há uma hora
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Há orações que nascem da voz. Outras, do silêncio atento. E há aquelas que se constroem no encontro: quando mãos se erguem, gestos ganham sentido e a fé encontra novos caminhos para ser partilhada. Assim pode ser contada a história da gravação do hino e da oração do centenário da Diocese de Ponta Grossa em Língua Brasileira de Sinais (Libras), uma iniciativa que nasce do desejo de caminhar mais perto da comunidade surda e de viver, de forma plena, o Jubileu que se aproxima.
A proposta surgiu a partir de uma reflexão feita no âmbito da comunicação diocesana: em um ano tão simbólico, o que ainda faltava para que o centenário fosse, de fato, de todos? A resposta apontou para a necessidade de aproximação com a comunidade surda não apenas levando informações, mas aprendendo com ela uma outra forma de rezar e de celebrar. Rezando também com as mãos.
A partir desse discernimento, a Pastoral da Comunicação Diocesana, a Assessoria de Comunicação e a Pastoral dos Surdos iniciaram um diálogo que rapidamente se transformou em parceria. A ideia foi acolhida com entusiasmo: produzir três materiais inéditos: um vídeo da oração do centenário em Libras, um vídeo do hino em Libras e a janela em Libras do hino para uso nos conteúdos oficiais da Diocese.
Antes das câmeras, vieram os ensaios. O texto em português precisou ser cuidadosamente traduzido para Libras, respeitando sua estrutura própria, sua gramática e sua riqueza visual. Não se tratava de português sinalizado, mas de um verdadeiro processo de interpretação, que exige estudo, sensibilidade e tempo. Cada sinal foi pensado para que a mensagem chegasse com clareza e profundidade àqueles que têm na Libras sua língua materna.
O dia da gravação foi marcado por emoção e significado. Para a coordenadora de intérpretes da Pastoral dos Surdos, Vania Neves, participar desse momento foi “emocionante”, especialmente por se tratar de um evento tão relevante para toda a Diocese. Segundo ela, a iniciativa gera um sentimento de pertencimento, aproximando a cultura surda da cultura ouvinte e promovendo inclusão e acolhimento. “É a oportunidade de absorver conhecimento em sua língua materna”, destaca.
A coordenadora da Pascom Diocesana, Bárbara Gardin, ressalta que o projeto nasceu de um olhar sensível e de uma escuta atenta entre as pastorais envolvidas. “Identificamos que precisávamos dar um passo a mais na comunicação de dois dos principais marcos do nosso jubileu, oportunizando que a comunidade surda também pudesse conhecer e rezar com essas produções exclusivas da Diocese”, afirma. Para ela, a parceria revela uma Igreja que une dons e conhecimentos para que o Evangelho alcance mais pessoas, por diferentes meios, sem distinções.
Esse mesmo sentimento foi vivido por quem registrou todo o processo. Para Matheus Camargo, videomaker da Pascom Diocesana, participar da gravação foi uma experiência que evidenciou a missão comunicadora da Igreja. “Registrar esse momento fez a gente perceber como é importante a Pascom levar essa acessibilidade à comunidade surda. A gente se alegra ao ver que o Evangelho está sendo espalhado para todas as pessoas”, relata. Segundo ele, ver a Diocese reconhecer e respeitar essa comunidade reforça o compromisso de uma comunicação verdadeiramente inclusiva. “Assim como Carlo Acutis evangelizava por meio das redes sociais, nós, como Pascom, também temos esse objetivo: levar a Palavra de Deus a todas as pessoas”, completa, agradecendo a oportunidade de participar de um momento tão significativo para a Igreja local.
Bárbara também recorda que a iniciativa está em sintonia com o Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil, que orienta para a inclusão daqueles que se encontram à margem dos meios e recursos de informação. “Ainda temos passos a avançar, mas entendemos que este é um caminho importante, que abre novas possibilidades para uma comunicação verdadeiramente missionária e acolhedora”, completa.
Após a gravação, o trabalho seguiu na edição, ajustando imagens, tempos e enquadramentos para garantir que os conteúdos chegassem com qualidade e respeito à comunidade surda. O resultado são materiais que passam a integrar oficialmente a comunicação do centenário, ampliando seu alcance e reafirmando o compromisso da Diocese de Ponta Grossa com uma Igreja que comunica, acolhe e caminha junto.
Confira os vídeos produzidos: