHz; T Santo Antônio do Sudoeste 91.5MHz; T Wenceslau Braz 95,7MHz; T Capanema 90,1MHz; T Faxinal 107,7MHz; T Cantagalo 88,9MHz; T Mamborê 107,5MHz; T Paranacity 88,3MHz; T Brasilândia do Sul 105,3MHz; T Ibaiti 91,1MHz; T Palotina 97,7MHz; T Dois Vizinhos 89,3MHz e também na T Londrina 97,7MHz.