Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2025

PEC que pede fim da escala 6X1 é protocolada na Câmara dos Deputados

Proposta que busca reduzir a jornada de trabalho em todo o país agora deve ser discutida pelos parlamentares
2025-02-25 às 19:08

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou nesta terça-feira (25) uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador tem direito a apenas um dia de descanso após seis dias consecutivos de trabalho. A proposta busca alterar a Constituição para reduzir a jornada semanal máxima para 36 horas, distribuídas em quatro dias, com três dias de folga.

A PEC foi apresentada na Câmara dos Deputados com o apoio de 234 parlamentares, número superior ao mínimo necessário de 171 assinaturas para que a proposta inicie sua tramitação. Entre os apoiadores estão deputados do PSOL, PT, Republicanos, União Brasil e MDB. A deputada explicou que a estratégia para protocolar o texto foi adiada anteriormente devido à composição desfavorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no ano passado.

Detalhes da proposta

A PEC visa alterar o inciso XII do artigo 7º da Constituição, estabelecendo uma jornada de trabalho normal não superior a oito horas diárias e 36 horas semanais. A mudança permitiria jornadas mais curtas e flexíveis, como o modelo 4×3 (quatro dias trabalhados e três de folga). Erika Hilton argumenta que a escala atual contribui para o desgaste físico e mental dos trabalhadores e que a redução é uma medida necessária para melhorar a qualidade de vida.

A proposta também considera negociar alternativas intermediárias, como o modelo 5×2 (cinco dias trabalhados e dois de folga), caso o modelo 4×3 enfrente resistência no Congresso. A deputada destacou que outros países já implementaram jornadas reduzidas com resultados positivos e acredita que o Brasil pode adaptar essas experiências à sua realidade.

Próximos passos

Após ser protocolada, a PEC será analisada pela CCJ para verificar sua constitucionalidade. Se aprovada nessa etapa, será encaminhada a uma comissão especial que terá até 40 sessões para emitir um parecer. Em seguida, o texto será submetido a votação em dois turnos no plenário da Câmara dos Deputados, onde precisará do apoio de três quintos dos parlamentares (308 votos). Caso aprovada na Câmara, seguirá para análise no Senado.

Mobilização e desafios

A apresentação da PEC foi acompanhada por representantes do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e outros movimentos sociais. Erika Hilton anunciou um calendário nacional de mobilização em defesa do projeto, com ações previstas em diversas cidades brasileiras. Além disso, um abaixo-assinado com quase três milhões de assinaturas foi entregue à Câmara como parte da campanha pelo fim da escala 6×1.

Apesar do apoio significativo dentro do Congresso e da sociedade civil, a proposta enfrenta resistência por parte de entidades patronais, como a Confederação Nacional do Comércio (CNC), que argumentam que mudanças na jornada podem aumentar os custos operacionais das empresas. Parlamentares contrários à PEC defendem que alterações na carga horária devem ser negociadas diretamente entre empregadores e trabalhadores.

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que levará o tema ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do Trabalho, Luiz Marinho, buscando apoio oficial para garantir os votos necessários à aprovação da PEC.