Terça-feira, 16 de Julho de 2024

Projeto GGPEL: Saiba quem são e quais os desafios e expectativas para a Geração Alpha

2023-05-03 às 11:37
Foto: Reprodução/Freepik

Você se admira com as habilidades que o seu filho tem com a tecnologia? E mesmo tão pequeno, no quanto é empático e atento a questões como o meio ambiente? Saiba que essas são algumas das características da geração Alpha, que engloba as crianças e adolescentes nascidos entre 2010 e 2024.

Para Mark McCrindle e Ashley Fell, estudiosos do assunto responsáveis pela denominação dessas crianças e autores do livro Generation Alpha: understanding our children and helping them thrive (“Geração Alpha: entendendo nossos filhos e ajudando-os a prosperar”, em tradução livre), as palavras que mais definem esta turma são: digital, social, visual, global e móvel – sendo esta última relacionada à flexibilidade, mudança e independência.

A mudança não é algo único deles, claro, mas a velocidade em que acontece, seu tamanho e seu alcance são sem precedentes. “A principal diferença desta geração é o contexto em que são educados, estimulados e desenvolvidos”, explica o escritor e palestrante Sidnei Oliveira, especialista em gerações, autor do livro Gerações: encontros, desencontros e novas perspectivas, da Integrare Editora.

Por isso, está tudo bem se você, tantas vezes, se sente perdido ao criar e educar o seu filho. Esta reportagem tem o papel justamente de elucidar quem é essa geração, o que a diferencia de quem veio antes e o que esperar das crianças para o futuro. E o principal: trazer caminhos para ajudar os pequenos a se desenvolver plenamente, com a mente e o corpo saudáveis e, sobretudo, felizes e preparados para um mundo tão complexo e em constante transformação.

Pandemia: marcante por si só

Se tem um ponto em relação aos pequenos dessa geração que não se pode ignorar é que eles sobreviveram a uma pandemia, que, aliás, ainda se arrasta. E se, para nós, adultos, os impactos são imensuráveis, os efeitos da crise sanitária e humanitária deixou marcas nessas crianças e adolescentes, de formas distintas – tanto que os autores de Generation Alpha citam, inclusive, que eles podem ser chamados de geração covid-19. “Durante a pandemia, alguns amadureceram, cresceram, embora tenham sofrido. Outros regrediram e desenvolveram complicações por conta das características individuais”, afirma o psiquiatra Wimer Bottura, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria. Fato é que os impactos no desenvolvimento, aprendizado e saúde mental, causados, principalmente, pelos sentimentos de medo e insegurança da covid-19 podem influenciar essa garotada toda sua vida.

O período do isolamento ainda reverbera na casa da advogada Anny Sposeto, 40 anos, mãe de Isabela, 9 anos, e Sofia, 7. Seu marido e pai das meninas, Tiago Sposeto, 40 anos, é médico do SUS, trabalhou direto na fase crítica da pandemia e, por conta disso, teve de morar por três meses fora de casa. “Ali, a saúde mental delas degringolou. Fizemos tratamento com psicóloga, já tiveram alta, mas continuo mantendo alguns exercícios de respiração, ioga e atenção plena com elas diariamente”, diz.

Mas não há só o lado negativo da história, não. As crianças levarão dessa experiência a valorização do tempo em família e do convívio com os avós. “Essa situação pandêmica proporcionou um maior contato entre filhos e pais com estes trabalhando dentro de casa – com uma tensão maior, mas com mais proximidade. Para aquelas cujas famílias conseguiram lidar bem com o momento, foi um ganho enorme, já que conexão e vínculo refletem de forma positiva nos pequenos, sempre”, diz o psiquiatra Bottura.

E depois de tantas adversidades que tiveram de enfrentar (como as aulas online, a distância dos amigos… entre outros), a resiliência é, sem dúvida, um ponto alto dessa geração. Segundo pesquisa dos autores australianos, 78% dos pais acreditam que a pandemia deixou os filhos mais resilientes.

A covid-19 ainda não sumiu do mapa, e algumas marcas deixadas nas crianças podem demorar a passar. Por isso, ao perceber algum reflexo no seu filho, como ansiedade, medo ou defasagem no aprendizado, aja. Converse na escola, façam juntos exercícios de respiração, procure um hobby de que ele goste, proporcione momentos ao ar livre e na natureza, preze pelo sono de qualidade e, claro, procure ajuda profissional – de um psicólogo ou de um professor particular – quando necessário.

Leia a reportagem completa da Revista Crescer