Segunda-feira, 19 de Abril de 2021
foto: Clebert Gustavo

Novembro Azul: médico de PG Carlos Koga fala sobre sintomas, exames e tratamento do câncer de próstata

07/11/2020 às 11:00

Sem manifestar sintomas nas fases iniciais, o câncer de próstata é a segunda maior causa de morte por tumor em homens no Brasil. Ainda visto como um tabu, o exame de toque retal pode ser fundamental para o diagnóstico precoce da doença, aumentando as chances de cura

O câncer de próstata, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), é a segunda maior causa de tumores em homens no Brasil, ficando atrás apenas de tumores de pele não melanoma. Estima-se que, somente em 2020, cerca de 66 mil homens sejam diagnosticados com a doença. Desse total, mais de 15 mil serão vítimas fatais.

Na visão do médico urologista Carlos Heidi Koga, que atende em Ponta Grossa, o alto índice de mortalidade se deve a três principais fatores. “Primeiro, porque é um tumor de alta incidência. Algumas literaturas chegam a dizer que de 15% a 17% dos homens podem ter câncer de próstata durante a vida. A outra causa é por se tratar de um tumor assintomático [que não apresenta sintomas] na maior parte da sua evolução, principalmente na fase inicial. E, por fim, a terceira causa é que os homens, de um modo geral, não fazem os exames”, elenca.

  • Sintomas
  • – Dificuldade para urinar;
  • – Demora em começar e em terminar de urinar;
  • – Sangramento;
  • – Diminuição do jato de urina;
  • – Necessidade de urinar muitas vezes ao dia.

Exames

Embora seja indicado como uma forma de diagnóstico precoce desse tipo de câncer, muitos homens, por medo ou preconceito, não fazem o exame de toque retal. Um estudo publicado em 2018 pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) revelou que 49% dos homens acima de 45 anos nunca fez o exame. “O protocolo, hoje, é bem claro. Todos os homens, a partir dessa idade, devem realizar, anualmente, o toque retal e o exame de PSA [Prostate-Specific Antigens, ou antígenos específicos da próstata em português]”, explica Koga.

O PSA consiste em um exame de sangue em que é avaliada a quantidade de biomarcadores presentes no organismo. Embora seja preferido por muitos homens, o urologista alerta para a sua baixa confiabilidade. “Existe um grupo de câncer de próstata que não vai alterar o nível de PSA. Então, muitas vezes, o paciente pode ter um PSA com índices dentro da normalidade e ter um tumor de próstata”, aponta.

O médico lembra que o exame de PSA deve ser complementar ao de toque retal. “O toque é extremamente importante, pois, junto com o PSA, aumenta a nossa triagem para diagnosticar o tumor na fase inicial e, assim, aumenta a possibilidade de cura”, completa.

Prevenção

Assim como ocorre na prevenção a outras doenças, hábitos de vida saudáveis, como boa alimentação, prática regular de exercícios físicos, e abstinência de álcool e tabaco, são recomendáveis para prevenir o câncer de próstata. No entanto, Koga ressalta que a melhor forma de prevenção ainda é fazer os exames necessários regularmente.

O urologista também alerta para o aspecto genético, que pode influenciar na incidência da doença. “Pacientes que têm histórico de câncer de próstata na família, principalmente parentes diretos, como pai e irmão, estatisticamente têm até três vezes mais chances de ter a doença”, explica. Para esses homens, diz ele, é recomendado começar a realização dos exames de prevenção aos 40 anos.

Sintomas

Koga lembra que o câncer de próstata pode ser uma doença silenciosa, pois dificilmente apresenta sintomas nos estágios iniciais. Já nos estágios mais avançados, os sintomas podem incluir dificuldade para urinar, demora em começar e em terminar de urinar, sangramento, diminuição do jato de urina e necessidade de urinar muitas vezes ao dia. “Alguns podem apresentar dor nas costas, quadril e coxas, pois o primeiro sítio da metástase do câncer de próstata é para a parte óssea”, acrescenta.

  • Saiba como se prevenir do câncer de próstata
  • – Faça os exames regularmente;
  • – Tenha uma boa alimentação;
  • – Pratique exercícios físicos com regularidade;
  • – Evite o álcool e o tabaco.

Tratamento

De acordo com o médico, o tratamento para o câncer de próstata depende da fase em que se encontra a doença. “A partir do diagnóstico, a gente parte para uma etapa chamada estagiamento, para tentar entender em que fase a doença está. Ele pode ser feito com alguns exames, como cintilografia e tomografia”, explica.

Para o câncer em fase inicial, o tratamento pode incluir cirurgias e radioterapias. “Em alguns casos, pode-se aplicar a vigilância ativa, em que é feito um acompanhamento do tumor”, acrescenta. Já para o câncer em estágio avançado, o tratamento é mais paliativo. “O que nós sabemos hoje é que o tumor de próstata é hormônio-dependente. Ele depende da testosterona para evoluir. Então, nesses casos, é feito um bloqueio hormonal, que seria a castração, seja ela química ou cirúrgica, para tentar reduzir a velocidade de crescimento desse tumor”, relata.

No entanto, Koga volta a reafirmar a necessidade da realização periódica dos exames preventivos. “O objetivo da prevenção do câncer de próstata nada mais é do que diagnosticar o câncer na fase inicial. Porque é exatamente nessa fase que nós temos um melhor resultado no tratamento, com alta possibilidade de cura”, conclui.

Por Camila Delgado | Foto: Divulgação