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Fecomércio-PR

Com 15,8% de expectativas favoráveis, Ponta Grossa apresenta o menor índice de otimismo entre as regiões analisadas pela Pesquisa de Opinião do Empresário do Comércio, elaborada pela Fecomércio PR em parceria com o Sebrae/PR. O percentual caiu significativamente frente aos 32,2% observados no semestre anterior. Outros 26,3% projetam estabilidade, 29,8% ainda não sabem como será o desempenho e 28,1% avaliam que o faturamento poderá recuar.

O nível de otimismo da média paranaense para este semestre ficou em 28,7% e é inferior ao registrado no semestre anterior, quando 33,5% dos empresários projetavam um cenário favorável. O resultado reflete um ambiente de maior incerteza, influenciado pelo início da transição tributária, pela manutenção de juros elevados e pelo cenário eleitoral.

Curitiba e Região Metropolitana concentram o maior índice de otimismo, com 33,5%. Na sequência aparecem Londrina (32,2%), Sudoeste (30,0%) e Oeste (29,1%). Os menores percentuais são registrados em Maringá (20,8%) e Ponta Grossa (15,8%).

Entre os segmentos pesquisados, o setor de serviços apresenta o maior grau de confiança, com 34,3% de expectativas favoráveis. No turismo, esse percentual é de 25%, enquanto no comércio fica em 24,6%.

Para o presidente em exercício da Fecomércio PR, Ari Faria Bittencourt, os resultados refletem um momento que exige prudência, mas não pessimismo. “O empresário paranaense é naturalmente cuidadoso e já enfrentou muitos ciclos desafiadores ao longo da história do varejo. Esse cenário de cautela é compreensível, mas é importante destacar que o setor segue ativo, mantendo empregos e buscando se adaptar”, avalia. Segundo ele, a disposição para preservar o quadro funcional e investir de forma seletiva demonstra confiança no médio prazo. “O comércio e os serviços são pilares da economia e seguirão como protagonistas na geração de empregos e oportunidades no estado”, reitera.
A análise por porte de empresa mostra que os pequenos negócios concentram maior otimismo, com 31,5% das empresas de pequeno porte avaliando o semestre de forma positiva, seguidas pelas médias e grandes empresas, com 30,4%. Entre as microempresas individuais, o índice de expectativas favoráveis é de 29,3%. Já no caso dos microempreendedores individuais, as projeções negativas superam as positivas, com 27% de avaliações desfavoráveis ante 20,6% otimistas.
“Os dados mostram um ambiente de maior cautela entre os empresários, o que exige ainda mais atenção à gestão e ao planejamento. Nesse cenário, as micro e pequenas empresas, que representam a maior parte dos negócios formais no Paraná, tendem a sentir mais diretamente os efeitos de juros elevados e mudanças tributárias. Por isso, o Sebrae atua apoiando esses empreendedores com orientação, capacitação e soluções voltadas à competitividade e à tomada de decisão”, aponta o diretor-técnico do Sebrae/PR, César Rissete.

Principais dificuldades
A principal fonte de preocupação apontada pelos empresários paranaenses é a carga tributária, mencionada por 43,2%, com forte alta em relação ao semestre anterior (10,5 pontos percentuais). O dado reflete, sobretudo, o início da implementação da Reforma Tributária, cujos efeitos ainda são percebidos mais como aumento de complexidade sem, contudo, trazer a esperada redução da carga fiscal. Em um segundo plano, aparece a instabilidade política, citada por 39% dos entrevistados, especialmente por se tratar de um ano eleitoral.
A falta de mão de obra qualificada surge como um dos gargalos estruturais mais relevantes. Com 35,1% das menções, e alta de 4,5 pontos percentuais em relação ao semestre passado, figura entre os níveis mais elevados dos últimos 12 anos, evidenciando um problema recorrente do setor terciário. Também estão na lista de dificuldades a instabilidade econômica e a percepção de clientes descapitalizados.

Investimentos
Apesar do ambiente mais cauteloso, a pesquisa mostra que 30,6% dos empresários vão investir na empresa no primeiro semestre, enquanto 26,2% ainda não definiram sua estratégia. Já 43,2% informam que não pretendem investir no período. Entre os que planejam investir, as principais áreas apontadas são reforma e modernização das instalações, aquisição de máquinas e equipamentos, propaganda e marketing e capacitação da equipe.

Mercado de trabalho ainda preservado em Ponta Grossa
Apesar do cenário mais adverso, 24,6% dos empresários pretendem contratar, enquanto 49,1% indicam manutenção do quadro funcional. A parcela que projeta redução é de 10,5%. O resultado revela ambiente mais desafiador, mas sem movimento generalizado de retração no emprego formal.

Metodologia
A pesquisa ouviu mais de 600 empresários paranaenses entre os dias 14 e 30 de janeiro, abrangendo diferentes portes e segmentos, nas regiões de Curitiba e Região Metropolitana, Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Oeste e Sudoeste.